sábado, março 04, 2006

Tudo ao molho e fé em deus

Eta noite nasceram 7 zakitas, morreu um.
Eu, estou a arrancar, fazer os 200kms a caminho de ter a minha, só uma.

Solidariedade feminina!!

Até já

:)

quarta-feira, março 01, 2006

Não se sabe do vizinho

Há coisa de dois meses atrás, entrou aqui para o nosso lado um vizinho, sozinho, macho, nos seus 40 e picos, muito Inglês, ar trapalhão, que deixa a porta para “let a cool breeze in...”, mochila às costas e um bigode muito luso mas loiro.

Descansem o vizinho não morreu. Mas aconteceu na noite do sismo. E porque abanámos na séria, ao fim de uns 10 minutos eu ouvia a porta do vizinho abrir, fechar, abrir, fechar. Fui, claro como manda a regra da boa vizinhança, ver e saber do vizinho. Encontro um homem profundamente transtornado com o abalo, parecia mais uma barata tonta que andava aos círculos que nem o Tio Patinhas, gastava sola, mas não ía a lado nenhum.

Perguntei se estava tudo bem ao rapaz, se precisava de alguma coisa. Retorquiu que não. A minha cadela muito prenha entrou logo casa do vizinho adentro (porque havia ali antes um garfield pacholas e que a adorava) e o vizinho, tonto que parecia ter bebido totonto, não se acalmava.

Aí decidi acabar com o sofrimento do rapaz.

Passada - “Have you got a place to go to?”
Vizinho – “No but I am gone anyway!”

Pés pesados, um arrastar da vista à procura duma saída gloriosa, pegou numa mochila, agarrou na Zaka e colocou-a sem olhar para ela, à porta e o vizinho foi-se.

Foi-se até hoje. Não sei do Englishman. Nunca mais vi o vizinho. O apartamento continua aqui, mas o seu ocupante nicles.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Ser criança

Lá vou eu, ainda de lá saí. Mas não me lembro muito bem como é que se faz isso. Ser criança. Heeeeeeelllllppp!

A madrinha da minha rapariga mandou-me música clássica para bébés e reparo que estou de facto muitíssimo longe. Será que fui criança? O violino arrepia-me e transporta-me para uma dimensão que me escapa, que me parece que não tive. Não me lembro. Canções de embalar, canções de felicidade, vida e esperança. Ai....

Deu-me uma de (chamam-lhe) nidição, a mim parece-me mais uma de: nasce um ser para a semana que vem e faltam ainda algumas coisitas. Haja mama, carinho, boa disposição e .... muitas fraldas.

Não me lembro do “João ratão nem do twinkle twinkle little star” e muito menos da primeira classe, ou segunda ou quarta. Vou ter de voltar à escola (isso excita convenhamos, dá-me algum sentido de renovação), re-criar novos hábitos, dar espaço e acima de tudo “encaixar” – que nem a cabeça dela neste momento – uma nova vida e com tudo o que vem com essa mudança. Ah, mas a mudança não me assusta. Assusta-me mais este mundo que tenho para lhe oferecer, onde ao fim de uma catrafada de anos a mostrar-lhe que “isto” é porreiro para depois vir a descobrir, que não é bem assim.

Mas há magia sim e fantasia e o bem. E as estórias lindas de morrer para contar, e o céu a música, a natureza e a água, o sonho e o sonhar, o animal e o ser animal.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Rescaldo do abalo

Não conheçço outra terra onde se tivesse vivido um abalo de 7.5 e haver tão poucas baixas: 2 mortos e 28 feridos. É no mínimo um fenómeno. A razão deve-se ao subdesenvolvimento. Não conheço outro terramoto que tivesse sido anunciado e que provocasse tão poucas baixas.

Nem tudo foi mau, além dos que sentiram na pele o terror nas alturas, verificaram-se na horas seguintes acontecimentos giros:

1. Maioria das pessoas com quem falei e que sentiram o abalo no r/c, pensaram que estavam a ser assaltados só tendo percebido que era um cismo quando viram as suas piscinas com mini tsunamis;
2. Maioria das pessoas com quem falei e que sentiram o abalo nas alturas pensaram que era o marido/mulher aos pinotes na cama;
3. A minha empregada mais nova pensou que eram ratos a empurrar a cama, muitos ratos;
os que não sentiram levaram algum tempo a acreditar e os que se encontravam longe gozaram;
4. O meu prédio tem há uns meses postos uns andaimes desde o r/c até ao 25º - nem um mecheu, mas no prédio em si foram abertas rachas e uma varanda caiu. Parabéns à Teixeira Duarte porque sabe colocar andaimes;
5. O Inst. nac. De Meteorologia dormia.....todo, não havia viva-alma para nos prestar algum conforto, informação;
6. Eu enviei por engano um sms que foi parar a um estranho e recebo como resposta a seguinte mensagem: “Depois da noite que passamos, com esse sono todo, falhar o número é muito normal. Como te chamas? Em que cidade estás? Tá tudo bem comvosco? Eu me chamo Vali Maputo. (delicioso......)
7. Os Americanos lançaram um maior panico do que os próprios Moçambicanos;
8. Foram vistos nos relatos feitos com sentido de humor – fenomenal
9. Descobrimos que pode acontecer em Moçambique um terramoto desta magnitude;
10. Nada funcionou no momento do abalo, principalmente os celulares, e devem ter tido na certa o maior volume de utilização, já que estava tudo vivo.
11. Logo após o abalo a Rádio de Moçambique tocava "Nora Jones".

Para terminar, a conclusão a que chegamos, mais pertinente é a de que não estamos minimamente preparados para uma calamidade. E muito mais preparados para os assaltos.