Como podem ter verificado no post anterior, sou uma incuravel amante da natureza.
Vivo em África já há muitos anos, sítio propício para se ver alguma bicharada, mas o leopardo foi até o fim de semana passado o único que não tinha ainda visto.
Chegados ao hotel, jantamos, descansamos e esperamos pelo dia seguinte. O tal do passeio há noite pelo Kruger.
O cenário estava mais do que preparado para mais um momento que só África me poderia dar. Assim que chegámos ao Gate de Malelane ia eu a caminho do WC (umas 500 mil vezes antes porque durante as 3 horas seguintes nem pensar em tirar a bunda do carro), ali estava a uns 20 metros (sem exagero e sem protecções) um elefante que nos cumprimentou deitando uma micaia abaixo, comer, olhar para nós e seguir caminho. Pronúncio!
Manada de búfalos, mais elefantes, rinocerontes e a noite já tinha caído. Andávamos de lanternas ou holofotes, chuva, raincoats e uma excelente boa vontade. É preciso gostar. Nada vimos próximas hora e meia.
Já de regresso, voltamos a pisar alcatrão e eis senão quando um leopardo, solitário atravessa o nosso carro, devagar seguro e aparentemente muito chateado. Não quis saber de nós para nada, comportamento estranho. Sabemos todos que este bicho lindíssimo é extremamente ilusivo.
Acabamos por parar para o ver seguir caminho até perder de vista este previlégio.
Passados 20 metros ou 30, apanhamos a razão de tanto desgosto do leopardo: uma hiena fêmea com a presa na boca. Todos sabemos que este bicho não caça, persegue os gatos e vai lá roubar.
Mas o que mais me impressionou, à luz do 4x4 foi ver estes maxilares mal cheirosos a carregarem uma gazela cerca de 1 km para ir ter com o marido e a ninhada, para simplesmente se por a comer tudo, sozinha e não deixar nem filhos nem marido sequer chegar perto.
Foi um espectáculo único com um leopardo único e uma hiena fêmea que me chateou pela sua natureza.
Voltamos para o hotel esgotados, satisfeitos com o que vimos e com vontade de vir um dia a ver uma caçada de leões a tratarem da sua barriguita.
quinta-feira, novembro 03, 2005
sexta-feira, outubro 28, 2005
Touch Nature
O desenvolvimento preciso, a cultura faz-me respirar, a comida dá-me gaz, os humanos apaixonam-me e fazem-me questionar mas a natureza faz-me viver.
Já não saio há muito e este fim de semana lá nos decidimos a vestir uns calçoes, bem informal do nosso dia-a-dia-tão-formal e fazer uma passeata de noite pelo Kruger Park. Para os que não sabem, é a melhor altura não só para ver os animais mas também de possivelmente apanhar uma caçada de leões ou guerra territorial entre estes e as hienas. Matar e não comer, só marcar pontos.
Elefantes, rinocerontes, bufalos, impalas, zebras, girafas quem sabe o tão ilusivo leopardo são apenas algumas das espécies que iremos ver, encontrar.
O melhor talvez a perspectiva de estar a almoçar numa varanda imensa, de madeira a arranhar o rústico sofisticado no meio do mato, é a ideia de estar a almoçar um bife de vaca e ver uma manada de elefantes a passar a 200 metros de distância. Só vê-los, a ser, não incomodados quiça puxados pelo cheiro do "grill". è preciso lembrar que os animais do Kruger Park estão "habituados" aos humanos, à nossa presença. Mas não se cheguem muito perto.
Já aqui gastei algumas linhas em posts anteriores sobre esta reserva mas nunca é demais lembrar o bem que faz quando lá vou. Porque estou enfiada numa cidade e é assim que tem de ser se não quiser ser mordida por uma viúva negra ou mamba.
Mas existe em nós um certo esquecimento, natural, relativo à nossa própria origem (aqui andamos ainda hoje a tentar saber), mas que pelo menos do meu lado não restam dúvidas é da natureza. E sabe sempre tão bem lá voltar.
O silêncio, a paz, a lei, a beleza, a organização, o cheiro. A natureza tem a sua comunicação e percebe quem não a teme. Implacavel a natureza é quem dita o nosso futuro. Podemos tentar enganá-la, destruí-la, desviar a sua atenção e observação mas nunca, nunca vencê-la. Essa a maravilha, o homem não controla este factor - que nos rodeia, que nos marca passo, que nos desenvolve.
É tão básico e a maravilha está aí mesmo. Conseguimos respeitar outro ser humano quando aprender-mos a respeitar a natureza, a sua génese, o nosso genoma.
Bom fim de semana a todos é o que eu e a minha mini-rapariga desejamos a todos.
PS - eu não queria tocar em política mas o que foi dito ontem pelo presidente do Irão é inicio duma telenovela que prevejo venha a ser uma peça de teatro mundial com diálogos sangrentos. Ainda não entendi porque é que não existem reguladores, tribunais da religião já que esta tem sido desde sempre um dos maiores responsáveis por tantas mortes sem sentido. É que a religião não é um sentido, é um estado e está quem quer. Porra!
Já não saio há muito e este fim de semana lá nos decidimos a vestir uns calçoes, bem informal do nosso dia-a-dia-tão-formal e fazer uma passeata de noite pelo Kruger Park. Para os que não sabem, é a melhor altura não só para ver os animais mas também de possivelmente apanhar uma caçada de leões ou guerra territorial entre estes e as hienas. Matar e não comer, só marcar pontos.
Elefantes, rinocerontes, bufalos, impalas, zebras, girafas quem sabe o tão ilusivo leopardo são apenas algumas das espécies que iremos ver, encontrar.
O melhor talvez a perspectiva de estar a almoçar numa varanda imensa, de madeira a arranhar o rústico sofisticado no meio do mato, é a ideia de estar a almoçar um bife de vaca e ver uma manada de elefantes a passar a 200 metros de distância. Só vê-los, a ser, não incomodados quiça puxados pelo cheiro do "grill". è preciso lembrar que os animais do Kruger Park estão "habituados" aos humanos, à nossa presença. Mas não se cheguem muito perto.
Já aqui gastei algumas linhas em posts anteriores sobre esta reserva mas nunca é demais lembrar o bem que faz quando lá vou. Porque estou enfiada numa cidade e é assim que tem de ser se não quiser ser mordida por uma viúva negra ou mamba.
Mas existe em nós um certo esquecimento, natural, relativo à nossa própria origem (aqui andamos ainda hoje a tentar saber), mas que pelo menos do meu lado não restam dúvidas é da natureza. E sabe sempre tão bem lá voltar.
O silêncio, a paz, a lei, a beleza, a organização, o cheiro. A natureza tem a sua comunicação e percebe quem não a teme. Implacavel a natureza é quem dita o nosso futuro. Podemos tentar enganá-la, destruí-la, desviar a sua atenção e observação mas nunca, nunca vencê-la. Essa a maravilha, o homem não controla este factor - que nos rodeia, que nos marca passo, que nos desenvolve.
É tão básico e a maravilha está aí mesmo. Conseguimos respeitar outro ser humano quando aprender-mos a respeitar a natureza, a sua génese, o nosso genoma.
Bom fim de semana a todos é o que eu e a minha mini-rapariga desejamos a todos.
PS - eu não queria tocar em política mas o que foi dito ontem pelo presidente do Irão é inicio duma telenovela que prevejo venha a ser uma peça de teatro mundial com diálogos sangrentos. Ainda não entendi porque é que não existem reguladores, tribunais da religião já que esta tem sido desde sempre um dos maiores responsáveis por tantas mortes sem sentido. É que a religião não é um sentido, é um estado e está quem quer. Porra!
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sexta-feira, outubro 28, 2005
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quinta-feira, outubro 20, 2005
Grávida - Mudança 6 Final
Mudei, pronto. Muito, tudo. Temos uma alteração fenomenal - a sensibilidade, o sexto sentido. Parece que antecipo alguns acontecimentos e nem sequer sei.
A minha criança fez-me sentir durante algumas vezes gases. Mas gases estes (não se riam ok) que não saiam, nem cima nem baixo. Passado algum tempo apercebi-me que era ela que se mexia e que não tinha nada a haver com gases. Cheguei até a comentar com o meu rapaz "Olha lá existem gases que não são gases?" - podem calcular a resposta, vinda de um rapaz e tudo. Assim descubro que o mexer dela provoca uma idazita ao WC porque aperta a bexiga e que nos dá uma sensação gasosa!
A minha criança fez-me sentir durante algumas vezes gases. Mas gases estes (não se riam ok) que não saiam, nem cima nem baixo. Passado algum tempo apercebi-me que era ela que se mexia e que não tinha nada a haver com gases. Cheguei até a comentar com o meu rapaz "Olha lá existem gases que não são gases?" - podem calcular a resposta, vinda de um rapaz e tudo. Assim descubro que o mexer dela provoca uma idazita ao WC porque aperta a bexiga e que nos dá uma sensação gasosa!
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quinta-feira, outubro 20, 2005
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quarta-feira, outubro 19, 2005
Amniosintese
Este foi decididamente o exame clínico mais esquisito que alguma vez fiz na minha vida. Porquê?
Vejamos: espetam-nos uma agulha fina, tamanho família lá mesmo onde se encontra a nossa cria, tudo isto para retirar líquido amniótico e a partir deste ficarmos a saber que a nossa cria não sofre de deformações congénitas, espinha bífida, síndroma de down e por aí fora. Descobri com algum espanto que é um teste de longa data, 1822.
O médico apalpa a zona, afasta a cria com a ecografia e lá vamos vendo onde a agulha entra, como entra etc. No meu caso a minha rapariga assim que a agulha entrou no seu território deu-lhe uma patada. Já gosto dela. E sim também descobrimos que é uma menina, isto pela contagem cromossomática.
Pedi imensas desculpas à minha criança por tamanha invasão apenas para me aperceber que terei de ter uma muito maior coragem para futuros eventuais problemas clínicos.
Totalmente indolor, dependendo dos médicos, mas no meu caso não doeu nada e o pesadelo restringe-se à nossa cabeça e a uma eventual negligência médica ou eventual infecção uterina que possa provocar o aborto e perdermos o baby.
A seguir vem o pior, e o médico diz-nos "Passada, expect my phone call (com aquela frieza saxónica...) and it can be anything from, ok or not ok in the next 10 to 14 days!!!!" - YA. OK. Not good. Not ok querendo dizer que teremos de tirar o bébé.
Momento profundamente intensos, impartilháveis (isto existe?), mudos, ansiosos e loucos.
Cada um gere a tecnologia de informaçãocomo quer, como sabe e como consegue. Estórias ouvi por aqui em que logo a seguir se perde o norte, o sul, este e oeste. Apesar de eu ser uma maricas, parece que fui bastante forte, normal e a única coisa que aumentou foi a minha tensão.
Finaliza assim - "Passada, you see there is enough liquid for the baby to carry on. Go home and relax. Just advise (isto 400kms depois no mesmo dia do exame, teste este que não é feito em Maputo e tivemos que ir a Nelspruit) if you feel any cramps or blood!!!!"
AAAAAAAAgggggggggghhhhhhhhhh. Uff......
Uma semana depois, não os 14 dias recebo a seguinte mensagem no meu cell.
-"Hello Passada, hum everything seems to fine, but I guess we will talk later"
-"Yes, Hi doc, everything fine, is it a baby girl, no down síndrome, all her legs are there........." - debitei a informação toda que já tinha retirado da www, algo que deve chatear opu não os doc's.
-"Calm down (yeah right), all ok and do you want to know the baby's sex?"
-"Duhhhh"
Vejamos: espetam-nos uma agulha fina, tamanho família lá mesmo onde se encontra a nossa cria, tudo isto para retirar líquido amniótico e a partir deste ficarmos a saber que a nossa cria não sofre de deformações congénitas, espinha bífida, síndroma de down e por aí fora. Descobri com algum espanto que é um teste de longa data, 1822.
O médico apalpa a zona, afasta a cria com a ecografia e lá vamos vendo onde a agulha entra, como entra etc. No meu caso a minha rapariga assim que a agulha entrou no seu território deu-lhe uma patada. Já gosto dela. E sim também descobrimos que é uma menina, isto pela contagem cromossomática.
Pedi imensas desculpas à minha criança por tamanha invasão apenas para me aperceber que terei de ter uma muito maior coragem para futuros eventuais problemas clínicos.
Totalmente indolor, dependendo dos médicos, mas no meu caso não doeu nada e o pesadelo restringe-se à nossa cabeça e a uma eventual negligência médica ou eventual infecção uterina que possa provocar o aborto e perdermos o baby.
A seguir vem o pior, e o médico diz-nos "Passada, expect my phone call (com aquela frieza saxónica...) and it can be anything from, ok or not ok in the next 10 to 14 days!!!!" - YA. OK. Not good. Not ok querendo dizer que teremos de tirar o bébé.
Momento profundamente intensos, impartilháveis (isto existe?), mudos, ansiosos e loucos.
Cada um gere a tecnologia de informaçãocomo quer, como sabe e como consegue. Estórias ouvi por aqui em que logo a seguir se perde o norte, o sul, este e oeste. Apesar de eu ser uma maricas, parece que fui bastante forte, normal e a única coisa que aumentou foi a minha tensão.
Finaliza assim - "Passada, you see there is enough liquid for the baby to carry on. Go home and relax. Just advise (isto 400kms depois no mesmo dia do exame, teste este que não é feito em Maputo e tivemos que ir a Nelspruit) if you feel any cramps or blood!!!!"
AAAAAAAAgggggggggghhhhhhhhhh. Uff......
Uma semana depois, não os 14 dias recebo a seguinte mensagem no meu cell.
-"Hello Passada, hum everything seems to fine, but I guess we will talk later"
-"Yes, Hi doc, everything fine, is it a baby girl, no down síndrome, all her legs are there........." - debitei a informação toda que já tinha retirado da www, algo que deve chatear opu não os doc's.
-"Calm down (yeah right), all ok and do you want to know the baby's sex?"
-"Duhhhh"
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quarta-feira, outubro 19, 2005
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quarta-feira, setembro 21, 2005
Aaaaaaaaaah, o calor veio
Andavamos mesmo distraídos com temperaturas amenas, frescas de casaquinho até. Hoje chegou-nos a bafurada não anunciada e já esquecida por longas horas, fazendo-nos transpirar apenas porque paramos o carro 2 minutos.
Embarriguei no calor, agora é que vão ser elas!!!
Embarriguei no calor, agora é que vão ser elas!!!
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Passada
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quarta-feira, setembro 21, 2005
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