quarta-feira, outubro 11, 2006

O cancro e a água sensível.

É a única doença que conheço que vem no masculino. E com toda a pujança que se lhe conhece da espécie – do homem e da doença. Uns tipos mais fracos que outros, mas na sua grande maioria o cancro é vastamente conhecido por ser fatal. Mais 5 anos, menos 5 anos. Especialmente o cancro dos pulmões. O pulmão um dos orgãos vitais de maior importância que o nosso organismo dispõe.

Não há forma mais suave ou menos dolorosa de se abordar esta questão. Ela é bruta, é implacável, é mal cheirosa e dolorosa quanto baste. Ela abala toda a nossa estrutura de esperança, fenómeno que nos vai mantendo aqui e ali vivos. Porque nem só de carne somos feitos, a alma também conta. Seja em que frequência e estado ela venha ou seja acreditada.

Um amigo meu foi diagnosticado com cancro do pulmãp, já com metástases.

Há dias vi uma peça sobre um cientista, japonês creio, que acredita firmemente na memória dos cristais da água, consequentemente da água. Vai mais longe e prova por a + b que a água reage às palavras e às vibrações. Ele demosntrou que num mesmo grupo de tubos de ensaio com o mesmo tipo de água para todos, determinadas palavras – merci, peace, tenho saudades – provocam a produção de cristais lindíssimos ao paço que palavras menos energéticas e positivas – i will kill you, war – nem sequer forma o cristal. Estes testes foram naturalmente conduzidos seguindo obviamente critérios e métodos científicos que o permite afirmar tamanha sensibilidade. Ele vai mais longe ao afirmar que os recentes e trágicos desastres com “água” – tsunami e catrina – são um resultado do estado energético do mundo e uma total vibração negativa, perante a água que hoje existe. Prevê ainda mais acontecimentos.

O nosso organismo, hoje e de acordo com o nosso avanço social e tecnológico está a mostrar-se quase incapaz de suportar uma maior adaptibilidade a tantas agressões. Sabemos que somos bichos que nos adaptamos, mas hoje também sabemos que os casos de asma e outras doenças associadas à ingestão e inalação de matérias altamente cancerígenas são um resultado desse nosso desenvolvimento. Entra a medicina em conflito com o que de mais básico temos, a morte. Por um lado tudo fazemos para que a vida seja prolongada (mesmo que para isso seja esquecida por completo algo tão simples e necessário como a dignidade e humanidade) e por outro lado sabemos da total impotência que temos para travar este avanço seja do desenvolvimento seja do cancro.

O cancro mereceu até hoje (não tenho números em mão) grandes investimentos na pesquisa mas não conseguimos mais nada que não seja o relato de estatísticas: o cancro do colon e da mama matam mais que o cancro do pulmão, mas ambas podem ser diagnosticados a tempo de se fazeralgo, o do pulmão não. Mata e não passamos dos 5 anos. Até o VIH é mais lento que isto.

Se ao menos tratar do cancro fosse tão simples como a memória e a sensibilidade da água, oferecia a 5ª sinfonia de Beethoven para que as celulas más fossem instantâneamente dissipadas e ficaría ele livre de morte tão pesada.

segunda-feira, outubro 09, 2006

7 meses desde o último post. É um abuso.

Mas aqui estou, sei lá a tentar encontrar assunto que não seja a filha, a maravilha do crescer da filha, o impressionante ritmo de crescimento da filha e por aí em diante, mas ontem deram-me 28 anos!!! E no regresso dum fim de semana em Cape Town, com toda a logística que é viajar com um baby de 7 meses (aquecer a sopa em água quente porque os aviões estes que andamos 737 do século passad, não etm outra forma – um clássico- as fraldas e o sono etc), as olheiras e a tal de coluna (doença !? portuguesa de eleição) que verga que nem vinha, final do dia bébé moída e mesmo assim acharam que eu tinha para aí uns 8 anos menos. É que todos sabemos a diferença que faz ter 28 ou 36. Ou não é???

Inspirou-me. Não pelo ego, mas tão só pela saudade de mim mesma. Ciosa e ansiosa do meu espaço, lembro-me pouco antes de rebentar uma filha na minha vida (e desejada como cereja) de ter escrito qualquer coisa do género “...vamos lá ver o que sobra de mim....” ! E a bem da verdade, é que não sobrou até hoje, NADA. A não ser o carácter.

Nem espaço, nem vontade. Tudo mudou. Mudança radical, mudança brutal. O que não mudou mesmo foi o meu carácter, acentuado os bons e os maus (ai...), nada mudou no espírito de aventura, na sede do conhecimento e do contacto cultural que me faz respirar, que me faz viver. Nada mudou no radicalismo do desporto – que me excita e que se torna meio perigoso, já que penso na forma como posso levar a minha fofa comigo aos great whites (é verdade, essa paixão não passa) – nada mudou na forma como vejo o mundo. Tudo mudou no sentir. Ah, aí sim. Sou outra que nem me conheço. Virei leôa, virei galinha, virei águia. Cresceram-me garras, penas e sentido apurado para o perigo e para a caça. O que não melhorou muito foi o sentido de ser doméstica, que nunca tive, mas que tenho de praticar.

Desfasada, do social do meio comercial agressiva que era, vejo hoje o tempo e esforço que gastei em tanto que nada me deu. Apenas um caminho, pesado, rico na experiência mas fraco no lucro. E para poeta, chegam os poetas. Já nem sei poetisar, forma de expressão que marcou, aliás o meu regresso a esta língua que adoro. Tempos idos do colégio académico aí para os lados do saldanha, onde pela primeira vez ouvi falar em Camões!

Os 28 anitos que me deram, mesmo depois de ter tido uma filhota (diga-se já quase não cabe no meu colo grande que é), a vida meio cansada que tive, refrescaram-me as inspiradas sinapses. Fulled it. Não sei se estou a assumir um regresso ou se o desejo, mas a vontade de escrever é, como sempre foi, grande, intrínseca e com uma vida própria.

Terei que espalhar algumas frases sobre a patusca. Impossível não o fazer, mas outros assuntos tenho para aqui deixar. Até porque muitos dos assuntos que têm origem na chegada dum filho na nossa vida, nada têm a haver com eles mas com a nossa própria cadência.

segunda-feira, março 20, 2006

Corajosa!



A Zaka faz dois anos em Setembro deste ano. No terceiro cio, decidimos pela vinda da nossa própria filha e as características desta cadela, arranjar-lhe um marido da mesma raça e emprenhar. Assim aconteceu. Algumas idas à casa do namorado para namorarem, e ao fim de dois meses a Zakita deu à luz 7 lindas crias da sua primeira ninhada. Morreu apenas um, o que e segundo o veternário é raro, já que ele me tinha preparado para perder cerca de 50% deles.
O bonito desta estória é que, a Zaka inicia o seu parto numa sexta feira 3 de Março, eu passei a noite com ela a dar-lhe apoio (quando acabou de sair a rapaziada toda, mudar a toalha, retirar o que não sobreviveu, fazer festinhas e dar carinho), com a minha barriga prestes a explodir. Sábado durante o dia, a minha menina começa a dar sinais de vinda. Talvez o cheiro das placentas, do nascimento, do cuidar, do instinto. Não sei.
Sei que eu tinha a cesariana marcada para a Segunda-feira seguinte e em vez de arrancarmos no Domingo, fomos no Sábado com receio que acontecesse.
Foi duro deixar a minha zakita sozinha, com algum receio de rejeição e perder mais crias. Mas nada. A Zaka foi durante a semana toda que estivemos nós a dar à luz, uma mãe exemplar, cuidando e fazendo crescer as suas.
Sem margem para dúvidas a minha cadela mostrou ter uma coragem que eu própria não tive, já que optei pela cesariana e não me atrevo a comer as fezes da minha filha!!!
Como podem ver, nasceram uns filhotes todos giros.

domingo, março 19, 2006

Uuuuuaaau!

Tenho andado apaixonada! Tenho andado a dar de mamar, militantemente de 2 em 2 horas. Tenho andado embasbacada e tenho andado sem tempo. Tenho andado com muito sono e extremamente cansada. Tenho andado a mudar fraldas como se de água estivesse a beber. Tenho andado a cuidar de um ser que passou a pertencer ao mundo e na verdade não se nasce com o papel de mãe ensinado, fora algumas questões puramente instintivas que nem a minha zaka.

Ela nasceu a 7 de Março, por cesariana. Processo que durou 30 minutos e o que impressionou fora a operação em si e que me valeu ter informado antes (isto para demorar o menos possível porque o que eu pqueria mesmo era a minha filha nos braços), foi o grito gritante, aquele primeiro que a minha filha deu. Foi o respirar da vida e anunciar a sua chegada com todo o pulmão em força, fez impressão. E aqui caiu a minha primeira lágrima. A epidural é um caso a pensar. Anestesista que me garantiu por estatística que apenas 1 em 20mil é que acabam numa cadeira de rodas (!?), e decisão de a tomar valeu para ouvir aquele grito. Eu não me mexia do peito para baixo e só poedia a minha fofa, que deram apenas para o beijo e seguiu para os testes com o pai enquanto eu tive que "gramar" uma hora inteirinha de observação - coração, tensão e estado emocional. Aguentei que nem uma senhora essa hora interminável, porque eu queria colocar a fofa no peito, logo.

Ela nasceu com 36 semanas e anunciaram-me que "se calhar não vai querer mamar" e o certo é que das 6 cesarianas feitas, todos os bébés nasceram com maior peso e as 40 semanas feitas e nenhum deles quis mamar, vinha tudo de pança cheia. A minha não, veio sôfrega de leite, de vida e de calor humano. Eu bem a mandava para o berçario para descansar um "pouquinho" e ela abria a goela, só queria mãe e mama. Não fez incubadora, veio saudável e espirra desde o primeiro dia sem ter a gripe.

Ambas tivemos alta em 3 dias.Fomos as primeiras a sair do hospital das ceasrianas do mesmo dia. Nasce às 9am de terça feira e sexta feira estavamos a caminho de Maputo, de casa. Sei lá que milagre se deu aqui, mas eu curei-me rapidinho, perdi os kilitos todos numa semana e neste momento concentro-me em sobreviver ao cansaço e normalizar o imprevisível.

A presença do pai foi fenomenal. Achava eu que seria pesada "a cena" mas ali esteve de pedra e cal, fotografando tudo e com um sorriso que eu nunca pensei poder ver ou existir num pai, num ser por outro ser. Sinto muito por todas as mulheres que não têm este apoio e carinho nesta hora. Estou mais do que certa que me ajudou a sarar tudo muito rápido.

Este post custou, duas mamadas, muitos beijos e 4 fraldas.

A todos os que nos deram mimo obrigada. próximo post é da zaka!

sábado, março 04, 2006

Tudo ao molho e fé em deus

Eta noite nasceram 7 zakitas, morreu um.
Eu, estou a arrancar, fazer os 200kms a caminho de ter a minha, só uma.

Solidariedade feminina!!

Até já

:)