segunda-feira, junho 20, 2005

Preto ou negro

Estudei artes gráficas e sou na essência de África,a minha confusão começa aqui.

Negro foi sempre aquela "cor" definida com uma carga dramática impressionante, própria para encaixar vazios ou completar contrastes, acumulação de todas as cores.

Preto é uma palavra carregada de insulto e históricamente utilizada para se referir a aquelas pessoas menos brancas com uma carga de "insulto".


No entanto pessoas com a cor preta ou negra, na realidade conheço muito poucos, mais lá para o centro de África tudo o resto é um castanho mais claro ou menos escuro.

Na realidade estas pessoas não são nem negras nem pretas, no seu verdadeiro sentido da palavra, são de facto castanhas.

Branco, é aquela cor que reflete, ausente de qualquer outra cor e que também é utilizada para o contraste e emprestar espaços e atribuir uma variação de uma qualquer outra cor.

Mas não existe outra cor para definir as pessoas brancas e no entanto elas também não são brancas como o branco que conhecemos e nos é ensinado nas escolas. Podem ir do cor de rosa a uma total ausência de cor ou pigmentação e passando pelos castanhos mais claros.

Eu pessoalmente tenho alguma dificuldade em chamar as pessoas menos brancas de negros porque esta palavra para mim é carregada de maior negativismo do que o preto.

Então em que é que ficamos, porque dizer que uma pessoa é branca e chamá-la de Europeu é um erro, existe pretos ou negros da Europa. Dizer que um Africano pressuponha que seja preto ou negro é também um erro porque existe brancos de África.

No caso dos Asiáticos é diferente, são amarelos. Aqui também há erro porque o amarelo que eu conheço das cores nada tem a haver com o amarelo que resolvemos considerar aos Asiáticos. De novo a variação do castanho mais claro, menos claro.

Não falarei das migrações porque aqui e até à data parece que viemos todos de África, segundo a comunidade científca e histórica da humanidade.

Também sabemos que as características de uns de outros resultam de acordo com as adaptações climatéricas. Se o frio desenvolveu mais uns que outros, dá isso direito aos mais desenvolvidos terem a atitude menos desenvolvida em relação aos que não se desenvolveram?

Há claramente aqui um equívoco de postura perante toda esta confusão de cores. É que amarelo é amarelo e cor de vinho é cor de vinho. Tal como a matemática não podemos andar aqui a chamar cores a cores que não o são.

O lado social da questão, qualquer psicólogo vos dirá que assim é. Atribuímos sentidos e significados às cores de acordo com a experiência de cada um, mas as cores não mudam na sua génese.

Andamos é todos aqui um pouco, se calhar sem problemas de fundo de sobrevivência e resolvemos por isso arranjar confusão com as cores. E que confusão isto virou de facto.

A definição: preto é o branco e que vai progressivamente ficando menos branco à medida que se vai aumentando a percentagem do preto, no branco. Tanto o preto como o branco na tela só servem para escurecer ou aclarar a cor de base que se está a utilizar. Se utilizamos o amarelo e queremos dar uma variante do próprio amarelo então utilizamos o branco ou preto, nunca outra cor porque aí alteramos o amarelo.

Sugiro que em vez de andarmos aqui a chamar as pessoas pela sua cor, passemos a chamar pela sua espécie (mamífero etc) que dá menos confusão e não provoca confusão pelo menos em pessoas como eu que trabalho com cores.

E basta ler jornais para ver a confusão, uns chamam de negro outro de pretos, uns de brancos outros de Europeus. Tão a ver a confusão?

Um ladrão pode ter qualquer cor.
Um assasino pode ter qualquer cor.
Um cientista pode ter qualquer cor.


No fundo o que varia de facto são as experiências de cada um, a formação de cada um, e a tal de alma que ninguém conseguiu ainda explicar como deve ser e por fim o carácter, o DNA que recebemos dos nossos pais, os nossos pais dos nossos avós e por aí fora.

Vamos tentar não misturar a política mas que não seja criada a ideia de que o que é "branco" está certo e o que é "preto" está errado. Isso é que não funciona por razões claras, é tudo humano. Até porque a nossa história já nos provou que não é bem assim que devemos funcionar.

Este texto foi inspirado após ter visto durante um zapping normal no programa do Jerry Springer show o seguinte título: Racist Mom's

domingo, junho 19, 2005

Packard 1938 e as Harleys de Maputo

Costumamos ficar sempre em dois guesthouses quando vamos a nelspruit. Os hotéis deixaram de ter aquele atendimento personalizado, e é comum ver-se hoje num qualquer hotel, desde que não seja 5 strelas o seguinte:

"Ice, on the 2º floor, get it yourself".

E este fim de semana, ficámos num que tem uma vista fenomenal de Nelspruit, um atendimento doce "Passada, I have already put the heater on for you" e estava estacionado lá um clássico: Packard totalmente reconstruído, preto de 1938.

E eu? Sentei a bunda lá dentro, toquei e mexi nos piscas, nos travões (tem um motor igual ao meu BMW), nas escovas, volante, dei uns saltinhos, senti-me num porta-aviões e agradeci ao dono a possibilidade de poder absorver algo que até nós já esquecemos que existe. O dono levou 30 anos a recosntruir e preferiu não dizer quanto gastou.

O que não se parecia com nada era o rádio, JVC com remote controle que retirou um pouco a magia da coisa. Ele veio de pretoria até Nelspruit para um evento.

Entretanto, passou a ser comum ver-se os motards das Harleys no Mundo's ali na Julius Nyerere a divertirtem-se com LM. É costume vê-los em Sabie, num barzinho todo giro com uma paisagem lindíssima e para eles virem aqui naqueles motores é quintal, né.

sexta-feira, junho 17, 2005

Ai, lá vou eu

Lá vou eu fazer os tais 200kms, vou ali já venho. A um outro país, a uma outra cidade, cheiros, cores e tipos.

Juro que vou escrever ao Home Affairs de Nelspruit a pedir o obséquio de me enviar a totalidade de entradas e saídas que já fiz desde 1979, pode ser que entre numa qualquer rubrica do Guiness Book e ganhar $5000. Pago assim as próximas quinhentas mil que estão ainda por fazer.

Té manhã

quarta-feira, junho 15, 2005

A contra informação

Calma, cuidado.

A forma como a informação chega aí nem sempre tem a mesma "intensidade" que ela faz parecer.

Sim: existe insegurança, mas a de quem? os que vivem na cidade de Maputo? E todos os cidadão que vivem nos arredores, acreditem é bem pior...
Facto: com a abolição dos vistos importamos também uma insegurança mais agressiva, como já mencionei em post anterior, mas os cuidados que se podem ter também podem evitar muita coisa. Não retirando os acontecimentos, é preciso ter alguma calma para não cairmos em exageros.

Não: NÂO TEMOS LEÕES NO MEIO DAS RUAS, OK!!!
Facto: Temos sim, baratas, ratos, aranhas, uma cobrita aqui e ali, cães, gatos, mosquitos, bactérias e virus.

Beijos, abraços e despachos.

terça-feira, junho 14, 2005