quinta-feira, janeiro 05, 2006

Falemos de virgindade, não a santa!

Tenho do meu lado uma 4 patas, que me gaba a cada segundo que passa, não, fascina, pela sua forma de comunicar comigo, que até ordens em contrário faço parte da espécie humana. A Zaka, para os que me vão lendo sabem, é a minha cadela - uma mistura entre Xitsu e Maltês - tem laivos demasiado sensíveis, um instinto demasiado canino (adora qualquer ave!)e uma postura demasiado exigente, qual criança mimada.

Ela tem 1 ano e 3 meses. Entrou no seu terceiro cio há dias e eu que nem uma mãe galinha e preocupada com o seu estatuto materno, lá me preocupei (porque os veternários dize-me que deve fazer pelo menos uma ninhada para evitar cancros blá, blá, blá)em primeiro arranjar um namorado, per si estranho já que não é ela a escolher e segundo dar-me ao trabalho de a levar todos os dias ao namorado, também estranho já que a rapariga vai de BMW(com 15 anos mas é BMW)namorar!!

Ela tem mais de Xitsu do que de maltês e tivemos a sorte de encontrar as características que eu pretendo puxar, que são as das Xitsu. Até aqui tudo bem.

O namorado, um verdadeiro gentleman, mais gordo e perguiçoso, vive numa verdadeira mansão onde co-habitam também papagaios, outros cães mais raivosos e presos (leões da rodésia) e um cágado. É o King, o namorado dela que no entanto tem previlégios acrescidos, tipo fazer xixi dentro de casa e gozar de mimos de mãe-humana. Bem parecido e de boas famílias, foi o escolhido.

Como não há bela sem senão, o King "era" virgem e com recalques traumatizados de uma mãe-humana que ao ver o rapaz a crescer, se atirava demasiado aos peluches da filha, reprimiu tanto, que o rapaz não sabia o que fazer com a minha Zaka. Nice.

A minha Zaka, tem um outro fundo: é desportiva (muito), altamente eléctrica, sem paciência (a não ser para mimos e onde ela quer), meiga e ela, ao contrário do King, nunca se virou para os peluches (apesar de muitos), mas sempre ao meu braço ou perna. A sua sexualidade nata foi algo diferente.

O engraçado desta conversa toda (vejam bem que anima escrever imenso sobre a virgindade da minha Zaka!!!)é que a minha Zaka, andou os primeiros 3 dias literalmente a ensinar ao King como é que se fazia, o que é que era pretendido do King, qual a sua função e no meio de tudo isto a Zaka tinha tempo para ir descobrir o palacete (ela nasceu mesmo free), chatear os papagaios que iam dizendo "oláááá", tentar empurrar o cágado para a água, exigir festas dos humanóides e conhecer as feras que se encontram presas.

Ao 4 dia de namoro, 20lts de gasolina super à parte, horas de conversa com a mãe-humana do King, o rapaz lá se encheu de coragem e zás - tirou a virgindade da minha Zakita, num abrir e fechar de olhos. Eu, atenta, a achar imensa piada e esperançada da ninhada que aí virá (ao mesmo tempo que a minha própria filha irá nascer), esqueci-me do pequeno pormenor pós-coito-canino: ficam presos!!!!!

O problema é que havia duas crianças de 7 anos por perto, mas também e igualmente importante o PÂNICO efectivo e choroso da minha Zaka. Ela não gostou NADA desse formato "colado" de no mínimo 7 minutos. NADA mesmo. Chorou imenso e tive que literalmente acalmá-la (tinham que ver....para crer). O King teve a reacção engraçada de TRANSE.

Por outras, o rapaz fartou-se de gostar d eir à lua e voltar, e a minha Zakita nicles, não achou piada nenhuma, é que eu acho que ela não foi à lua!

À segunda volta, pensava eu que a minha 4 patas se lembraria (foram apenas 15 minutos depois) do pós-coito-canino, mas para mal dos meus pecados nada e desta vez ela atacou o King com ferocidade. Tipo:

"Trata lá da saúde mas DESGRUDA!"

Veio-me então à mente todas aquelas fêmeas, que após coito ou matam, comem ou arrumam o marido, definitivamente.

Conclusão de tudo isto, ao voltar para casa, olhava eu para a minha Zaka, ela para mim e o certo é que ela perdeu a virgindade e saltava uma olhar maduro, de fêmea crescida "oh mãe, isto é natural..."

aaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

sábado, dezembro 24, 2005

Para ti Pai, um bom natal, porque não estás perto.

Sabes, eu conheci-te ainda eu não tinha nascido. Já eu vinha a caminho deste tão estranho mundo e ao sair da barriga da minha mãe eu tinha como presente de chegada um pai.

Esse pai, este pai é especial, muito especial. Começou esta aventura de ser tua filha (acredita que não é uma tarefa lá muito fácil...) quando sofrega por vida começo a respirar e a olhar à volta sem perceber “patavina” onde estava e o que aqui vinha eu fazer. Logo aqui passaste-me tu um gene teu muito característico – o de amar a vida. Este gene que veio marcar o passo e fazer o meu caminho 35 anos depois, até hoje sigo à risca este amor, esta paixão pela vida. Que afinal é também tua.

Mais tarde, muito provavelmente reconheci, sem o saber, os braços fortes confortantes e seguros do meu pai, os teus braços. O teu carinho e total “baba” de ser menina, rechonchuda, cor-de-rosa e mais-nãosei-o-quê, que definia a tua alegria de teres uma rapariga como filha. Também aqui e logo desde o início definiste todo um caminho de exigência enorme como que por devolução do teu enorme amor por este babby, que foi a menina dos teus olhos. Visível nas correcções sejam de gramática, ortográficas ou de carácter. Ainda hoje.

Mais tarde ainda, já andava pelos meus próprios pés e em visita a um jardim zoológico, se a memória não me falha em Joanesburgo, tiraste uma fotografia a um orangotango e dedicaste umas palavritas simpáticas atrás – “ a passada quando fica amuada é parecida com o orangotango”. Na altura claro, nada entendi. Hoje, e de novo quiça sem tu próprio te aperceberes, viste com os teus próprios olhos mais uma especificidade desta tua filha, talvez das maiores e mais marcantes – a injustiça. Na altura se calhar confundida com birra, mais tarde um vínculo estreito com esta relação do justo pelo mundo fora homens e animais. A mais pequena formiga tinha o seu espaço nas minhas passadas – “cuidado pai, não pises a formiga...”. Need I say more?

Isto é um blog, isto é uma prenda de natal – não posso alrgar muito, até porque não chega por vezes o espaço físico mas sim o temporal para mostrar-mos o amor, o carinho e o afecto por um pai.

Mas preciso falar na música, essa grande professora da vida que tive e grandemente responsável por manter o meu equilíbrio naquela fase tão esquisita dos seres humanos – a adolescência. Inúmeras viagens nossas, de carro ou outro meio de transporte, esteve sempre presente a música. Ou porque cantavamos juntos em aparelhagem Blaupunkt (como é que se escreve mesmo?) ou porque me enfiavas os auscultadores no avião ou simplesmente cantavamos em águas turbulentas, no carro um Frank Sinatra ou o “Old Macdonalds had a farm...”. Como eu queria tanto esses animais e quinta. A liberdade.

Alicersaste todo o meu ser, com o caminho que percorri contigo e fez de mim (espero eu) uma filha que te orgulhes de ter, mas o mais importante foi o ter vindo para este mundo e receber de prenda um pai como tu. Não te trocaria por nenhum outro, mesmo que oferecido por Aladin ou uma bandeja de estanho.

Gosto de ti assim mesmo como és, trapalhão, vivo, inteligente, chato, com humor (bonitão ao que dizem eh,eh), exigente, carinhoso, bom condutor, aventureiro, pronto a assumir riscos e decisões, independente, conversador, humano, com gosto.

Já caiu a lágrimazita?

Estás em cada pôr-de-sol, em cada onda do Índico que me traz o sul, em cada folha, em cada rosto, em cada lágrima ou sorriso, em cada pai que existe no mundo, em cada árvore ou pétala, em cada sonho ou palavra, em cada segundo de vida que eu respiro porque és o meu pai e és uma pai que qualquer filho deste mundo adoraria ter. Porque te tenho e tenho essa sorte. Essa é a melhor prenda que eu posso ter.

Um bom natal para ti desta tua filha que te ama muito e não te esquece nunca.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Quando a felicidade se vê em:

50kgs de farinha de milho
20kgs de amendoim
20kgs de feijão nhemba
30kgs de arroz
15lts de óleo
12 barras de sabão
1cx de maggi galinha
6latas de atum
12pacotes bolacha maria
12latas de leite condensado
6kgs de sal grosso
2latas de "JAM" família
12kgs de açucar castanho
12sabonetes "gueisha"
1lata de leite Nido
2pacotes de chá "five roses"
10 velas

Aproveito para desejar a todos, sem excepção um excelente natal, uma entrada em 2006 cheia de energia positiva, boas intenções, pouco cinismos e muita alegria.

Um abraço a todos e se alguém aí por esse mundo se sentir só.....façam um filho!!!! :)

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Honoris Causa - Marcelino dos Santos

Não posso ser erudita nesta tema. Por muitas razões, mas uma delas releva-me à minha própria entrevista com este monstro da política, das independências, da esquerda persistente, há uns anos em que gastei 3 cassetes de 90 minutos com ele e onde, me faltou a total capacidade de as transcrever para umas parcas 4 folhas em A5.

Assisti no dia 14 de Dezembro de 2005, das cerimónias solenes mais simples, bonitas e derradeiras. Para quem conhece a história de Moçambique (pouco que seja), a pessoa em causa, terá de saber que apesar de tudo é uma homenagem atempada e justa.

Foi atribuído o título de Causa Honoris em ciências Políticas a Marcelino dos Santos, e nessa noite o seu Padrinho proferiu um texto absolutamente delicioso, só possível quando se tem um "subject" com o caminho do Marcelino, deliciando-me totalmente com a beleza que as palavras podem ter. É que tenho andado meio esquecida, meia culpa.

Marcelino estava verdadeiramente emocionado...mas tão intrínseco que está nele, não resistiu a proferir as suas palavras politizadas, mas no final da noite já no jantar tivemos o previlégio de ver em representação cantada, clamada e dançada versos da sua poesia que é de facto arrancada de um ventre muito africano. Pode-se atribuir um discurso versado, encontrar até a política mas é na sua poesia que se pode sentir o seu coração, a sua mágoa e dor de poeta dum homem que cresce num país convulsivo, saído de umas brumas para entrar noutras. É na sua poesia que vejo o grande potencial mas acima de tudo a grande paixão que este homem transpira pela sua terra, pela ligação maternal, pela árvore, pela cultura, pela dureza que foi ter crescido nesta terra "Moça".

Marcelino aguentou-se sem adormecer (tenho visto algumas sonecas porque é natural), pasmo com tanta dedicação e foi nessa noite que os que tinham dúvidas da sua total liberada palavra, ficaram claro com alguma inveja desse poder adquirido.

Não me vou esticar muito no seu caminho, mas é preciso lembrar que a sua importância, o seu caminho não se resume a Moçambique, juntamente com Amílcar Cabral e Agostinho Neto, este homem foi dos maiores responsáveis pelas independências africanas. O pós é que já é outra conversa.

Como foi bonito ver a reacção familiar, perfeitamente babada.

Este é um homem que pertence a Moçambique e não vale a pena reclamar o contrário, estará a enganár-se a si próprio. Eu sei que o Marcelino será o grande homem político de Moçambique, o homem de Moçambique e um dia em que ele não esteja mais entre nós será então descoberto o tanto que ainda não foi posto em palavras. URGE escrever sobre este rapaz, bibliográficamente.

Quando entrevistei Marcelino, tive o previlégio de ter este senhor da palavra a fazer-me passear pelo ponto de partida - Moçambique - levou-me a todos os cantos do mundo e fez-me voltar ao ponto de partida. Não perdeu por um único momento o fio da conversa, o sentido da conversa e não é qualquer pessoa que consegue esse tipo de concentração com 270 minutos de conversa.

Amado e odiado este rapaz do norte de Moçambique já fez história (nem sempre boa ou positiva) e pasmem-se continua a fazer. Vemos incursões suas nos meios de comunicação que só ele sabe fazer, vemos posturas que só daqui a 20 anos é que se vão perceber ou entender e com isto tudo continua a espalhar simpatia e um sorriso invejável e ele tem talvez dos maiores previlégios, uma mãe centenária que viva, partilha aqueles que são os bons momentos de um filho.

Não é desinteresse! Acreditem

É que dou por mim, a pensar, a viver, a sonhar, a sentir, a falar, a querer, a respirar uma gravidez. E nada nunca na minha vida me espantou tanto quanto a forma como o meu corpo se adapta literalmente a um balão que sobe, sobe.

Estou quase com sete meses dela, as opiniões externas (ao meu corpo e ao meu ser) são as de que estou pequenina, não parecendo estar já tão avançada, mas o certo é que ela - a barriga está enorme para o meu raso corpo. O tanas, isto já pesa nos meus pézinhos que mais parecem aqueles das princesas japonesas que lhes são ligados em terna idade para ficarem pequeninos, a aguentarem os 7kgs que já tenho a mais e sinceramente não imagino como me aguentaria se fossem apenas kilos de comida extra. É que não dá. Há dias viajei de avião e a minha barriguita manteve-se tão "low profile" que não usufrui dos benefício da barriguda, ninguém topou que estava de estado!!!! Hilariante, uma barriga passar despercebida.

Faço desporto diário, uma hora no tapete e exercísios de grávida, bebo muita água e como sem exageros. Foge-me aqueles apetites estranhos, não os tive e penso que não os terei. Raios, gostava tanto de ver o meu rapaz a sair de casa com meio olho aberto tipo às 04am à procura de um pedaço de cacto para comer e preencher o apetite. Mas nada.

O tempo fugiu-me e apesar de achar que isto da barriga, salvaguardando a delicia dos movimentos da catraia - é por demais pesado e duro (acreditem) porque incomóda, porque chateia o sono, porque nos faz crescer abruptamente, porque deixamos de usar os aneis e o relógio, as roupas, não deixa respirar (já vos falei nas costelas que me passaram para as costas né?) - sei que terei imensas saudades de carregar esta vida, que neste momento é só minha, toda minha carregadíssima de egoísmo. Sairá e seguirá o seu curso ciclíco natural.

Dou por mim a olhar para potenciais rapazes que EU SEI não serão boa companhia, nada trarão de acréscimo para o crescimento do ser da minha catraia e tento ainda antes do nascimento algum refreio, porque ela não é minha, não me pertence e terá o seu próprio caminho.

Hoje vejo bem o pesadelo que devo ter sido para os meus pais. No bom e no mau, um verdadeiro "aceitem como sou por favor e deixem-me crescer".

Dou por mim, mãe, dou por mim uma perfeita leôa pronta a dar a minha vida por esta.

Dou por mim com uma calma impensável para o meu carácter, o speed mental sempre foi algo com que batalhei a sério para se enquadrar nesta sociedade, no meio, nas pessoas. Agora muito calma e cada vez menos preocupada com superficicialidades (o que já era um problema grave....neste mundo), descobrindo todo um novo caminho que me nasce de um novo ser, não a minha filha mas eu. Vamos ver o que sobra de mim. Para já continuo a querer mergulhar junto de um great white, apenas uma das minhas paixões.

E no meio desta perfeita convulsão - tenho que manter a minha empresa, continuar a ser normal, gerar lucro, pagar os impostos, os ordenados e manter um ar "desculpe grávida não é inválida, posso continuar com a labuta". Descubro que este mundo não oferece grandes condições para este estado apesar de em termos médicos a coisa hoje está bem facilitada.

A minha Zaka, a cadela que mais me impressionou até hoje (adora ver o animal planet e o national geographic!!!), já se apercebe da barriga, comunica comigo, encosta-se, enrola-se lá me vai dizendo com uma subtileza estranhamente inteligente e emocional para eu não a esquecer, acho que vai proteger demasiado a minha filhota e adoptá-la como sua, já que ela maternalmente ainda não fez a sua.

Por fim sei porque cá ando. Pairava no ar alguma dúvida de sentido, só a cultura o crescimento interno, o desenvolvimento não estava a chegar e encontro finalmente algo que me sacia, mas também sei que chegará o momento em que terei retomar o meu próprio caminho recheado de experiência, de conhecimento, de pessoas, de cultura. Agora com uma asita a cobrir um outro caminho até que ela, a filhota inicie o seu próprio. Apenas posso emprestar a esperança e o guia, o resto ela terá de desbravar.

Passar-lhe o gosto pelo conhecimento e emprestar-lhe a paixão que eu própria tenho pela vida será dos meus maiores sucessos. Sim porque esta vida sem paixão, verdadeira paixão pelo mais pequeno ser, o menos sentido sentimento, a mais iluminada cor, carece de senso, de humanidade, de inteligência e do sentir.

Dedico este vagar mental ao JPT que há dias me disse da falta dos meus textos "já sentimos falta" e devolvendo-me assim a sede.