terça-feira, julho 12, 2005

"O problema do teu blog, é que lhe dás pouco de mamar"

Sempre temos uma desculpa plausível para não darmos de mamar a este espaço, sei também que este é de facto aquele espaço onde eu não tenho nem sinto a obrigação. Apenas a vontade, o que é além de libertador mas também gratificante, pelas razões o faço.

Tudo o resto na minha vida tem um "quê" de regra, de sociedade que torna todas as acções um pouco influenciadas.

Aqui é o espaço onde, não como uma reflexão do que sou ou penso, mas o escorrer livre do que me vai na tola e no momento em que vai.

Este blog faz anos, um ano de vida e é que nem a mudança de país e vida. O primeiro ano de adaptação vai-nos dizer e provavelmente ditar o continuar.

No blog, essa regra muda um pouco, porque quer eu escreva, quer não, quer eu interrompa ou re-inicie, há sempre o espaço, disponível para aquilo a que me propus fazer aqui.

Tenho estranhamente a mesma sensação com a minha empresa. Por ser minha e porque decido o que fazer com ela. Creio por isso ser uma previligiada e também "ultimately" a responsável pelo seu decurso e resultado.

Talvez por esta razão me dê tanto prazer ter este espaço. Ele não existe pela competição, não existe para provar nada, não existe por necessidade, apenas e tal qual a minha vida - existe.

E a sua existência tem acalmado um pouco a ânsia de algo escrever para dar aos outros, para partilhar as experiências. Tem também permitido controle de níveis menos felizes ou mais perturbados e de condições que me fogem por completo ao controlo.

É assim que este blog clama o seu pequeno território e declama as suas palavras.

quarta-feira, junho 29, 2005

Quando as mulheres gostam de carros!

Eu tenho um pai que me passou um certo bichinho - o gosto pelas máquinas, velozes, monstras, clássicas, práticas, com design ou simplesmente "verdes".

Falo-vos de carros, qualquer espécie e tipo. A minha paixão vai desde o mini reboliço, nervoso ao Porsche como o carro agressivo de cidade, ou o impossível Diablo e o lindíssimo Jaguar. E mesmo assim conseguir encontrar pontos positivos num AX Citroen 1000.

O meu pai, é o declarado culpado desta situação, sem regresso. Ainda hoje fui ter com um amigo meu só para sentir (nunca dizemos experimentar certo) um FTO da Mistubishi, com jantes daquelas que parece que o pneu toca no chão, tipo 17'' x 7. E o carro tem uma boa performance.

A culpa que o meu pai tem, começa no início, quando ele achou que me devia ensinar a conduzir, ainda nem chegava aos pedais, no autódromo de Maputo. Ambiente de "racing". Ele dava a primeira volta para "mostrar" como é que se faz e depois era a vez dos filhos. Foi aqui que aprendi depressa o que é um travão e o que é uma embraiagem.

Há filmes que vejo só por causa das bombas, os Mustangs, os Cadilacs ou o Ford.

Tenho assumidamente uma paixãozita por automóveis, para não dizer GRANDE.

Não esquecerei o momento em que o senhor meu pai me entrega um carro para a mão pela primeira vez, um VW Passat e no final da volta por Cascais me diz "Filha, tu conduzes bem mas tens o pé pesado"! O filho deste meu pai, saiu piloto de aviões. E mais não digo, mas se o Dakar tivesse saído de Lisboa há uns anitos, não sei não. Nem que fosse como limpa rodas, lá estaria.

Foi no aprender algumas coisitas que percebo que na estrada existe muita condução sem qualquer noção física e o desconhecimento básico mecânico do carro. É um curso que deveria ser obrigatório, pelo menos na base.

O calhambeque, o clássico, o desportivo, o citadino, o 4x4 eles há para todos os gostos. A escolha é para mim tão difícil, que havendo a disponibilidade financeira teria alguns, tipo um para cada dia da semana. Mas estes descartáveis são ainda hoje caros. E os que gosto excessivamente caros. Fora as brincadeiras que podemos fazer com as transformações num carocha.

Surgiu-me a oportunidade de ir viver a fórmula 1 a França e vou arrancar amanhã, numas férias de 4 dias (algo que não sei bem o que é há uns anitos) e dentro de todo um programa cultural desta cidade da luz que nos apaixona estou decididamente ansiosa por ir ver os Porches a rebentarem com os escapes e girar a cabeça, umas setenta e tal vezes da direita para a esquerda, com um barulho ensurdecedor e gozer um momento ímpar.

Não tenham pena de mim, a canseira aguenta-se que ainda são umas longas horas de vôo, mas recheado de emoção.

Tudo culpa tua pai!

segunda-feira, junho 27, 2005

Bandeira do sporting/benfica de moçambique

Apareceu por cá numa revista a fotografia de adeptos de um de outro club, bandeiras dos clubes com a bandeira de Moçambique. Grandes panos a verde e vermelho com dizeres "eu sou do sporting e sou de moçambique".

Eu já tinha falado no buzinão que por aqui se fez ouvir nos jogos finais, mas terem ido aí a Lisboa bandeiras feitas à medida, essa eu não tinha visto.

quarta-feira, junho 22, 2005

Racismo, na realidade não existe

Não tenho hoje, depois de ter conhecido vários povos, várias culturas, vários países que o racismo na sua génese é fruto de um cinismo conveniente, especulativo e acima de tudo uma arrogância cultural com base no próprio sub-desenvolvimento, manipulado pelo desenvolvimento e com benefícios menos generalistas.

Eu para conseguir conceber ser racista de uma outra raça terei que admitir que terei a mesma atitude perante características da minha própria raça.

Senão vejamos, o que nos torna racistas não pode ser a cor de uma pele, porque a cor não faz nada a ninguém. Não provoca nenhuma reacção. É claro baseada em carcaterísticas sociais e culturais.

É a pura exploração dos menos informados.

Tenho para mim que a política veio criar distorções no seio dos humanos. O lado da política que nunca foi abordado.

É como justificarmos até à medula porque é que uma pessoa assasinou alguém, invariavelmente com origens em infâncias menos equilibradas, violência doméstica, alcolémia, famílias desenraizadas, ou simplesmente tem tendências para...etc. Mas o certo é que essa pessoa matou outra (s) e toda a sua justificação não retira o ato cometido.

A política forneceu campo para que todos tenhamos a capacidade de ser cinicos com aceitação resignativa dos seus atos. Racismo idem.

Eu juro que tento manter as minha divagações curtas e recheadas, mas há assuntos em que não dá e corremos o risco.

terça-feira, junho 21, 2005

Independência

Nunca mais me esqueço do dia em que fiz 18 anos e nesse mesmo dia, virei-me para a minha mãe e disse "hoje sou oficialmente independente". Mal sabia eu que a independência tinha tantos contornos e tantas fases.

Nevertheless, foi um dia marcante, um dia de muita importância para mim.

Moçambique já se prepara para comemorar a sua independência e só posso imaginar os arrepios, o encher do coração, o sopro de liberdade que nesse dia, há 30 anos foi sentido por milhões de pessoas.

Não leiam estas palavras no sentido politico. Não porque não interessa, apenas porque desejo abordar esta questão por si só.

Aquele momento em que se levanta a bandeira da República Popular de Moçambique, ao ver as imagens de então apercebo-me que foi sentido exactamente o que eu senti, numa dimensão diferente - é claro.

Da janela do meu escritório vejo os preparativos e consigo fazer um filme inteiro, com as pessoas hoje aqui envolvidas nestas comemorações, a relevância da parada e das cores.

Numa altura em que a bandeira de Moçambique se prepara para alterar, é com grande prazer que vivo este momento em Moçambique junto de Moçambicanos e Portugueses que por cá ficaram e outros estrangeiros que cá vivem.

A 25 de Junho de 1975, Samora Moisés Machel proclama a independência deste país tão jovem e tão antigo.

Explico, a 10 de Julho faz anos a mãe do Marcelino dos Santos e ao completar 100 anos (sim um século inteiro), atira-nos com aquele olhar doce que tem, lúcida onde o físico começa a trair, a existência deste país muito além dos 30 anos.

Moçambique está muito diferente, nota-se na apresentação dos pivos da TVM, das lojas, da imensa cultura que por aqui se vai manifestando e cada dia que passa, vai aumentando promovendo e confirmando a paz.

Moçambique é um país muito especial por muitas razões, não consigo deixar de sentir aquele arrepio que eu própria senti quando atingi a maioridade ao ver a sua celebração.

A todos os que a esta terra pertençam naturalmente ou não, os meus parabéns!