terça-feira, janeiro 31, 2006

Anda enjoada

Anda enjoada, não come há 5 dias literalmente, vomitou sábado passado e reduziu o seu nível de brincadeira drasticamente.

Fiquei preocupada, perdeu 2kgs e a urina vinha muito amarelada com cheiro a remédio. A minha doce cadela tinha engolido veneno ou qualquer coisa.

Veternário: Não, não, ela está é de barriguez minha senhora.
Passada: what? sério?
Veternário: sim, sim
Passada: mas então as cadelas também ficam enjoadas? Cansadas? Moles e deixam de comer, pensei eu que dava era fome.
Veternário: é, pode ser que lhe dê para o estado de graça sem graça.

Fui à Universidade veternária, fizemos uma ecografia canina (tão giro.....), onde se vê sacos com os fetos lá dentro e derreti-me com a sua condição de mãe.

É que vamos ter as duas, crias ao mesmo tempo. Que trabalheira, mas ao mesmo tempo fica resolvida a questão da ciumeira resolvida.

Atitude

Ouviu-se um boer (sul-africano com origens holandesas, inglesas ou francesas) a dizer num espaço publico a seguinte afirmação:

"With all the aids going around here, we don't have to do anything but wait, and get back the power naturally".

Além de perigosa, esta afirmação é o tudo o que eu não queria estar a ouvir neste século. Junta-lhe a crise de identidade da europa tão bem mediatizada pela CNN, os cartoons dos Dinamarqueses, as forças do poder da economia, a profunda crise religiosa hoje assumida e instalada por todo o lado um pouco e podemos antever longos períodos de instabilidade aqui e aí.

Andamos sem causa com tanta causa por vencer.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

A festa

Importa referir que foi festa, alguma confusão com o calor, as entradas, comida e bebida mas segundo anúncio dos media aqui, em 60.000 não tenho conhecimento de nenhuma morte ou baixa. Desde a tarde até à noite houve a celebração da cultura por cultura e nada mais. Com final de dia com chuva e o sporting a ganhar, nada mais podia acontecer.

Ao que parece os UB40 não encantaram lá muito aqui, indicativo de que os rapazes estão mesmo velhotes.

Foto: Leandro Paul, Estádio da Machava

domingo, janeiro 29, 2006

sexta-feira, janeiro 27, 2006

UB40 debaixo de chuva torrencial

Nunca podemos gabar duma normalidade. Até porque o que é que é normal, aqui e ali?

Ontem adormecemos com uma carga húmida do ar que antevia a chuvada. Aquele tipo de humidade que se entranha em tudo e se nota quando vamos utilizar o papel higiénico e ele encontra-se mole, pegado, indesejado.

Eram cerca de 2.30am, eu com as minhas idas ao WC vejo uma noite absolutamente silenciosa fora a torrencialidade da chuva que já caia nesta cidade. Foi assim até agora que são 8.18am. Não parou, não parece que irá parar.

Resulta disto numa cidade, para quem já conhece, anfíbia. Temos mais água que estrada e circulam vivos os 4x4 e os clássicos “volksolas”. Tudo pára, nada acontece, esmorece uma Sexta-feira que paria entusiasmo o fim de semana, num cinzentismo ao som dos grilos, esses eternos companheiros sonoros.

Bom para uns péssimo para outros. Enquanto “limpa” e “lava” a cidade o ar, adoecem mais uns milhares de pessoas com cólera, essa eterna doença companheira das sub-condições e o florescer da mais mortífera fêmea da praça, a mosquita.

Eu pessoalmente tenho uma paixão assolapada por tudo quanto é tempestade, ciclone e tufões pela sua expressividade, força imponente que a natureza nos vai fazendo lembrar da nossa extrema fraqueza e vulnerabilidade e me devolve assim a humildade. Mas enquanto eu tenho teto, não me sai do pensamento todos aqueles que não têm e sentem na pele os efeitos desta “expressividade”.

Para já, temos os UB40, sentados a curtir o Hotel Polana, muito provavelmente sem a mínima possibilidade de realizarem o concerto amanhã. Segundo o jornal de Notícias, evento que custa cerca de 2milhões de dólares americanos, pagos pelo sector privado e onde já se encontram milhares de bilhetes vendidos. É que o regresso deste grupo britânico está marcado para Segunda-Feira e em África, quando chove, chove.

Foto:Leandro Paul "UB40 aeroporto Maputo" 26.01.06