domingo, setembro 11, 2005

Grávida - Mudança 1

A primeira grande mudança e que se apresenta de uma forma algo insultuosa - passamos a ser umas to-be-mothers que não percebemos nada do assunto, nada sabemos. Deixamos de ser aquela persona que até percebems de alguma coisita, temos uma conversa interessante e viramos umas "bicho-do-mato" onde de repente viramos alvo de - atrevo-me - chacota. Vejamos:

"Tu deixaste de existir" (esta mata-me)

"Como está a grávida mais sexy da cidade?" (não tenho mais de palmo e meio e até sei ver-me ao espelho, pelo menos de acordo com os standards que me foram entregues pela sociedade)

"Agora é que vais ver como é..." (será que estou a pagar alguma coisa?)

"Viste, vais entrar para o clube"

"Olha, cuida bem dessas estrias. Tens o creme? Sabes qual é? Olha eu acho que devias utilizar este..." (esta também me mata).

"Já preparaste a mala para o parto? Já só faltam 7 meses e o tempo voa" (credo, acho que nos apressamos um pouco, não?)

"Aos 6 meses tens de pôr as orelhas à criança" (esta tradição é muito engraçada, não é?)

"Faz sexo." (Desculpe?)

"Vi num estudo que o sexo não é nada positivo para a tua criança" (Hum...)

"Tenho um monte de roupa que te posso dar" (cada barriga, uma barriga)

Eu podia continuar penso que eternamente desde que a minha veia literária o permita, mas nestes meses já ouvi de tudo.

A reter como grande mudança: deixamos de ser vistos como somos e isso não é normal.

domingo, setembro 04, 2005

Eu...

estou grávida e um dia destes vou partilhar as mudanças que se dão e que, penso eu, sejam subestimadas pela sociedade em geral e tomadas como "normais" dado o estado de graça, mas não são NADA normais, naturais sim mas não normais. Essa é a primeira grande mudança, transformação - tudo o que era normal deixou de o ser.

E hoje em plena cena de café, fui traída por um casal de amigos a quem chamei de "bufos" porque espalharam a notícia numa outra mesa onde se encontrava o JPT do Maschamba que afirma em jeito de pergunta, o seguinte:

"Estás passada?!"

A resposta é por demais evidente. Beijei-lhe as barbas grisalhas de conhecimento a agradecer os parabéns.

New Orleans em Maputo

De novo retiro-me ao meu próprio sofrimento, qual egoísmo quando tantos seres sofrem o impensável.

De novo acontece uma devastação da natureza na natureza e onde mais uma vez levamos aquele estalo brutal da falha da engenharia, quem diria, mesmo com todos os avisos.

De novo parei de respirar por uns dias porque eu aqui de África estava à espera de ver "reacção" aos milhares que de repente nem água potável tinham. Eu não entendia como é que não vinha, depois não custou - toda a estrutura estava a aguardar que o "bill" do bush fosse aprovada.

De novo pasmei com as abordagens nacionais e internacionais sobre a tragédia. Estamos a perder o senso comum básco.

De novo chorei por tantas as crianças, todas as que não se conseguem defender. Eu estava a ver a sequela do Mad Max 2030.

Tive o previlégio de conhecer a magia de New Orleans (em português realmente não soa bem). Foi a minha salvação porque ao fim de ter percorrido 3 mil milhas de Estados Unidos de carro, chego à primeira cidade Norte Americana onde consigo comer! Pedi num qualquer restaurante típico creolo a sopa com arroz e feijão, sentada numa cadeira de ferro trabalhada num pátio húmido ao lado do Mississipi a ouvir Blues ao vivo.

A arte, o cosmopolitanismo, a história, origens, beleza, o velho e o novo, o Mardi Gras, as esquinas, todas as esquinas com quartetos ou quintetos a comporem jazz ao vivo soltando notas culturais a troco de um dólar no chapéu. Cada metro percorrido o preenchimento musical, de espectáculo não editado, cru ao vivo dum povo que vim a descobri na sua maioria pobre ou abaixo da média.

Cada esplanada revestida a vidro com cadeiras de 1060 um grupo quase sempre acima dos 40 anos, vestidos a rigor a fazer lembrar não só Luis Armostrong mas todos aqueles que perderama sua vida a querer cantar estas notas tão diferentes de um qualqer outro estilo musical. Senti-me perto do Frank Sinatra.

Quando lá fui tinha 27 anos mas os americanos não acreditavam e pediram-me sempre o passaporte para comprovar que não era under-age.

Enquanto cresci e por culpa do cinema, apaixonei-me pelo Mississipi e não me desiludiu quando o vi fora o cheiro. A beleza arquitectónica da zona velha, a Francesa porque a zona nova não gostei selva de betão que nem uma qualquer outra cidade americana ou sul africana.

Estranhamente, e porque cresci assim, identifiquei-me com esta cidade, apaixonei-me de imediato, já com Miami, Florida, Carolina do Norte, Atlanta não. Faltavam aqueles swamps de Alabama, aquela humidade que me faz lembrar de casa.

Tive a sorte de conhecer esta cidade da Luz dos EUA antes. Não sei como será o depois. Fez-se história. Uma cidade inteira vai ser alterada, vai nascer uma nova. Será que o Mardi Gras vai continuar? Será que vamos retomar as origens do Jazz? Será que vamos perder essa história?

Ontem, em Maputo e no meio de uma actividade desenvolvida (Fama Show, a opreação triunfo de cá) pela STV, num dos melhores se não o melhor restaurante, ao promover talentos Moçambicanos surgem 3 pessoas que foram desafiadas a cantar - Eneas Comiche, Carlos Tembe e Norberto Carrilho e que cada um à sua maneira cumpriram com a tarefa como se tivessem sempre sido cantores. Carlos Tembe em jeito de homenagem ao "Katrina" sai-se com um tema de Luis Armostrong improvisando letras lusitanas que fez parar toda a plateia que o assistia. Incluindo os mais novos. Foi bonito ver que afinal temos a capacidade de olhar para outros umbigos.

domingo, agosto 28, 2005

Carte Blanche e as escolhas de Rebelo de Sousa

É um programa que sigo porque gosto da clarividência do rapaz. Não irei tecer opiniões partidárias, físicas ou mentais. Apesar de tudo, estou também certa que as suas palavras são uma mais valia.

Mas que me irrita a sua constante intereferência da sua companheira neste mono-debate, irrita. A RTP deveria ponderar a possobilidade de colocar a Croft digitalizada, sem custos onde assim que o Rebelo de Sousa proferisse a primeira palavra, ela começaria a sorrir de volta diplomáticamente. Pelo menos não teríamos a sensação de interrupção.

Mas hoje, o rapaz até foi buscar duas notas importantes e de gosto à sua congénere. Ena.

É que Domingo é o dia de Carte Blanche e as Escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa. Um da África do Sul outro de Portugal. O primeiro, hoje, falava da importância de se responsabilizar a segurança nos comboios aos comboios, ou a forma como a equipa de jornalistas deu de caras com um pequeno "Lucky" trancado num quarto escuro sem qualquer tipo de condição digna o segundo continua a dar-me o retrato do país.

Boa noite e até amanhã, mundo.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Fim deste blog?

Não sei, não quero crer.
Retive-me e os minutos passaram a ser horas e dias.
Não pensei no fim, só afastei
Não penso, não escrevo, não sinto a vontade

As sinapses lá estão, saltitam
Essas que não me dão descanso
Alertas sem sono
E nada pariram

Não me afasto, vegeto cada som
Deliro cada cheiro
Arrepio cada grau variante da escala farenheit
Sinto, sinto tudo muito

Cansei da fase
Renasce outra
Sublime, inalterada
O pólen planta

As fraldas que limitam
O espaço que é preenchido
As necessidades imitam
Todos os enchidos

Sim, estou cheia de nada
Vazia de tudo

Nasce um novo eu