quarta-feira, fevereiro 22, 2006
4.30am e 1kg de uvas sultanas
É o que acontece entre tantas outras coisas. Será este um apetite de grávida? Acho que não, diria mais a gestão de ansiedade.
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quarta-feira, fevereiro 22, 2006
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terça-feira, fevereiro 21, 2006
Barriguez
Ando bem mais ansiosa do que há uns tempos, onde a a gestão do estado parecia até aqui mais fácil, suportável e bonita.
Agora não, pareço uma pata choca, ando que nem uma tartaruga, para quem me conhece é tipo de ferrari a carocha.
Não é meu estilo, mas lately a coisa tem estado a custar ...demais. Pelo calor, pela constante sensação de que vamos rebentar a qualquer momento, pela ansiedade de ter a minha cria nos meus braços (será que vai gostar de mim?), pelo aumento de sensibilidade e repúdio a tudo o que possa vir a trazer bactérias indesejadas à sua entrada (como o lixo que de novo voltamos a acumular nesta cidade), enfim paremos por aqui.
Mas não menos raro, é a solidariedade das mulheres de todo o tipo, feitio e religião e a elas agradeço o detalhe, a atenção quando a mim se dirigem sem me conhecerem e dizem coisas do tipo:
“Ainda falta muito? Aguente firme”
“Eu sei o que está a passar, não desespere” (e olham para os meus pés...)
“Então, está a correr tudo bem?”
“Dê cá a água que não deve estar a carregar peso nesta fase”
“Precisa de alguma coisa?”
Não sonham o bem que sabe, porque as minhas costas fraquejam ante o puxão frontal, não sonham como sabe bem saber que sabem o que se passa, não sonham o alívio que é saber que não estamos sozinhas num momento que custa de facto. São raros os momentos de alívio físico, que é o que me está a custar e ter alguém que nos é estranho preocupar com o nosso estado, produz hormonas muito positivas. Pela primeira vez na minha vida sinto que não sou julgada, por outras mulheres, de inimiga a amiga, passei o teste do sacrifício, já posso ser respeitada.
Está quase a acabar esta fase e sei que terei saudade dela, já o disse aqui – neste momento em que a minha filha é só minha - e que esquecerei com rapidez o mal que proporciona o estado de barriguez.
Há uns posts atrás abordei a questão da dignidade de todo este processo, e não vem tarde o artigo da última revista “Pais e Filhos”, onde a maternidade Alfredo da Costa revamped todo o seu aparato mais que atrasado tudo em nome da dignidade e acompanhamento da mulher neste momento.
Seria inteligente que passasse a existir um maior conhecimento e sensibilidade para o que uma mulher passa quando gere um ser dentro de si, não científicamente – largamente abordado – mas socialmente e biologicamente. Não para ser tratada como uma doente (apesar de muitas mulheres realmente passarem muito mal), mas e apenas ser tratada com a devida atenção que merece. Pode ser que resulte daí um maior cuidado de sim mesmo, uma maior forma de reduzir quiça piores estados de barriguez.
Tenho ouvido também comentários engraçados perante a possibilidade de entrar em depressão – baby blues. Não tenho pensado muito nesse aspecto, mas esta noite tive um sonho muito engraçado, onde uma plateia de miudos, os que fizeram o videio clip dos Pink Floyd “another brick in the wall”, a gritarem ao mesmo tempo “you should be crying more!”, e confesso que de facto chorar ainda não aconteceu com esse sentido. Posso vir a ter surpresas daqui para a frente.
Aliás, essa a grande aprendizagem durante todo este tempo – cada barriga é uma barriga e tudo aquilo que planeamos acontece sim mas ao contrário.
Agora não, pareço uma pata choca, ando que nem uma tartaruga, para quem me conhece é tipo de ferrari a carocha.
Não é meu estilo, mas lately a coisa tem estado a custar ...demais. Pelo calor, pela constante sensação de que vamos rebentar a qualquer momento, pela ansiedade de ter a minha cria nos meus braços (será que vai gostar de mim?), pelo aumento de sensibilidade e repúdio a tudo o que possa vir a trazer bactérias indesejadas à sua entrada (como o lixo que de novo voltamos a acumular nesta cidade), enfim paremos por aqui.
Mas não menos raro, é a solidariedade das mulheres de todo o tipo, feitio e religião e a elas agradeço o detalhe, a atenção quando a mim se dirigem sem me conhecerem e dizem coisas do tipo:
“Ainda falta muito? Aguente firme”
“Eu sei o que está a passar, não desespere” (e olham para os meus pés...)
“Então, está a correr tudo bem?”
“Dê cá a água que não deve estar a carregar peso nesta fase”
“Precisa de alguma coisa?”
Não sonham o bem que sabe, porque as minhas costas fraquejam ante o puxão frontal, não sonham como sabe bem saber que sabem o que se passa, não sonham o alívio que é saber que não estamos sozinhas num momento que custa de facto. São raros os momentos de alívio físico, que é o que me está a custar e ter alguém que nos é estranho preocupar com o nosso estado, produz hormonas muito positivas. Pela primeira vez na minha vida sinto que não sou julgada, por outras mulheres, de inimiga a amiga, passei o teste do sacrifício, já posso ser respeitada.
Está quase a acabar esta fase e sei que terei saudade dela, já o disse aqui – neste momento em que a minha filha é só minha - e que esquecerei com rapidez o mal que proporciona o estado de barriguez.
Há uns posts atrás abordei a questão da dignidade de todo este processo, e não vem tarde o artigo da última revista “Pais e Filhos”, onde a maternidade Alfredo da Costa revamped todo o seu aparato mais que atrasado tudo em nome da dignidade e acompanhamento da mulher neste momento.
Seria inteligente que passasse a existir um maior conhecimento e sensibilidade para o que uma mulher passa quando gere um ser dentro de si, não científicamente – largamente abordado – mas socialmente e biologicamente. Não para ser tratada como uma doente (apesar de muitas mulheres realmente passarem muito mal), mas e apenas ser tratada com a devida atenção que merece. Pode ser que resulte daí um maior cuidado de sim mesmo, uma maior forma de reduzir quiça piores estados de barriguez.
Tenho ouvido também comentários engraçados perante a possibilidade de entrar em depressão – baby blues. Não tenho pensado muito nesse aspecto, mas esta noite tive um sonho muito engraçado, onde uma plateia de miudos, os que fizeram o videio clip dos Pink Floyd “another brick in the wall”, a gritarem ao mesmo tempo “you should be crying more!”, e confesso que de facto chorar ainda não aconteceu com esse sentido. Posso vir a ter surpresas daqui para a frente.
Aliás, essa a grande aprendizagem durante todo este tempo – cada barriga é uma barriga e tudo aquilo que planeamos acontece sim mas ao contrário.
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terça-feira, fevereiro 21, 2006
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domingo, fevereiro 19, 2006
More ice please!
Não sou pessoa de grandes extremos, for a a minha decisão te ter vindo viver para África, engravidar e virar empresária. Mas existem algumas questões que nos acompanham, enquanto seres humanos que vale a pena dar alguma atenção, sem alarmismos. Uma delas é a comida.
Vi uma peça na CNN, onde a própria a seu custo envia para um laboratório, gelo retirado das máquinas, self-service duma amostra de 50 restaurantes, na sua grande maioria fast food (mas os americanos não têm outra coisa também), de 50 cidades diferentes. Imaginem lá os resultados?????
A mairoria apresentava vestígios de fezes! Humanas??? Credo. Talvez o resultado mais estranho tenha sido o de Nova York, das poucas cidades onde o gelo estava limpo de vestígios estranhos, aparentemente pelo facto de que exsitem inspectores de saúde e mesmo apesar da provavel mafia, acaba por funcionar. Das cinquenta, só cerca de 7 é que estavam.....ok! Número assustador.
Consequência: simples e parecidas com aquelas das salmonelas. Vómitos, dores abdominais, febres, diarreias......and so on.
O meu irmão em JHB lamenta-se imenso do “tummy bug” nome pomposo para uma eventual razão tão simples como o gelo que pomos na coca-cola, na água, no sumo.
Mas a bater a minha lista de preocupação continua ainda no top a ignorância.
Vi uma peça na CNN, onde a própria a seu custo envia para um laboratório, gelo retirado das máquinas, self-service duma amostra de 50 restaurantes, na sua grande maioria fast food (mas os americanos não têm outra coisa também), de 50 cidades diferentes. Imaginem lá os resultados?????
A mairoria apresentava vestígios de fezes! Humanas??? Credo. Talvez o resultado mais estranho tenha sido o de Nova York, das poucas cidades onde o gelo estava limpo de vestígios estranhos, aparentemente pelo facto de que exsitem inspectores de saúde e mesmo apesar da provavel mafia, acaba por funcionar. Das cinquenta, só cerca de 7 é que estavam.....ok! Número assustador.
Consequência: simples e parecidas com aquelas das salmonelas. Vómitos, dores abdominais, febres, diarreias......and so on.
O meu irmão em JHB lamenta-se imenso do “tummy bug” nome pomposo para uma eventual razão tão simples como o gelo que pomos na coca-cola, na água, no sumo.
Mas a bater a minha lista de preocupação continua ainda no top a ignorância.
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domingo, fevereiro 19, 2006
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quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Comunicação X informação
Foi em Montepuez que há uns anos quando lá fui em trabalho, pouco antes das mortes na prisão, que senti na pele a grande diferença entre a comunicação e a informação. Com um simples gesto, de um andante que me vê a passar lentamente na ponte, porque ali se encontrava ainda uma mina, homem comido pelo sol e pelo tempo. O gesto que comunicou uma simpatia natural a informação de me dizer olá.
Não consegui dizer a idade dele, não é fácil. Mas pela pele senti-o já sábio. De quê? Não sei, da vida. Da vida dele, ali naquela vila tão longe de tudo, de todos.
Porque me quis este homem cumprimentar, porque senti eu tanta humanidade neste coração por um estranho que na certa não mais o verei.
Não pediu nada, acho que nem sequer sabe o que isso quer dizer, não o pratica porque leva a vida que leva. Na altura em que lá fui, não havia televisão. Só rádio. E o jornal lá deve chegar a custo e com dias de atraso.
Foi em Montepuez que me assolou o desgaste da informação a que estou sujeita e mais não sei viver sem ela. Mesmo que nada comunique, que nada me diga.
Dou por mim a discutir planos de comunicação que possa passar uma qualquer mensagem e venda, venda algo de preferência a informação.
Mas este processo não é nem simplista nem básico, não pensem.
Além dos noticiosos daqui, fazem parte quase diária da minha leitura, muitas vezes na diagonal (a falta do tempo...) a CNN, BBC, Sky News, Euro News, Rtpi e até a de Angola.
É aqui que começa a complicar.
Foi em Montepuez, que senti também que no dia-a-dia, de nada vale estarmos tão informados, senão pelo poder da informação, que nos permite acompanhar e até liderar uma conversa, uma defesa, um argumento o respeito até. Mas é acima de tudo pelo poder. Alguns psicólogos destes países assumem que não temos a capacidade de tanto reter nem – o mais grave – analisar.
O homem de Montepuez passou-me a informação de que no parar conseguimos andar. Quando me olha com aqueles olhos mais que profundos, negros e cheios senti vontade de parar, deixar entrar a comunicação dele na minha. Os pneus do Defender erama única fonte sonora. Caso contrário teria feito mais barulho aquele cumprimento de sorriso aberto, incondicional, feliz por existir dum homem que já estava no seu caminho e não se moveu dele.
Foi em Montepuez que aprendi a ouvir o silêncio.
Não consegui dizer a idade dele, não é fácil. Mas pela pele senti-o já sábio. De quê? Não sei, da vida. Da vida dele, ali naquela vila tão longe de tudo, de todos.
Porque me quis este homem cumprimentar, porque senti eu tanta humanidade neste coração por um estranho que na certa não mais o verei.
Não pediu nada, acho que nem sequer sabe o que isso quer dizer, não o pratica porque leva a vida que leva. Na altura em que lá fui, não havia televisão. Só rádio. E o jornal lá deve chegar a custo e com dias de atraso.
Foi em Montepuez que me assolou o desgaste da informação a que estou sujeita e mais não sei viver sem ela. Mesmo que nada comunique, que nada me diga.
Dou por mim a discutir planos de comunicação que possa passar uma qualquer mensagem e venda, venda algo de preferência a informação.
Mas este processo não é nem simplista nem básico, não pensem.
Além dos noticiosos daqui, fazem parte quase diária da minha leitura, muitas vezes na diagonal (a falta do tempo...) a CNN, BBC, Sky News, Euro News, Rtpi e até a de Angola.
É aqui que começa a complicar.
Foi em Montepuez, que senti também que no dia-a-dia, de nada vale estarmos tão informados, senão pelo poder da informação, que nos permite acompanhar e até liderar uma conversa, uma defesa, um argumento o respeito até. Mas é acima de tudo pelo poder. Alguns psicólogos destes países assumem que não temos a capacidade de tanto reter nem – o mais grave – analisar.
O homem de Montepuez passou-me a informação de que no parar conseguimos andar. Quando me olha com aqueles olhos mais que profundos, negros e cheios senti vontade de parar, deixar entrar a comunicação dele na minha. Os pneus do Defender erama única fonte sonora. Caso contrário teria feito mais barulho aquele cumprimento de sorriso aberto, incondicional, feliz por existir dum homem que já estava no seu caminho e não se moveu dele.
Foi em Montepuez que aprendi a ouvir o silêncio.
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quinta-feira, fevereiro 16, 2006
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terça-feira, fevereiro 14, 2006
Dia do amor, delas e deles
Já recebi pela madrugada a mensagem mais doce do meu namorado, porque não se fala em marido e mulher, só de amor. Ele está no frio aí pelas bandas dos nuestros hermanos e eu por estas na brasa do costume.
Apetece inspirar e poetizar, mas foge-me uma qualquer veia que me leva a achar que os Brasileiros continuam a ser “craques” nestas coisas do amor, senão vejamos:
Vão aproveitar, contra o protesto da Igreja católica (e eles são bem religiosos), o Carnaval para fazer uma mega campanha contra o SIDA, distribuindo gratuitamente 25 milhões de preservativos;
Vai acontecer um concerto GRATUITO para um plateia de cerca de 1 milhão de pessoas na praia com os monstros do Rock – Rolling Stones! Uau, nem nós aqui numa das terras mais pobres do mundo conseguimos este feito com os UB40!!!
Assim vamos ter MUITO sexo - e aqui terei de noticiar uma Russa que paga um página inteira no jornal da sua terra a pedir MUITO sexo porque o seu médico lhe disse que para melhorar o cancro de mama de que padece, deveria fazer sexo pelo menos de dois em dois dias durante um ano mínimo (confesso que estou com um pouco com pena dela, canseira – com muita música e muito calor.
Ficaria bem aqui e agora um poema, não?
Mas dada a globalizada instabilidade que vai pelo mundo, prefiro partilhar a mensagem que recebi, por me ser dirigida e porque não, escrita em Português.
“Bom dia à namorada mais doce e única da minha vida. Tou a abrir o olho. Beijinho fofo nessa orelhinha”.
Fiquei a saber que o formato da minha orelha é “inha”.
Não sou de dias especiais para sentimentos especiais, mais aquele tipo de adepta que o sporting ganhe e que “love is in the air” com constância, mas caramba, todo o mundo fala neste dia, mais parecendo a pasta “Couto”, já que é preciso manter o espírito comercial da coisa.
Contudo não retira a doçura do sentimento mais amado e mais odiado do mundo.
A todos desejo muito amor todos os dias.
Apetece inspirar e poetizar, mas foge-me uma qualquer veia que me leva a achar que os Brasileiros continuam a ser “craques” nestas coisas do amor, senão vejamos:
Vão aproveitar, contra o protesto da Igreja católica (e eles são bem religiosos), o Carnaval para fazer uma mega campanha contra o SIDA, distribuindo gratuitamente 25 milhões de preservativos;
Vai acontecer um concerto GRATUITO para um plateia de cerca de 1 milhão de pessoas na praia com os monstros do Rock – Rolling Stones! Uau, nem nós aqui numa das terras mais pobres do mundo conseguimos este feito com os UB40!!!
Assim vamos ter MUITO sexo - e aqui terei de noticiar uma Russa que paga um página inteira no jornal da sua terra a pedir MUITO sexo porque o seu médico lhe disse que para melhorar o cancro de mama de que padece, deveria fazer sexo pelo menos de dois em dois dias durante um ano mínimo (confesso que estou com um pouco com pena dela, canseira – com muita música e muito calor.
Ficaria bem aqui e agora um poema, não?
Mas dada a globalizada instabilidade que vai pelo mundo, prefiro partilhar a mensagem que recebi, por me ser dirigida e porque não, escrita em Português.
“Bom dia à namorada mais doce e única da minha vida. Tou a abrir o olho. Beijinho fofo nessa orelhinha”.
Fiquei a saber que o formato da minha orelha é “inha”.
Não sou de dias especiais para sentimentos especiais, mais aquele tipo de adepta que o sporting ganhe e que “love is in the air” com constância, mas caramba, todo o mundo fala neste dia, mais parecendo a pasta “Couto”, já que é preciso manter o espírito comercial da coisa.
Contudo não retira a doçura do sentimento mais amado e mais odiado do mundo.
A todos desejo muito amor todos os dias.
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terça-feira, fevereiro 14, 2006
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