Fomos acordados às 24h40 por um terramoto, num 16º andar. O terror não podia ter sido maior já que a minha cria ainda não nasceu, estamos num 16º andar, e quando um monstro destes de 25 andares baloiça como se de seda estivessemos a falar, o sangue não aquece, congela.
A cama oscilava da esquerda para a direita, qual onda de mar e que nos fez sentar bem direitinhos na cama:
Meu rapaz “o que é isto”
Eu”não acredito, estamos a viver um terramoto, em Maputo isto não acontece”
Meu rapaz “acordamos os filhos?”
Eu “...........”
Saltamos da cama com alguma esperança de que estivessemos a vivar um pesadelo, que fosse uma impressão, um enganos. Mas não era. O efeito, infelizmente manteve-se, e aí sim sentimos que a cama além de continuar a passear, o prédio todo estava literalmente a abanar.
Apodera-se o medo pelas duas crianças que dormiam serenamente e nem sentiram, apodera-se a insegurança de não sabermos se vamos sair ilesos, e assola-nos a impotência de nada poder fazer até que pare.
Não durou mais do 2 ou 3 minutos, mas resultaram num extremo longo percurso de redefinição de toda a vida. O que é que importa neste momento?
O abanão parou, a vertigem (literal) ficou e veio a tomada de decisão, já que sabemos da existência de réplicas. Sucedem-se uma série de acções normais. Ligar para o Inst. De Meteorologia e não haver uma alma penada para que nos fosse dada alguma (zinha), os celulares cessaram a sua activade por “overload”, ligar a TV para ver a CNN, e esta foi de facto a primeira a anunciar o sucedido.
A terra tremeu a 530kms de Maputo com uma magnitude 7.5
Saber na cidade quem sentiu, quem não sentiu. Sabemos das pessoas da embaixada de portugal todas no r/c de pijama incrédulos. Aliás como todos. Descobrimo que a Av. Kenethe Kaunda nada sentiu, ligamos para um amigo que lá mora e toca de exportar crinaças, cadela muito prenha (esta foi dormir com o marido, muito contrariada mas como está prestes a parir,achei melhor deixar-lhe com a sogra!!!), um saquinho com escovas de dentes, máquina fotográfica e...documentos. Se eu morrer, alguém que descubra quem fui.....
Muito difícil acordar dois miudos um de 10 outra de 11, com uma explicação mínima para que o sono não fosse abalado, que tínhamos que sair porque houve um terramoto. Já eram 01h30am. Levamos os dois carros, e lá fomos instalar numa casa, r/c para não haver mais sustos pelo menos nas alturas. Apesar de me ter passado pela cabeça uma tsunamizita.
Ali o casal, nada tinha sentido. Maputo está com assunto e só voltamos a ver uma almofada às 04h00am. Para acordar às 06h00am e levar a miudagem para a escola. Manter a todo custo alguma rotina e normalidade para que não se extrapole a situação.
Mas nada, mesmo todas as intenções de “normal” retiraram o verdadeiro sentir, do viver um terramoto. Essa é a verdade.
A minha filha está a semana e meia de nascer, já viveu na pele o verdadeiro medo, e eu vivi na alma a verdadeira possibilidade de ir desta para melhor, com tanto ainda por fazer.
A cidade de Maputo, encheu-se de pessoas incrédulas. Foi tudo para a rua, sem informação e muitas sem saberem o que se tinha passado. Nunca vi tanta gente de madrugada cá fora. Temperaturas muito quentes, nem uma brisa que desse sopro de vida a quem acabou de passar pelo medo da morte.
Estamos bem, mais atentos, alertas e definitivamente mais conscientes da nossa insignificante vida nesta natureza. De facto é preciso viver para crer.
Agora vou tentar dormir na mesma cama, que me acordou aos abanões, e isso não é de todo fácil.
A cama oscilava da esquerda para a direita, qual onda de mar e que nos fez sentar bem direitinhos na cama:
Meu rapaz “o que é isto”
Eu”não acredito, estamos a viver um terramoto, em Maputo isto não acontece”
Meu rapaz “acordamos os filhos?”
Eu “...........”
Saltamos da cama com alguma esperança de que estivessemos a vivar um pesadelo, que fosse uma impressão, um enganos. Mas não era. O efeito, infelizmente manteve-se, e aí sim sentimos que a cama além de continuar a passear, o prédio todo estava literalmente a abanar.
Apodera-se o medo pelas duas crianças que dormiam serenamente e nem sentiram, apodera-se a insegurança de não sabermos se vamos sair ilesos, e assola-nos a impotência de nada poder fazer até que pare.
Não durou mais do 2 ou 3 minutos, mas resultaram num extremo longo percurso de redefinição de toda a vida. O que é que importa neste momento?
O abanão parou, a vertigem (literal) ficou e veio a tomada de decisão, já que sabemos da existência de réplicas. Sucedem-se uma série de acções normais. Ligar para o Inst. De Meteorologia e não haver uma alma penada para que nos fosse dada alguma (zinha), os celulares cessaram a sua activade por “overload”, ligar a TV para ver a CNN, e esta foi de facto a primeira a anunciar o sucedido.
A terra tremeu a 530kms de Maputo com uma magnitude 7.5
Saber na cidade quem sentiu, quem não sentiu. Sabemos das pessoas da embaixada de portugal todas no r/c de pijama incrédulos. Aliás como todos. Descobrimo que a Av. Kenethe Kaunda nada sentiu, ligamos para um amigo que lá mora e toca de exportar crinaças, cadela muito prenha (esta foi dormir com o marido, muito contrariada mas como está prestes a parir,achei melhor deixar-lhe com a sogra!!!), um saquinho com escovas de dentes, máquina fotográfica e...documentos. Se eu morrer, alguém que descubra quem fui.....
Muito difícil acordar dois miudos um de 10 outra de 11, com uma explicação mínima para que o sono não fosse abalado, que tínhamos que sair porque houve um terramoto. Já eram 01h30am. Levamos os dois carros, e lá fomos instalar numa casa, r/c para não haver mais sustos pelo menos nas alturas. Apesar de me ter passado pela cabeça uma tsunamizita.
Ali o casal, nada tinha sentido. Maputo está com assunto e só voltamos a ver uma almofada às 04h00am. Para acordar às 06h00am e levar a miudagem para a escola. Manter a todo custo alguma rotina e normalidade para que não se extrapole a situação.
Mas nada, mesmo todas as intenções de “normal” retiraram o verdadeiro sentir, do viver um terramoto. Essa é a verdade.
A minha filha está a semana e meia de nascer, já viveu na pele o verdadeiro medo, e eu vivi na alma a verdadeira possibilidade de ir desta para melhor, com tanto ainda por fazer.
A cidade de Maputo, encheu-se de pessoas incrédulas. Foi tudo para a rua, sem informação e muitas sem saberem o que se tinha passado. Nunca vi tanta gente de madrugada cá fora. Temperaturas muito quentes, nem uma brisa que desse sopro de vida a quem acabou de passar pelo medo da morte.
Estamos bem, mais atentos, alertas e definitivamente mais conscientes da nossa insignificante vida nesta natureza. De facto é preciso viver para crer.
Agora vou tentar dormir na mesma cama, que me acordou aos abanões, e isso não é de todo fácil.