terça-feira, janeiro 17, 2006

É estranho que nenhuma das maravilhas

do mundo seja uma – a de dar vida. O da procriação, da continuidade, da geração de um ser. Muito estranho. Mas agora sei porquê.

Estou completamente rendida à minha total limitação, mais física que mental. Apesar de nos últimos dias andar meio esquecida, meio navegante sobre os dias, meio aparvalhada com toda esta condição.

Entrei para o meu oitavo mês de barriga e o assunto ficou sério, senão vejamos: deixei de ter vontade (seja do que for para além de fome), passei a estar demasiado pesada (apesar de estar com 11kgs a mais e ao que se diz muito pouco, YA!!!), a barriga parece que vai explodir a qualquer momento, subiram níveis de sensibilidade que mais parece um drama, tudo o que me era simples fazer é agora muito difícil, um estado de alerta impressionante, uma falta de paciência atroz, a ansiedade que estremece a confiança, a dificuldade do movimento, meu deus o levantar é impossível.

Qualquer coisa é melhor do que estar neste estado de graça, que de graça não tem absolutamente nenhuma, é preciso acreditarem. Enquanto comia um croissante e vejo uma barriga entrar, com mais dois catraios já cá fora, reflito para o meu rapaz:

“o respeito que tenho hoje por uma barriga, a compreensão faz com que passe a outro pensamento. A ciência deveria evoluir o suficiente para que os homens passasem a ter a barriga, já que fisicaemente estão muito mais preparados do que nós”

Aprendi há dias que o único macho na natureza a carregar uma barriga, não de uma cria mas no mínimo de 100, é o cavalo marinho. Animal sensível, pequeno mas que “oferece” à fêmea a sua barriga para carregar e dar à luz. Recebe dela os ovinhos fecundados e já está, fica barrigudo. Não se conhece mais nenhum macho a fazê-lo.

Meu rapaz, diz-me então com suavidade “se soubesses que seria assim terias filhos na mesma?”, pergunta difícil mas pertinente, muito pertinente. A resposta (original) foi “nim! Teria sim um filho, não mais. A barra é demasiado pesada para sequer entender quem tenha 16 filhos. Arrasto a responsibilidade de poder gerar vida neste meu corpo, mas pago um preço elevadíssimo”.

O meu traseiro, sei-o agora andava meio desconfiada da sua função além da biológica, serve de estrutura sustentável para todo o peso. Como é que não haverá de crescer? Digam-me lá. E quem diz que é proporcional? Hein?

É passageiro dizem-me as mulheres, um passageiro que no mínimo o último trimestre leva-nos a mal-dizer muitas coisas.

Um amigo dizia esta noite “então Passada estás bem?”
Respondi “Estou sim, e tu?”
Amigo “Eu não estou grávido!!!”

Não se apoquentem, as mulheres que me vão lendo porque isto é passageiro, uma passagem para a outra margem.

sábado, janeiro 14, 2006

Meu 1º roubo e a febre tifóide

Foi à mão armada e levaram-me um carro, inteiro. O 2º e o 3º não falarei, porque do primeiro já poucos acreditavam (isto em portugal, por estas bandas sabe-se...).

O estado de gravidez leva-nos a muitas sensações, umas estranhas outras surrealistas ou ainda do tipo “credo, será que acabei de pensar nisto? Desta forma?” não, não é possível.

Mas há dias, estava eu em plena hora de- filha tira lá o pé da costela que está a doer – quando me lembrei do primeiro carro que me foi roubado à mão armada, o que senti e as condiões em que aconteceu.

Meu pai preparava-se para regressar à sua terra após loooooongos anos de Maputo, quando a dois ou trés dias de eu o levar para Jhb, me dirijo a casa duma amiga para ir tomar um café e tudo se passou.

Eram nove da noite, eu tinha uns verdes 27 anos solteira e boa rapariga. Ao chegar ao estacionamento da casa da minha amiga, meto o carro de rabo, motor ligado (ainda não tínhamos celulares a funcionar) à espera que ela descesse. A seguir foram uns acontecimentos rápidos, duros, agressivos e bem reais.

O estacionamento só tinha uma saída possível, onde eu me encontrava pronta para arrancar assim que ela entrasse. Não havia muito movimento, um guarda velhote sentado à porta a guardar não sei bem o quê, uns escassos transeuntes e uma zona que ainda hoje serve de barreira entre os “têm” e os “não têm”. Eu não tinha reparado qua a minha amiga estava já em baixo à volta do 4x4 do pai dela a fazer não sei o quê.

No momento exacto em que destranco o carro, qual central locking que abre as portas todas, entra um carro escuro de frente para o meu com 4 homens cresciditos, ar de “feios, porcos e maus”, quando um entra logo para o lugar do morto e o outro, o do meu lado se aproxima de mim a passos rápidos empunhando uma não sei o quê de calibre que faz um som, que foi das poucas coisas que me ficaram na memória como trauma – o de carregar a arma. Um som gélido e que provocou a maior descarga de adrenalina que alguma vez tive em toda a minha vida. Era uma arma prateada.

Congelei e apercebi-me da seriedade do acto. É nessa altura em que a minha amiga grita pelo meu nome, não sabendo bem o que se passava e a arma até aqui virada à minha cabeça (neste momento não interessa bem onde já que ao ser disparada, morreria de certeza) e eu vejo a arma a virar-se para ela. Encontrava-se a uma distância de cerca de 20 metros. Entrou segundo pânico, vai atirar à minha amiga já que este foi um acontecimento inesperado e normalmente provoca receio ou medo nos ladrões.

Tive medo pelo primeira vez, eles não podiam atirar nela, que não tinha nada a haver com o assunto, se houvesse feridos que fosse eu. Ocorreu-me mexer na chave do carro para tentar desviar a atenção do que tinha poder naquele momento e resultou na perfeição. O rapaz esqueceu a minha amiga, agarrou-me no meu braço e arrancou-me assim mesmo do carro, para fora. Meu único ferimento – uma nódoa negra no braço dumas mãos pesadas, enormes.

Ao levantar-me do chão, olho para a minha amiga e confirmar que estava bem, mas não tinha ouvido tiro nenhum, começa neste momento o meu sangue a esfriar e as pernas a tremer.

Eles, com o carro arrancaram convictos, mais ricos. Eu, levantei-me e ainda corri atrás do carro pela estrada fora. Talvez o acto mais desesperante e de choque que podia ter.

Quando paro e apercebo-me que o carro inteiro foi, só me circulava na mente a grande sorte de não haver sangue em lado nenhum e em ninguém.

O resto da noite foi o pesar de ter que informar o sucedido a um pai, subir 11 andares duas vezes e ir à polícia para declarar o acontecido. Nada e nenhum dos segundos seguintes fizeram melhorar o sentimento de ódio.

Arrancaram-me um carro à força, mas não a vida. Foi o saber que me levaram o carro não para alimentar nenhuma criança mas sim uma rede de peças ou de venda de carros (que raio interessa???) e a estranhíssima lição aprendida – bens materiais perderam por completo o seu sentido, o seu valor.

A vulnerabilidade duma mulher neste mundo cão é muitas vezes assim lembrada. No caso dos homens penso será pior já que os ladrões não correm riscos – atiram. Não melhora.

O 2º e o 3º já foram marcados por uma frieza e experiência, muito necessária para se sair ileso. A única lição aprendida. Quais centros de apoio à vítima, traumas embrenhados mas nunca esquecidos.

Se serve de consolo para os mais descrentes, maior trauma não existe do que apanhar uma frebre tifóide. Condição que me levou uns

meses a recuperar e onde ainda hoje, passados anos se faz sentir no organismo.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Falemos de virgindade, não a santa!

Tenho do meu lado uma 4 patas, que me gaba a cada segundo que passa, não, fascina, pela sua forma de comunicar comigo, que até ordens em contrário faço parte da espécie humana. A Zaka, para os que me vão lendo sabem, é a minha cadela - uma mistura entre Xitsu e Maltês - tem laivos demasiado sensíveis, um instinto demasiado canino (adora qualquer ave!)e uma postura demasiado exigente, qual criança mimada.

Ela tem 1 ano e 3 meses. Entrou no seu terceiro cio há dias e eu que nem uma mãe galinha e preocupada com o seu estatuto materno, lá me preocupei (porque os veternários dize-me que deve fazer pelo menos uma ninhada para evitar cancros blá, blá, blá)em primeiro arranjar um namorado, per si estranho já que não é ela a escolher e segundo dar-me ao trabalho de a levar todos os dias ao namorado, também estranho já que a rapariga vai de BMW(com 15 anos mas é BMW)namorar!!

Ela tem mais de Xitsu do que de maltês e tivemos a sorte de encontrar as características que eu pretendo puxar, que são as das Xitsu. Até aqui tudo bem.

O namorado, um verdadeiro gentleman, mais gordo e perguiçoso, vive numa verdadeira mansão onde co-habitam também papagaios, outros cães mais raivosos e presos (leões da rodésia) e um cágado. É o King, o namorado dela que no entanto tem previlégios acrescidos, tipo fazer xixi dentro de casa e gozar de mimos de mãe-humana. Bem parecido e de boas famílias, foi o escolhido.

Como não há bela sem senão, o King "era" virgem e com recalques traumatizados de uma mãe-humana que ao ver o rapaz a crescer, se atirava demasiado aos peluches da filha, reprimiu tanto, que o rapaz não sabia o que fazer com a minha Zaka. Nice.

A minha Zaka, tem um outro fundo: é desportiva (muito), altamente eléctrica, sem paciência (a não ser para mimos e onde ela quer), meiga e ela, ao contrário do King, nunca se virou para os peluches (apesar de muitos), mas sempre ao meu braço ou perna. A sua sexualidade nata foi algo diferente.

O engraçado desta conversa toda (vejam bem que anima escrever imenso sobre a virgindade da minha Zaka!!!)é que a minha Zaka, andou os primeiros 3 dias literalmente a ensinar ao King como é que se fazia, o que é que era pretendido do King, qual a sua função e no meio de tudo isto a Zaka tinha tempo para ir descobrir o palacete (ela nasceu mesmo free), chatear os papagaios que iam dizendo "oláááá", tentar empurrar o cágado para a água, exigir festas dos humanóides e conhecer as feras que se encontram presas.

Ao 4 dia de namoro, 20lts de gasolina super à parte, horas de conversa com a mãe-humana do King, o rapaz lá se encheu de coragem e zás - tirou a virgindade da minha Zakita, num abrir e fechar de olhos. Eu, atenta, a achar imensa piada e esperançada da ninhada que aí virá (ao mesmo tempo que a minha própria filha irá nascer), esqueci-me do pequeno pormenor pós-coito-canino: ficam presos!!!!!

O problema é que havia duas crianças de 7 anos por perto, mas também e igualmente importante o PÂNICO efectivo e choroso da minha Zaka. Ela não gostou NADA desse formato "colado" de no mínimo 7 minutos. NADA mesmo. Chorou imenso e tive que literalmente acalmá-la (tinham que ver....para crer). O King teve a reacção engraçada de TRANSE.

Por outras, o rapaz fartou-se de gostar d eir à lua e voltar, e a minha Zakita nicles, não achou piada nenhuma, é que eu acho que ela não foi à lua!

À segunda volta, pensava eu que a minha 4 patas se lembraria (foram apenas 15 minutos depois) do pós-coito-canino, mas para mal dos meus pecados nada e desta vez ela atacou o King com ferocidade. Tipo:

"Trata lá da saúde mas DESGRUDA!"

Veio-me então à mente todas aquelas fêmeas, que após coito ou matam, comem ou arrumam o marido, definitivamente.

Conclusão de tudo isto, ao voltar para casa, olhava eu para a minha Zaka, ela para mim e o certo é que ela perdeu a virgindade e saltava uma olhar maduro, de fêmea crescida "oh mãe, isto é natural..."

aaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

sábado, dezembro 24, 2005

Para ti Pai, um bom natal, porque não estás perto.

Sabes, eu conheci-te ainda eu não tinha nascido. Já eu vinha a caminho deste tão estranho mundo e ao sair da barriga da minha mãe eu tinha como presente de chegada um pai.

Esse pai, este pai é especial, muito especial. Começou esta aventura de ser tua filha (acredita que não é uma tarefa lá muito fácil...) quando sofrega por vida começo a respirar e a olhar à volta sem perceber “patavina” onde estava e o que aqui vinha eu fazer. Logo aqui passaste-me tu um gene teu muito característico – o de amar a vida. Este gene que veio marcar o passo e fazer o meu caminho 35 anos depois, até hoje sigo à risca este amor, esta paixão pela vida. Que afinal é também tua.

Mais tarde, muito provavelmente reconheci, sem o saber, os braços fortes confortantes e seguros do meu pai, os teus braços. O teu carinho e total “baba” de ser menina, rechonchuda, cor-de-rosa e mais-nãosei-o-quê, que definia a tua alegria de teres uma rapariga como filha. Também aqui e logo desde o início definiste todo um caminho de exigência enorme como que por devolução do teu enorme amor por este babby, que foi a menina dos teus olhos. Visível nas correcções sejam de gramática, ortográficas ou de carácter. Ainda hoje.

Mais tarde ainda, já andava pelos meus próprios pés e em visita a um jardim zoológico, se a memória não me falha em Joanesburgo, tiraste uma fotografia a um orangotango e dedicaste umas palavritas simpáticas atrás – “ a passada quando fica amuada é parecida com o orangotango”. Na altura claro, nada entendi. Hoje, e de novo quiça sem tu próprio te aperceberes, viste com os teus próprios olhos mais uma especificidade desta tua filha, talvez das maiores e mais marcantes – a injustiça. Na altura se calhar confundida com birra, mais tarde um vínculo estreito com esta relação do justo pelo mundo fora homens e animais. A mais pequena formiga tinha o seu espaço nas minhas passadas – “cuidado pai, não pises a formiga...”. Need I say more?

Isto é um blog, isto é uma prenda de natal – não posso alrgar muito, até porque não chega por vezes o espaço físico mas sim o temporal para mostrar-mos o amor, o carinho e o afecto por um pai.

Mas preciso falar na música, essa grande professora da vida que tive e grandemente responsável por manter o meu equilíbrio naquela fase tão esquisita dos seres humanos – a adolescência. Inúmeras viagens nossas, de carro ou outro meio de transporte, esteve sempre presente a música. Ou porque cantavamos juntos em aparelhagem Blaupunkt (como é que se escreve mesmo?) ou porque me enfiavas os auscultadores no avião ou simplesmente cantavamos em águas turbulentas, no carro um Frank Sinatra ou o “Old Macdonalds had a farm...”. Como eu queria tanto esses animais e quinta. A liberdade.

Alicersaste todo o meu ser, com o caminho que percorri contigo e fez de mim (espero eu) uma filha que te orgulhes de ter, mas o mais importante foi o ter vindo para este mundo e receber de prenda um pai como tu. Não te trocaria por nenhum outro, mesmo que oferecido por Aladin ou uma bandeja de estanho.

Gosto de ti assim mesmo como és, trapalhão, vivo, inteligente, chato, com humor (bonitão ao que dizem eh,eh), exigente, carinhoso, bom condutor, aventureiro, pronto a assumir riscos e decisões, independente, conversador, humano, com gosto.

Já caiu a lágrimazita?

Estás em cada pôr-de-sol, em cada onda do Índico que me traz o sul, em cada folha, em cada rosto, em cada lágrima ou sorriso, em cada pai que existe no mundo, em cada árvore ou pétala, em cada sonho ou palavra, em cada segundo de vida que eu respiro porque és o meu pai e és uma pai que qualquer filho deste mundo adoraria ter. Porque te tenho e tenho essa sorte. Essa é a melhor prenda que eu posso ter.

Um bom natal para ti desta tua filha que te ama muito e não te esquece nunca.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Quando a felicidade se vê em:

50kgs de farinha de milho
20kgs de amendoim
20kgs de feijão nhemba
30kgs de arroz
15lts de óleo
12 barras de sabão
1cx de maggi galinha
6latas de atum
12pacotes bolacha maria
12latas de leite condensado
6kgs de sal grosso
2latas de "JAM" família
12kgs de açucar castanho
12sabonetes "gueisha"
1lata de leite Nido
2pacotes de chá "five roses"
10 velas

Aproveito para desejar a todos, sem excepção um excelente natal, uma entrada em 2006 cheia de energia positiva, boas intenções, pouco cinismos e muita alegria.

Um abraço a todos e se alguém aí por esse mundo se sentir só.....façam um filho!!!! :)

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Honoris Causa - Marcelino dos Santos

Não posso ser erudita nesta tema. Por muitas razões, mas uma delas releva-me à minha própria entrevista com este monstro da política, das independências, da esquerda persistente, há uns anos em que gastei 3 cassetes de 90 minutos com ele e onde, me faltou a total capacidade de as transcrever para umas parcas 4 folhas em A5.

Assisti no dia 14 de Dezembro de 2005, das cerimónias solenes mais simples, bonitas e derradeiras. Para quem conhece a história de Moçambique (pouco que seja), a pessoa em causa, terá de saber que apesar de tudo é uma homenagem atempada e justa.

Foi atribuído o título de Causa Honoris em ciências Políticas a Marcelino dos Santos, e nessa noite o seu Padrinho proferiu um texto absolutamente delicioso, só possível quando se tem um "subject" com o caminho do Marcelino, deliciando-me totalmente com a beleza que as palavras podem ter. É que tenho andado meio esquecida, meia culpa.

Marcelino estava verdadeiramente emocionado...mas tão intrínseco que está nele, não resistiu a proferir as suas palavras politizadas, mas no final da noite já no jantar tivemos o previlégio de ver em representação cantada, clamada e dançada versos da sua poesia que é de facto arrancada de um ventre muito africano. Pode-se atribuir um discurso versado, encontrar até a política mas é na sua poesia que se pode sentir o seu coração, a sua mágoa e dor de poeta dum homem que cresce num país convulsivo, saído de umas brumas para entrar noutras. É na sua poesia que vejo o grande potencial mas acima de tudo a grande paixão que este homem transpira pela sua terra, pela ligação maternal, pela árvore, pela cultura, pela dureza que foi ter crescido nesta terra "Moça".

Marcelino aguentou-se sem adormecer (tenho visto algumas sonecas porque é natural), pasmo com tanta dedicação e foi nessa noite que os que tinham dúvidas da sua total liberada palavra, ficaram claro com alguma inveja desse poder adquirido.

Não me vou esticar muito no seu caminho, mas é preciso lembrar que a sua importância, o seu caminho não se resume a Moçambique, juntamente com Amílcar Cabral e Agostinho Neto, este homem foi dos maiores responsáveis pelas independências africanas. O pós é que já é outra conversa.

Como foi bonito ver a reacção familiar, perfeitamente babada.

Este é um homem que pertence a Moçambique e não vale a pena reclamar o contrário, estará a enganár-se a si próprio. Eu sei que o Marcelino será o grande homem político de Moçambique, o homem de Moçambique e um dia em que ele não esteja mais entre nós será então descoberto o tanto que ainda não foi posto em palavras. URGE escrever sobre este rapaz, bibliográficamente.

Quando entrevistei Marcelino, tive o previlégio de ter este senhor da palavra a fazer-me passear pelo ponto de partida - Moçambique - levou-me a todos os cantos do mundo e fez-me voltar ao ponto de partida. Não perdeu por um único momento o fio da conversa, o sentido da conversa e não é qualquer pessoa que consegue esse tipo de concentração com 270 minutos de conversa.

Amado e odiado este rapaz do norte de Moçambique já fez história (nem sempre boa ou positiva) e pasmem-se continua a fazer. Vemos incursões suas nos meios de comunicação que só ele sabe fazer, vemos posturas que só daqui a 20 anos é que se vão perceber ou entender e com isto tudo continua a espalhar simpatia e um sorriso invejável e ele tem talvez dos maiores previlégios, uma mãe centenária que viva, partilha aqueles que são os bons momentos de um filho.

Não é desinteresse! Acreditem

É que dou por mim, a pensar, a viver, a sonhar, a sentir, a falar, a querer, a respirar uma gravidez. E nada nunca na minha vida me espantou tanto quanto a forma como o meu corpo se adapta literalmente a um balão que sobe, sobe.

Estou quase com sete meses dela, as opiniões externas (ao meu corpo e ao meu ser) são as de que estou pequenina, não parecendo estar já tão avançada, mas o certo é que ela - a barriga está enorme para o meu raso corpo. O tanas, isto já pesa nos meus pézinhos que mais parecem aqueles das princesas japonesas que lhes são ligados em terna idade para ficarem pequeninos, a aguentarem os 7kgs que já tenho a mais e sinceramente não imagino como me aguentaria se fossem apenas kilos de comida extra. É que não dá. Há dias viajei de avião e a minha barriguita manteve-se tão "low profile" que não usufrui dos benefício da barriguda, ninguém topou que estava de estado!!!! Hilariante, uma barriga passar despercebida.

Faço desporto diário, uma hora no tapete e exercísios de grávida, bebo muita água e como sem exageros. Foge-me aqueles apetites estranhos, não os tive e penso que não os terei. Raios, gostava tanto de ver o meu rapaz a sair de casa com meio olho aberto tipo às 04am à procura de um pedaço de cacto para comer e preencher o apetite. Mas nada.

O tempo fugiu-me e apesar de achar que isto da barriga, salvaguardando a delicia dos movimentos da catraia - é por demais pesado e duro (acreditem) porque incomóda, porque chateia o sono, porque nos faz crescer abruptamente, porque deixamos de usar os aneis e o relógio, as roupas, não deixa respirar (já vos falei nas costelas que me passaram para as costas né?) - sei que terei imensas saudades de carregar esta vida, que neste momento é só minha, toda minha carregadíssima de egoísmo. Sairá e seguirá o seu curso ciclíco natural.

Dou por mim a olhar para potenciais rapazes que EU SEI não serão boa companhia, nada trarão de acréscimo para o crescimento do ser da minha catraia e tento ainda antes do nascimento algum refreio, porque ela não é minha, não me pertence e terá o seu próprio caminho.

Hoje vejo bem o pesadelo que devo ter sido para os meus pais. No bom e no mau, um verdadeiro "aceitem como sou por favor e deixem-me crescer".

Dou por mim, mãe, dou por mim uma perfeita leôa pronta a dar a minha vida por esta.

Dou por mim com uma calma impensável para o meu carácter, o speed mental sempre foi algo com que batalhei a sério para se enquadrar nesta sociedade, no meio, nas pessoas. Agora muito calma e cada vez menos preocupada com superficicialidades (o que já era um problema grave....neste mundo), descobrindo todo um novo caminho que me nasce de um novo ser, não a minha filha mas eu. Vamos ver o que sobra de mim. Para já continuo a querer mergulhar junto de um great white, apenas uma das minhas paixões.

E no meio desta perfeita convulsão - tenho que manter a minha empresa, continuar a ser normal, gerar lucro, pagar os impostos, os ordenados e manter um ar "desculpe grávida não é inválida, posso continuar com a labuta". Descubro que este mundo não oferece grandes condições para este estado apesar de em termos médicos a coisa hoje está bem facilitada.

A minha Zaka, a cadela que mais me impressionou até hoje (adora ver o animal planet e o national geographic!!!), já se apercebe da barriga, comunica comigo, encosta-se, enrola-se lá me vai dizendo com uma subtileza estranhamente inteligente e emocional para eu não a esquecer, acho que vai proteger demasiado a minha filhota e adoptá-la como sua, já que ela maternalmente ainda não fez a sua.

Por fim sei porque cá ando. Pairava no ar alguma dúvida de sentido, só a cultura o crescimento interno, o desenvolvimento não estava a chegar e encontro finalmente algo que me sacia, mas também sei que chegará o momento em que terei retomar o meu próprio caminho recheado de experiência, de conhecimento, de pessoas, de cultura. Agora com uma asita a cobrir um outro caminho até que ela, a filhota inicie o seu próprio. Apenas posso emprestar a esperança e o guia, o resto ela terá de desbravar.

Passar-lhe o gosto pelo conhecimento e emprestar-lhe a paixão que eu própria tenho pela vida será dos meus maiores sucessos. Sim porque esta vida sem paixão, verdadeira paixão pelo mais pequeno ser, o menos sentido sentimento, a mais iluminada cor, carece de senso, de humanidade, de inteligência e do sentir.

Dedico este vagar mental ao JPT que há dias me disse da falta dos meus textos "já sentimos falta" e devolvendo-me assim a sede.

quinta-feira, novembro 03, 2005

WC ou Toilette ou Casa de Banho

A barriga continua a crescer, crescer, crescer. Nunca estive tão gorda na minha vida, mas também nunca antes tive uma passadita a crescer assim. Houve uma tentativa anterior no ano passado, mas acabei por perder naturalmente. Idade, muita pressão, muitods problemas deram nisso. Mas vamos ao tema de base.

Entre outras coisas que uma mulher deixa pura e simplesmente de fazer, porquetemos uma barriga a crescer, uma existe que não cessa mas aumenta. As idas ao WC.

Caso particular, embarassant-se e até foi na ida ao Kruger fim de semana passado, fazer uma volta nocturna de 3 horas. 3HORAS!!!! Sem ir ao WC, nem pensar. Fazer o quê (agora sei, leva-se uma garrafita e desenrasca-se...), e quando vejo o guia entrar no 4x4 com uma espingarda descansei um pouco, antes o bicho que eu. Apesar de no caso dele estar só à procura de comida ou a defender o seu.

Antes de arrancar, fui e fui, fui e fui ao WC do portão tantas vezes para não deixar lá nada, mas sabem um coisa? Nada valeu senão por uma horita e já apertada. As outras duas foram literalmente a mudar de posição, abrir pernas, esticar pernas para cima (isto com chuva pelo meio, pois), torcer a espinha, exercícios de espinha e postura. Até que num troço de areia, com mato cerrado, sem sombra de vento este cenário conseguiu distrair-me de tal maneira que lá consegui esquecer a vontade. Só vimos coelhos mas a paisagem foi algo que não esperava encontrar no Kruger, mata cerrada com um caminho pelo meio, qual quadro tirado de um filme de terror. Mas lindíssimo.

Conclusão: mulher barriguda não pode nada fazer sem ir persistentemente ao WC. É que somos duas literalmente a mijar.

Leopardo único

Como podem ter verificado no post anterior, sou uma incuravel amante da natureza.

Vivo em África já há muitos anos, sítio propício para se ver alguma bicharada, mas o leopardo foi até o fim de semana passado o único que não tinha ainda visto.

Chegados ao hotel, jantamos, descansamos e esperamos pelo dia seguinte. O tal do passeio há noite pelo Kruger.

O cenário estava mais do que preparado para mais um momento que só África me poderia dar. Assim que chegámos ao Gate de Malelane ia eu a caminho do WC (umas 500 mil vezes antes porque durante as 3 horas seguintes nem pensar em tirar a bunda do carro), ali estava a uns 20 metros (sem exagero e sem protecções) um elefante que nos cumprimentou deitando uma micaia abaixo, comer, olhar para nós e seguir caminho. Pronúncio!

Manada de búfalos, mais elefantes, rinocerontes e a noite já tinha caído. Andávamos de lanternas ou holofotes, chuva, raincoats e uma excelente boa vontade. É preciso gostar. Nada vimos próximas hora e meia.

Já de regresso, voltamos a pisar alcatrão e eis senão quando um leopardo, solitário atravessa o nosso carro, devagar seguro e aparentemente muito chateado. Não quis saber de nós para nada, comportamento estranho. Sabemos todos que este bicho lindíssimo é extremamente ilusivo.

Acabamos por parar para o ver seguir caminho até perder de vista este previlégio.

Passados 20 metros ou 30, apanhamos a razão de tanto desgosto do leopardo: uma hiena fêmea com a presa na boca. Todos sabemos que este bicho não caça, persegue os gatos e vai lá roubar.

Mas o que mais me impressionou, à luz do 4x4 foi ver estes maxilares mal cheirosos a carregarem uma gazela cerca de 1 km para ir ter com o marido e a ninhada, para simplesmente se por a comer tudo, sozinha e não deixar nem filhos nem marido sequer chegar perto.

Foi um espectáculo único com um leopardo único e uma hiena fêmea que me chateou pela sua natureza.

Voltamos para o hotel esgotados, satisfeitos com o que vimos e com vontade de vir um dia a ver uma caçada de leões a tratarem da sua barriguita.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Touch Nature

O desenvolvimento preciso, a cultura faz-me respirar, a comida dá-me gaz, os humanos apaixonam-me e fazem-me questionar mas a natureza faz-me viver.

Já não saio há muito e este fim de semana lá nos decidimos a vestir uns calçoes, bem informal do nosso dia-a-dia-tão-formal e fazer uma passeata de noite pelo Kruger Park. Para os que não sabem, é a melhor altura não só para ver os animais mas também de possivelmente apanhar uma caçada de leões ou guerra territorial entre estes e as hienas. Matar e não comer, só marcar pontos.

Elefantes, rinocerontes, bufalos, impalas, zebras, girafas quem sabe o tão ilusivo leopardo são apenas algumas das espécies que iremos ver, encontrar.

O melhor talvez a perspectiva de estar a almoçar numa varanda imensa, de madeira a arranhar o rústico sofisticado no meio do mato, é a ideia de estar a almoçar um bife de vaca e ver uma manada de elefantes a passar a 200 metros de distância. Só vê-los, a ser, não incomodados quiça puxados pelo cheiro do "grill". è preciso lembrar que os animais do Kruger Park estão "habituados" aos humanos, à nossa presença. Mas não se cheguem muito perto.

Já aqui gastei algumas linhas em posts anteriores sobre esta reserva mas nunca é demais lembrar o bem que faz quando lá vou. Porque estou enfiada numa cidade e é assim que tem de ser se não quiser ser mordida por uma viúva negra ou mamba.

Mas existe em nós um certo esquecimento, natural, relativo à nossa própria origem (aqui andamos ainda hoje a tentar saber), mas que pelo menos do meu lado não restam dúvidas é da natureza. E sabe sempre tão bem lá voltar.

O silêncio, a paz, a lei, a beleza, a organização, o cheiro. A natureza tem a sua comunicação e percebe quem não a teme. Implacavel a natureza é quem dita o nosso futuro. Podemos tentar enganá-la, destruí-la, desviar a sua atenção e observação mas nunca, nunca vencê-la. Essa a maravilha, o homem não controla este factor - que nos rodeia, que nos marca passo, que nos desenvolve.

É tão básico e a maravilha está aí mesmo. Conseguimos respeitar outro ser humano quando aprender-mos a respeitar a natureza, a sua génese, o nosso genoma.

Bom fim de semana a todos é o que eu e a minha mini-rapariga desejamos a todos.

PS - eu não queria tocar em política mas o que foi dito ontem pelo presidente do Irão é inicio duma telenovela que prevejo venha a ser uma peça de teatro mundial com diálogos sangrentos. Ainda não entendi porque é que não existem reguladores, tribunais da religião já que esta tem sido desde sempre um dos maiores responsáveis por tantas mortes sem sentido. É que a religião não é um sentido, é um estado e está quem quer. Porra!

quinta-feira, outubro 20, 2005

Grávida - Mudança 6 Final

Mudei, pronto. Muito, tudo. Temos uma alteração fenomenal - a sensibilidade, o sexto sentido. Parece que antecipo alguns acontecimentos e nem sequer sei.

A minha criança fez-me sentir durante algumas vezes gases. Mas gases estes (não se riam ok) que não saiam, nem cima nem baixo. Passado algum tempo apercebi-me que era ela que se mexia e que não tinha nada a haver com gases. Cheguei até a comentar com o meu rapaz "Olha lá existem gases que não são gases?" - podem calcular a resposta, vinda de um rapaz e tudo. Assim descubro que o mexer dela provoca uma idazita ao WC porque aperta a bexiga e que nos dá uma sensação gasosa!

quarta-feira, outubro 19, 2005

Amniosintese

Este foi decididamente o exame clínico mais esquisito que alguma vez fiz na minha vida. Porquê?

Vejamos: espetam-nos uma agulha fina, tamanho família lá mesmo onde se encontra a nossa cria, tudo isto para retirar líquido amniótico e a partir deste ficarmos a saber que a nossa cria não sofre de deformações congénitas, espinha bífida, síndroma de down e por aí fora. Descobri com algum espanto que é um teste de longa data, 1822.

O médico apalpa a zona, afasta a cria com a ecografia e lá vamos vendo onde a agulha entra, como entra etc. No meu caso a minha rapariga assim que a agulha entrou no seu território deu-lhe uma patada. Já gosto dela. E sim também descobrimos que é uma menina, isto pela contagem cromossomática.

Pedi imensas desculpas à minha criança por tamanha invasão apenas para me aperceber que terei de ter uma muito maior coragem para futuros eventuais problemas clínicos.

Totalmente indolor, dependendo dos médicos, mas no meu caso não doeu nada e o pesadelo restringe-se à nossa cabeça e a uma eventual negligência médica ou eventual infecção uterina que possa provocar o aborto e perdermos o baby.

A seguir vem o pior, e o médico diz-nos "Passada, expect my phone call (com aquela frieza saxónica...) and it can be anything from, ok or not ok in the next 10 to 14 days!!!!" - YA. OK. Not good. Not ok querendo dizer que teremos de tirar o bébé.

Momento profundamente intensos, impartilháveis (isto existe?), mudos, ansiosos e loucos.

Cada um gere a tecnologia de informaçãocomo quer, como sabe e como consegue. Estórias ouvi por aqui em que logo a seguir se perde o norte, o sul, este e oeste. Apesar de eu ser uma maricas, parece que fui bastante forte, normal e a única coisa que aumentou foi a minha tensão.

Finaliza assim - "Passada, you see there is enough liquid for the baby to carry on. Go home and relax. Just advise (isto 400kms depois no mesmo dia do exame, teste este que não é feito em Maputo e tivemos que ir a Nelspruit) if you feel any cramps or blood!!!!"

AAAAAAAAgggggggggghhhhhhhhhh. Uff......

Uma semana depois, não os 14 dias recebo a seguinte mensagem no meu cell.

-"Hello Passada, hum everything seems to fine, but I guess we will talk later"

-"Yes, Hi doc, everything fine, is it a baby girl, no down síndrome, all her legs are there........." - debitei a informação toda que já tinha retirado da www, algo que deve chatear opu não os doc's.

-"Calm down (yeah right), all ok and do you want to know the baby's sex?"

-"Duhhhh"

quarta-feira, setembro 21, 2005

Aaaaaaaaaah, o calor veio

Andavamos mesmo distraídos com temperaturas amenas, frescas de casaquinho até. Hoje chegou-nos a bafurada não anunciada e já esquecida por longas horas, fazendo-nos transpirar apenas porque paramos o carro 2 minutos.

Embarriguei no calor, agora é que vão ser elas!!!

terça-feira, setembro 20, 2005

Grávida - Mudança 5

Esta mudança que a seguir vos falozzzzzzzzzzzz

é uma estranha forma de me manter acordadazzzzzzzzzz

funcional, alerta e com vontade de trabalharzzzzzzzzzzzzzzzzzz

"hum, que dia é hojezzzzzzzzzzzzzzzzzzz?"

"uuaa, bom diazzzzzzzzzzzzz"

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

domingo, setembro 18, 2005

Grávida - Mudança 4

Pois, tudo muda. Especialmente o nosso corpo.

E eu não serei diferente da norma. Se há coisa que sou é normal. Ou melhor normalizada, pelo menos assim posso sempre culpar um pouco o molde social a que nos encaixamos.

Pela primeira vez, fora as hormonas da adolescência, tenho pneus. Daqueles laterais. O meu estômago parece que anda constantemente gasoso, os peitos (destes não falarei por óbvio pudor mas agora compreendo porque tantas mulheres gostam de andar grávidas - que horror as mulheres gostam de sexo!!!), a retenção e o que me faz andar muito noite e dia - WC!

Até parece que não é natural e que não fomos feitas para este "estado", mas o certo é que aguentamos isto e muito mais. As hormonas meus caros são as grandes responsáveis pela sobrevivência. E depois se não formos nós quem viria a ter estas crianças todas desta nossa raça? Os homens? Já pensei o que seria se pussessemos ovos e andássemos a chocá-los por nove meses. Engraçado não?

Isto não é um sacrifício, nem é uma pêra doce. Apenas bonito e parte de um maior plano destinado que nenhum de nós nunca o saberá - homens e mulheres.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Engordar não é fácil

Parece estranho, mas tem muito de verdade.

Depois da vinda da médica, ver a minha criança a dançar o "La Cucaracha" - segundo a opinião dos meus enteados - verificar que está tudo ok, crescimento aparentemente normal, chegada foi a derradeira conclusão:

"No mínimo tens de engordar 500grs por semana, o que dá cerca de 11kgs até ao final".

Até aqui tudo bem, o pior é que a minha rapariga (já lhe chamo de menina) prefere dançar a comer.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Grávida - Mudança 3

O que sonhamos é digno de análises Freudianas. Acreditem.

Entre outros mais ou menos estranhos o mais caricato sonho que tive, e ainda faltam alguns meses, foi um que me fez acordar com estranhas sensações de ter baratas a passearem pela minha boca. Levantei-me, segui caminho até à cozinha, trouxe uma lanterna e disse para o meu rapaz "não te preocupes, estou só a ver se aqui andam baratas!"

Meio frustrada porque nada encontrei, algo confusa pelo realismo do sonho adormeço desconfiada muito desconfiada.

Desde essa noite a lanterna, está mesmo ao meu lado na mesa de cabeceira - just in case.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Disseram-me isto há 4 anos

"Sabes que para teu unguento, te posso contar que a tua geração sendo produto de convulsões sociais, dramáticas em alguns casos - Angola - abalos sismicos emocionais, facções, casas trocadas, novos países, novas casas, novos e ex-amigos recentes, novas e múltiplas famílias de faz de conta, novas línguas, origens desenraizadas, adaptações e desadaptações, solidão e mais solidão mas, ........ mais não estás a fazer que demonstrar a tua competência diria mesmo a tua especialidade em surfar no caos mantendo um charme de estabilidade, digno de qualquer narrador de estórias... (foste infelizmente treinada para isto!)

Como diria o poeta "...se eu vim ao mundo foi só para desenhar meus próprios passos na areia inexplorada e o mais que eu faça não vale nada..."

Tenho muito respeito e solidariedade pela tua força e acho-te uma caixinha de dor e de "tusa" nessa cabeça, mas também de imaginação e cansaço;

sabes que estás agora em ponto de rebuçado para seres Mãe?

RC

ps - vem agora a calhar

terça-feira, setembro 13, 2005

Grávida - Mudança 2

Creeeeeeeeeedo, dá-se vida dentro da minha própria vida.

As correntes

O Inc do Zero à Esquerda provocou-me com esta. Não sou nada de correntes, nunca o fui por impossibilidade de uma vida algo nómada que tive. Nem clubista, salvo o meu sporting claro. Mas porque foi o Inc que me pediu aquivão as respostas com duas pequenas variações:

1. As duas últimas questões - Albuns e músicas - faço do gosto do Inc o meu sem alterar uma vírgula. Gosto muito de música e de muita música fica complicado escolher. Assim as escolhas do Inc são todas boas.

2. Vou quebrar a corrente aqui, se quiserem podem insultar-me.


O que gosto +

Vida
Cultura / pessoas
Viajar
Animais / natureza
Música

O que gosto -

Maquievel
Violência (seja de que forma)
Guerra
Vício (mesmo o meu de fumar)
Descriminação

Aqui termino com o agradecimento ao Inc, e até à regresso.

:)