quarta-feira, junho 22, 2005

Racismo, na realidade não existe

Não tenho hoje, depois de ter conhecido vários povos, várias culturas, vários países que o racismo na sua génese é fruto de um cinismo conveniente, especulativo e acima de tudo uma arrogância cultural com base no próprio sub-desenvolvimento, manipulado pelo desenvolvimento e com benefícios menos generalistas.

Eu para conseguir conceber ser racista de uma outra raça terei que admitir que terei a mesma atitude perante características da minha própria raça.

Senão vejamos, o que nos torna racistas não pode ser a cor de uma pele, porque a cor não faz nada a ninguém. Não provoca nenhuma reacção. É claro baseada em carcaterísticas sociais e culturais.

É a pura exploração dos menos informados.

Tenho para mim que a política veio criar distorções no seio dos humanos. O lado da política que nunca foi abordado.

É como justificarmos até à medula porque é que uma pessoa assasinou alguém, invariavelmente com origens em infâncias menos equilibradas, violência doméstica, alcolémia, famílias desenraizadas, ou simplesmente tem tendências para...etc. Mas o certo é que essa pessoa matou outra (s) e toda a sua justificação não retira o ato cometido.

A política forneceu campo para que todos tenhamos a capacidade de ser cinicos com aceitação resignativa dos seus atos. Racismo idem.

Eu juro que tento manter as minha divagações curtas e recheadas, mas há assuntos em que não dá e corremos o risco.

terça-feira, junho 21, 2005

Independência

Nunca mais me esqueço do dia em que fiz 18 anos e nesse mesmo dia, virei-me para a minha mãe e disse "hoje sou oficialmente independente". Mal sabia eu que a independência tinha tantos contornos e tantas fases.

Nevertheless, foi um dia marcante, um dia de muita importância para mim.

Moçambique já se prepara para comemorar a sua independência e só posso imaginar os arrepios, o encher do coração, o sopro de liberdade que nesse dia, há 30 anos foi sentido por milhões de pessoas.

Não leiam estas palavras no sentido politico. Não porque não interessa, apenas porque desejo abordar esta questão por si só.

Aquele momento em que se levanta a bandeira da República Popular de Moçambique, ao ver as imagens de então apercebo-me que foi sentido exactamente o que eu senti, numa dimensão diferente - é claro.

Da janela do meu escritório vejo os preparativos e consigo fazer um filme inteiro, com as pessoas hoje aqui envolvidas nestas comemorações, a relevância da parada e das cores.

Numa altura em que a bandeira de Moçambique se prepara para alterar, é com grande prazer que vivo este momento em Moçambique junto de Moçambicanos e Portugueses que por cá ficaram e outros estrangeiros que cá vivem.

A 25 de Junho de 1975, Samora Moisés Machel proclama a independência deste país tão jovem e tão antigo.

Explico, a 10 de Julho faz anos a mãe do Marcelino dos Santos e ao completar 100 anos (sim um século inteiro), atira-nos com aquele olhar doce que tem, lúcida onde o físico começa a trair, a existência deste país muito além dos 30 anos.

Moçambique está muito diferente, nota-se na apresentação dos pivos da TVM, das lojas, da imensa cultura que por aqui se vai manifestando e cada dia que passa, vai aumentando promovendo e confirmando a paz.

Moçambique é um país muito especial por muitas razões, não consigo deixar de sentir aquele arrepio que eu própria senti quando atingi a maioridade ao ver a sua celebração.

A todos os que a esta terra pertençam naturalmente ou não, os meus parabéns!

Carlos Queiroz

Esteve ontem no nautilus a tomar um café (não podendo confirmar se era café ou não porque não vi), amena cavaqueira com o melhor treinador de outros tempos de Moçambique e foi interessante ver que o rapaz, é interessante. Assim tão perto, dado que quando o via aí em Lisboa era só na TV.

Essa é uma das características desta cidade, está tudo mais perto uns dos outros.

E digo isto depois de ter ouvido o Marcelo Rebelo de Sousa nas suas escolhas com a seguinte afirmação "Portugal é por si só muito pouco integracionista".

segunda-feira, junho 20, 2005

Preto ou negro

Estudei artes gráficas e sou na essência de África,a minha confusão começa aqui.

Negro foi sempre aquela "cor" definida com uma carga dramática impressionante, própria para encaixar vazios ou completar contrastes, acumulação de todas as cores.

Preto é uma palavra carregada de insulto e históricamente utilizada para se referir a aquelas pessoas menos brancas com uma carga de "insulto".


No entanto pessoas com a cor preta ou negra, na realidade conheço muito poucos, mais lá para o centro de África tudo o resto é um castanho mais claro ou menos escuro.

Na realidade estas pessoas não são nem negras nem pretas, no seu verdadeiro sentido da palavra, são de facto castanhas.

Branco, é aquela cor que reflete, ausente de qualquer outra cor e que também é utilizada para o contraste e emprestar espaços e atribuir uma variação de uma qualquer outra cor.

Mas não existe outra cor para definir as pessoas brancas e no entanto elas também não são brancas como o branco que conhecemos e nos é ensinado nas escolas. Podem ir do cor de rosa a uma total ausência de cor ou pigmentação e passando pelos castanhos mais claros.

Eu pessoalmente tenho alguma dificuldade em chamar as pessoas menos brancas de negros porque esta palavra para mim é carregada de maior negativismo do que o preto.

Então em que é que ficamos, porque dizer que uma pessoa é branca e chamá-la de Europeu é um erro, existe pretos ou negros da Europa. Dizer que um Africano pressuponha que seja preto ou negro é também um erro porque existe brancos de África.

No caso dos Asiáticos é diferente, são amarelos. Aqui também há erro porque o amarelo que eu conheço das cores nada tem a haver com o amarelo que resolvemos considerar aos Asiáticos. De novo a variação do castanho mais claro, menos claro.

Não falarei das migrações porque aqui e até à data parece que viemos todos de África, segundo a comunidade científca e histórica da humanidade.

Também sabemos que as características de uns de outros resultam de acordo com as adaptações climatéricas. Se o frio desenvolveu mais uns que outros, dá isso direito aos mais desenvolvidos terem a atitude menos desenvolvida em relação aos que não se desenvolveram?

Há claramente aqui um equívoco de postura perante toda esta confusão de cores. É que amarelo é amarelo e cor de vinho é cor de vinho. Tal como a matemática não podemos andar aqui a chamar cores a cores que não o são.

O lado social da questão, qualquer psicólogo vos dirá que assim é. Atribuímos sentidos e significados às cores de acordo com a experiência de cada um, mas as cores não mudam na sua génese.

Andamos é todos aqui um pouco, se calhar sem problemas de fundo de sobrevivência e resolvemos por isso arranjar confusão com as cores. E que confusão isto virou de facto.

A definição: preto é o branco e que vai progressivamente ficando menos branco à medida que se vai aumentando a percentagem do preto, no branco. Tanto o preto como o branco na tela só servem para escurecer ou aclarar a cor de base que se está a utilizar. Se utilizamos o amarelo e queremos dar uma variante do próprio amarelo então utilizamos o branco ou preto, nunca outra cor porque aí alteramos o amarelo.

Sugiro que em vez de andarmos aqui a chamar as pessoas pela sua cor, passemos a chamar pela sua espécie (mamífero etc) que dá menos confusão e não provoca confusão pelo menos em pessoas como eu que trabalho com cores.

E basta ler jornais para ver a confusão, uns chamam de negro outro de pretos, uns de brancos outros de Europeus. Tão a ver a confusão?

Um ladrão pode ter qualquer cor.
Um assasino pode ter qualquer cor.
Um cientista pode ter qualquer cor.


No fundo o que varia de facto são as experiências de cada um, a formação de cada um, e a tal de alma que ninguém conseguiu ainda explicar como deve ser e por fim o carácter, o DNA que recebemos dos nossos pais, os nossos pais dos nossos avós e por aí fora.

Vamos tentar não misturar a política mas que não seja criada a ideia de que o que é "branco" está certo e o que é "preto" está errado. Isso é que não funciona por razões claras, é tudo humano. Até porque a nossa história já nos provou que não é bem assim que devemos funcionar.

Este texto foi inspirado após ter visto durante um zapping normal no programa do Jerry Springer show o seguinte título: Racist Mom's

domingo, junho 19, 2005

Packard 1938 e as Harleys de Maputo

Costumamos ficar sempre em dois guesthouses quando vamos a nelspruit. Os hotéis deixaram de ter aquele atendimento personalizado, e é comum ver-se hoje num qualquer hotel, desde que não seja 5 strelas o seguinte:

"Ice, on the 2º floor, get it yourself".

E este fim de semana, ficámos num que tem uma vista fenomenal de Nelspruit, um atendimento doce "Passada, I have already put the heater on for you" e estava estacionado lá um clássico: Packard totalmente reconstruído, preto de 1938.

E eu? Sentei a bunda lá dentro, toquei e mexi nos piscas, nos travões (tem um motor igual ao meu BMW), nas escovas, volante, dei uns saltinhos, senti-me num porta-aviões e agradeci ao dono a possibilidade de poder absorver algo que até nós já esquecemos que existe. O dono levou 30 anos a recosntruir e preferiu não dizer quanto gastou.

O que não se parecia com nada era o rádio, JVC com remote controle que retirou um pouco a magia da coisa. Ele veio de pretoria até Nelspruit para um evento.

Entretanto, passou a ser comum ver-se os motards das Harleys no Mundo's ali na Julius Nyerere a divertirtem-se com LM. É costume vê-los em Sabie, num barzinho todo giro com uma paisagem lindíssima e para eles virem aqui naqueles motores é quintal, né.