domingo, fevereiro 19, 2006

More ice please!

Não sou pessoa de grandes extremos, for a a minha decisão te ter vindo viver para África, engravidar e virar empresária. Mas existem algumas questões que nos acompanham, enquanto seres humanos que vale a pena dar alguma atenção, sem alarmismos. Uma delas é a comida.

Vi uma peça na CNN, onde a própria a seu custo envia para um laboratório, gelo retirado das máquinas, self-service duma amostra de 50 restaurantes, na sua grande maioria fast food (mas os americanos não têm outra coisa também), de 50 cidades diferentes. Imaginem lá os resultados?????

A mairoria apresentava vestígios de fezes! Humanas??? Credo. Talvez o resultado mais estranho tenha sido o de Nova York, das poucas cidades onde o gelo estava limpo de vestígios estranhos, aparentemente pelo facto de que exsitem inspectores de saúde e mesmo apesar da provavel mafia, acaba por funcionar. Das cinquenta, só cerca de 7 é que estavam.....ok! Número assustador.

Consequência: simples e parecidas com aquelas das salmonelas. Vómitos, dores abdominais, febres, diarreias......and so on.

O meu irmão em JHB lamenta-se imenso do “tummy bug” nome pomposo para uma eventual razão tão simples como o gelo que pomos na coca-cola, na água, no sumo.

Mas a bater a minha lista de preocupação continua ainda no top a ignorância.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Comunicação X informação

Foi em Montepuez que há uns anos quando lá fui em trabalho, pouco antes das mortes na prisão, que senti na pele a grande diferença entre a comunicação e a informação. Com um simples gesto, de um andante que me vê a passar lentamente na ponte, porque ali se encontrava ainda uma mina, homem comido pelo sol e pelo tempo. O gesto que comunicou uma simpatia natural a informação de me dizer olá.

Não consegui dizer a idade dele, não é fácil. Mas pela pele senti-o já sábio. De quê? Não sei, da vida. Da vida dele, ali naquela vila tão longe de tudo, de todos.

Porque me quis este homem cumprimentar, porque senti eu tanta humanidade neste coração por um estranho que na certa não mais o verei.

Não pediu nada, acho que nem sequer sabe o que isso quer dizer, não o pratica porque leva a vida que leva. Na altura em que lá fui, não havia televisão. Só rádio. E o jornal lá deve chegar a custo e com dias de atraso.

Foi em Montepuez que me assolou o desgaste da informação a que estou sujeita e mais não sei viver sem ela. Mesmo que nada comunique, que nada me diga.

Dou por mim a discutir planos de comunicação que possa passar uma qualquer mensagem e venda, venda algo de preferência a informação.

Mas este processo não é nem simplista nem básico, não pensem.

Além dos noticiosos daqui, fazem parte quase diária da minha leitura, muitas vezes na diagonal (a falta do tempo...) a CNN, BBC, Sky News, Euro News, Rtpi e até a de Angola.

É aqui que começa a complicar.

Foi em Montepuez, que senti também que no dia-a-dia, de nada vale estarmos tão informados, senão pelo poder da informação, que nos permite acompanhar e até liderar uma conversa, uma defesa, um argumento o respeito até. Mas é acima de tudo pelo poder. Alguns psicólogos destes países assumem que não temos a capacidade de tanto reter nem – o mais grave – analisar.

O homem de Montepuez passou-me a informação de que no parar conseguimos andar. Quando me olha com aqueles olhos mais que profundos, negros e cheios senti vontade de parar, deixar entrar a comunicação dele na minha. Os pneus do Defender erama única fonte sonora. Caso contrário teria feito mais barulho aquele cumprimento de sorriso aberto, incondicional, feliz por existir dum homem que já estava no seu caminho e não se moveu dele.

Foi em Montepuez que aprendi a ouvir o silêncio.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Dia do amor, delas e deles

Já recebi pela madrugada a mensagem mais doce do meu namorado, porque não se fala em marido e mulher, só de amor. Ele está no frio aí pelas bandas dos nuestros hermanos e eu por estas na brasa do costume.

Apetece inspirar e poetizar, mas foge-me uma qualquer veia que me leva a achar que os Brasileiros continuam a ser “craques” nestas coisas do amor, senão vejamos:

Vão aproveitar, contra o protesto da Igreja católica (e eles são bem religiosos), o Carnaval para fazer uma mega campanha contra o SIDA, distribuindo gratuitamente 25 milhões de preservativos;
Vai acontecer um concerto GRATUITO para um plateia de cerca de 1 milhão de pessoas na praia com os monstros do Rock – Rolling Stones! Uau, nem nós aqui numa das terras mais pobres do mundo conseguimos este feito com os UB40!!!

Assim vamos ter MUITO sexo - e aqui terei de noticiar uma Russa que paga um página inteira no jornal da sua terra a pedir MUITO sexo porque o seu médico lhe disse que para melhorar o cancro de mama de que padece, deveria fazer sexo pelo menos de dois em dois dias durante um ano mínimo (confesso que estou com um pouco com pena dela, canseira – com muita música e muito calor.

Ficaria bem aqui e agora um poema, não?

Mas dada a globalizada instabilidade que vai pelo mundo, prefiro partilhar a mensagem que recebi, por me ser dirigida e porque não, escrita em Português.

“Bom dia à namorada mais doce e única da minha vida. Tou a abrir o olho. Beijinho fofo nessa orelhinha”.

Fiquei a saber que o formato da minha orelha é “inha”.

Não sou de dias especiais para sentimentos especiais, mais aquele tipo de adepta que o sporting ganhe e que “love is in the air” com constância, mas caramba, todo o mundo fala neste dia, mais parecendo a pasta “Couto”, já que é preciso manter o espírito comercial da coisa.

Contudo não retira a doçura do sentimento mais amado e mais odiado do mundo.

A todos desejo muito amor todos os dias
.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

O mundo anda mal, prenúncio de guerra?

Para além de estar quase a ter uma criança, com toda a ansiedade que isso possa provocar, não me alheio ao que se vai passando pelo mundo, afectando-me directa e indirectamente.

Choveram pelos blogs, opiniões e opiniães sobre este e aquele assunto, mas de repente deixou de haver um assunto para se tornar num verdadeiro rodopio de acontecimentos um pouco por todo o lado mas que batem todos no mesmo fundo – choque civilizacional com a religião como bode e mote.

As caricaturas, que até agora a única reacção que me pareceu minimamente “concorrente” (passo a expressão livre ou não) foi a do Jornal de maior circulação no Irão contra-atacar com um concurso, abordando o Holocausto (tema discutível) em caricatura para exercitar o limite da liberdade de expressão do ocidente;

O assasinato do Padre na Turquia e onde o Papa já anúnciou a sua deslocação ao país mostrando...hum...coragem....hum....quem sabe a sua última, com toda a polémica à volta da entrada do país na comunidade eurpeia. Talvez sítio onde se possa pensar na eventual solução para o problema latente;

O julgamento da Saddam Hussein – esta (realidade) tira-me todas as palavras e argumentos. Dois advogados de defesa mortos, dois juízes – haverá dois Saddames? A derrota da democracia em evidência.

O vídeo dos Ingleses a maltratarem crianças por trás de portas. Quem me diz que não são Iraquianos vestidos à Ingleses? Não é que eu queira “defender” o que não é possível defender, mas que raio. Só agora é que se fala nisso, pós 2 anos? Desconfio logo. Todos nós sabemos da grande capacidade que existe para que um militar tenha uma atitude menos “guerreira” ( e aqui eu salvaguardo todos os que numa guerra participaram e sabem tão bem, o que é que é andar lá dentro) e passe a ter uma menos “socialmente” aceite (só esta afirmação me dá vontade de regurgitar o almoço e alimentar o cinismo, já que estamos a falar de guerra, não?) dentro do contexto de guerra.

Estes são apenas alguns dos assuntos que por aí se fala, mas estamos a esquecer África, per si um rastilho também ele prontinho a fazer sumo, só espero que não seja de sangue. África do Sul como base desse acender do fósforo. Ou a Nigéria, Angola até.

Depois temos as Américas.

Mas não me sai da cabeça, aquele senhor que há dias dizia “eu não estou a dizer que estamos perante uma pandemia das aves, mas também não vou excluir a possibilidade”. Dia para dia, vão aumentado os países com baixas e tudo isto me faz lembrar a forma como o VIH foi abordado, tão devagarinho que haverá ainda e primeiro muitas mortes até que se assuma a realidade.

Já o disse em posts anteriores, sou filha de guerra, um produto dessa realidade e quando o meu pai me diz que viverá para ver uma guerra acontecer, eu fico meio apreensiva. Será que estou no país certo para que não sinta de novo este efeito tão devastador e onde se vê de facto humanos a matarem-se uns aos outro por esta ou aquela razão – é preciso é matar para não ser morto. Não sei se estarei pronta para esta realidade. Mas também não me será dada a escolha certo

Um aparte – CNN ao vivo há pelo menos meia hora preocupada com o facto de que a Casa Branca levou 22h a comunicar ao público o acidente que o vice-presidente teve em dar um tiro a um colega numa caçada. E que soube do facto pelo jornal “Sun”.

Voltando à vaca fria.

Não estou a gostar dos sinais que andamos a ver na tv? Os sinais estão sensíveis, perigosamente reais para acharmos que isto vai passar com naturalidade. Não vão passar. Infelizmente não vão passar e se não for agora, será daqui a uns tempos, não com caricaturas mas com um pacote de esparguete que tem uma cor que é ofensiva a esta religião ou áquela política.

O absurdo é de facto o sinal mais evidente de que algo corre mal.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Filha e costelas

As minhas costelas têm tido um papel preponderante nesta barriguez, primeiro porque me foram lá parar às costas segundo porque como hoje, fui acordada por uma rapariga toda gira a dar-me uns “kicks” em jeito de:

“oh mãe, sai lá da cama”

e ela, a filha que domina o meu corpo, lá sabe que essa é a melhor forma de me chatear, irritar , implicar e fazer saltar da cama.

Problema é que eram 03.30am!!!!!

Decidi comer um yogurte e trabalhar em pé, lendo uns relatórios de actividade enquanto passeava porque a minha rapariga achou que eu a devia embalar ainda dentro da barriga.

Estamos as duas a competir por espaço. Ela está quase cá fora e ambas, não tenho dúvidas andamos meio ansiosas.

Depois, terei de me habituar a que ela me ponha o pé na cara, faça um chichi mesmo à frente do dono do café ou diga em voz alta:

“OH MÂÂÂÂÊEE, porque é que aquele senhor está a cuspir para o chão?”

Já a adoro!!!!