sexta-feira, junho 10, 2005
Quem me lê?
Agora neste momento? Hein? Quem é, quem é? Acusa-te! E falas português.
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quinta-feira, junho 09, 2005
Prós e Contras
É o programa que costumo ver aqui deste lado, creio que um dia depois de passar aí. Pela sua abrangência, painel e intervenções feitas.
O último com Pacheco Pereira, Miguel Beleza etc e não me passou despercebido o fato elegante do Beleza e a acompanhar este seu estilo um relógio tipo swatch do mickey mouse, pode?
Azul e tudo.
Fartei-me de rir e assustei-me com o pensamento do meu anterior post.
Fala-se de economia.
O último com Pacheco Pereira, Miguel Beleza etc e não me passou despercebido o fato elegante do Beleza e a acompanhar este seu estilo um relógio tipo swatch do mickey mouse, pode?
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Fartei-me de rir e assustei-me com o pensamento do meu anterior post.
Fala-se de economia.
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quarta-feira, junho 08, 2005
O choque cultural
África do Sul (AS) é para mim, dos países mais bonitos, multiracial (mesmo, a mistura a variadíssima e grande), de grandes avanços tecnológicos, com boas infraestruturas. O país que me mostrou as grandes superfícies, ainda andava a Europa a pensar nelas, as tais autoestradas, um parque natural com vida selvagem protegida (Kruger Park) maior que Portugal, o fast food e uma estrutura social impressionante. Fora o apartheid.
O que eu não ando a aguentar são as notícias de bébés com cinco (5) meses apenas a serem violados por homens feitos.
É a terra dos grandes assasinatos, qual EUA a produzir os seus próprios serial killers, não fosse o filme "monster" ter ganho essa vertente de uma actriz ela própria com uma estória da mãe ter morto o pai.
Terra dos mais macabros efeitos violentos, terra cheia, cheíssima de gente a produzir cidades com um nível de insegurança impressionante. Visível na publicidade feita há tempos do cartão visa onde se vê uma sul africana branca na europa a telefonar em desespero para a visa porque foi assaltada lá!!!!! E no final aparece em texto "so many thousand south african citizens are robbed in europe".
Este jeito apurado, inteligente, maldoso da contra-informação que a AS é de facto campeã leva a extremos destes, e vão sempre passando.
O ódio que têm dos americanos é também ele fenomenal, chegando a ser ouvido em conversas amenas, sociais que estão prontos para os americanos e que também têm uma arma nuclear...
Eu cheguei a viver neste país, onde eu própria era demasiado "escura" para lá estar, hoje AS é um país integrado onde uma grande maioria quer o seu trabalho, tem eventualmente as questões rácicas resolvidas e pretende assegurar o futuro.
O que não está certo é a violação de bébés com 5 meses. Isso não aguento lá muito bem!
Aqui em maputo, não sabemos de nenhum caso destes, que supostamente tem a sua origem na doença HIV-Sida, pelo menos nos meios de comunicação, mas hoje num dos jornais aparece a manchete de crianças que cmeças a ser abandonadas por causa da doença.
Um misto de não saber o que fazer, como fazer e não correr o risco de perder a casa, o marido, a família do marido e ou o emprego por causa da doença.
Devagarinho entrei nesta já cansada e clássica complicação social. Tenho o hábito de dizer que a diabetes mata mais depressa, mas não parece ser o suficiente. O país onde escolhi viver por todas as razões mais do que óbvias é severamente afectado por esta doença (e outras) e estamos a ver centenas se não milhares de moçambicanos a definhar sem qualquer tipo de possibilidade de lutar contra. Apesar dos milhões que entram e tal como na europa onde um estudo provou que os milhões gastos em comunicação, as pessoas não mudaram seus hábitos sexuais i.e. continuam a ir a prostitutas sem a prevenção do preservativo etc., aqui não vai ser diferente.
Mas o tema deste post vai para todos aqueles bébés que não têm como se defender, não têm como gritar socorro apenas despejar a lágrima da dor que lhe é infligido e a todos estes homens (e mulheres?) que concebem este ato horrendo, monstruoso, deshumano tenham um final muito infeliz.
Eu sei que não se deseja o mal a ninguém, mas há "ninguéns" que mereciam o pior que este mundo tem para lhes oferecer. Não, não é pena de morte, não, isso é demasiado fácil, é ser-lhes arrancado o sexo que nem a tortura renascentista do nosso amigo Da Vinci, devagar muito devagarinho, para doer cada gota de sangue por cada penetração feita a um bébé, cada rasgão do escroto, cada veia, cada músculo, cada suspiro de ar, assim ficar não semanas mas meses, anos até apodrecer de maldade.
Meu coração torcia, quando vi a peça jornalística de um bébé com 5 meses que sobreviveu a uma violação com 3 homens, minhas lágrimas pareciam do tamanho de todos os rios do mundo (mesmo os contrários - o Nilo), as entranhas apertaram como se tivesse a ter contracções duma gravidez e desesperei ante tamanha barbaridade.
Não contarei os pormenores dos danos físicos do bébé, mas dificilmente me sairá da mente o olhar, a dor que me fez sentir por ele e da profunda tristeza que me assolou saber que pessoas maduras, crescidas tivessem tamanha coragem de fazer.
O nosso lado humano muito, muito desesperadamente ruim.
Vários escritores, pessoas, interessadas escreveram sobre a beleza que existe no olhar do bébé africano aquele olhar meigo, quiça pelos longos meses de mama, onde a capacidade de sorrir e dançar mesmo quando nada têm, é algo indiscritível pela sua magia e a ternura com que nos invade o nosso ser. Violar isto aos 5 meses de idade é crime.
O que eu não ando a aguentar são as notícias de bébés com cinco (5) meses apenas a serem violados por homens feitos.
É a terra dos grandes assasinatos, qual EUA a produzir os seus próprios serial killers, não fosse o filme "monster" ter ganho essa vertente de uma actriz ela própria com uma estória da mãe ter morto o pai.
Terra dos mais macabros efeitos violentos, terra cheia, cheíssima de gente a produzir cidades com um nível de insegurança impressionante. Visível na publicidade feita há tempos do cartão visa onde se vê uma sul africana branca na europa a telefonar em desespero para a visa porque foi assaltada lá!!!!! E no final aparece em texto "so many thousand south african citizens are robbed in europe".
Este jeito apurado, inteligente, maldoso da contra-informação que a AS é de facto campeã leva a extremos destes, e vão sempre passando.
O ódio que têm dos americanos é também ele fenomenal, chegando a ser ouvido em conversas amenas, sociais que estão prontos para os americanos e que também têm uma arma nuclear...
Eu cheguei a viver neste país, onde eu própria era demasiado "escura" para lá estar, hoje AS é um país integrado onde uma grande maioria quer o seu trabalho, tem eventualmente as questões rácicas resolvidas e pretende assegurar o futuro.
O que não está certo é a violação de bébés com 5 meses. Isso não aguento lá muito bem!
Aqui em maputo, não sabemos de nenhum caso destes, que supostamente tem a sua origem na doença HIV-Sida, pelo menos nos meios de comunicação, mas hoje num dos jornais aparece a manchete de crianças que cmeças a ser abandonadas por causa da doença.
Um misto de não saber o que fazer, como fazer e não correr o risco de perder a casa, o marido, a família do marido e ou o emprego por causa da doença.
Devagarinho entrei nesta já cansada e clássica complicação social. Tenho o hábito de dizer que a diabetes mata mais depressa, mas não parece ser o suficiente. O país onde escolhi viver por todas as razões mais do que óbvias é severamente afectado por esta doença (e outras) e estamos a ver centenas se não milhares de moçambicanos a definhar sem qualquer tipo de possibilidade de lutar contra. Apesar dos milhões que entram e tal como na europa onde um estudo provou que os milhões gastos em comunicação, as pessoas não mudaram seus hábitos sexuais i.e. continuam a ir a prostitutas sem a prevenção do preservativo etc., aqui não vai ser diferente.
Mas o tema deste post vai para todos aqueles bébés que não têm como se defender, não têm como gritar socorro apenas despejar a lágrima da dor que lhe é infligido e a todos estes homens (e mulheres?) que concebem este ato horrendo, monstruoso, deshumano tenham um final muito infeliz.
Eu sei que não se deseja o mal a ninguém, mas há "ninguéns" que mereciam o pior que este mundo tem para lhes oferecer. Não, não é pena de morte, não, isso é demasiado fácil, é ser-lhes arrancado o sexo que nem a tortura renascentista do nosso amigo Da Vinci, devagar muito devagarinho, para doer cada gota de sangue por cada penetração feita a um bébé, cada rasgão do escroto, cada veia, cada músculo, cada suspiro de ar, assim ficar não semanas mas meses, anos até apodrecer de maldade.
Meu coração torcia, quando vi a peça jornalística de um bébé com 5 meses que sobreviveu a uma violação com 3 homens, minhas lágrimas pareciam do tamanho de todos os rios do mundo (mesmo os contrários - o Nilo), as entranhas apertaram como se tivesse a ter contracções duma gravidez e desesperei ante tamanha barbaridade.
Não contarei os pormenores dos danos físicos do bébé, mas dificilmente me sairá da mente o olhar, a dor que me fez sentir por ele e da profunda tristeza que me assolou saber que pessoas maduras, crescidas tivessem tamanha coragem de fazer.
O nosso lado humano muito, muito desesperadamente ruim.
Vários escritores, pessoas, interessadas escreveram sobre a beleza que existe no olhar do bébé africano aquele olhar meigo, quiça pelos longos meses de mama, onde a capacidade de sorrir e dançar mesmo quando nada têm, é algo indiscritível pela sua magia e a ternura com que nos invade o nosso ser. Violar isto aos 5 meses de idade é crime.
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quarta-feira, junho 08, 2005
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terça-feira, junho 07, 2005
N4 Maputo-Nelspruit-Johanesburgo (JHB)
Entretanto já fui a Nelspruit e voltei, entre ontem e hoje. Arranquei às 13h00, cheguei às 17h00 fui ao dentista (dente novo, vida nova e pelo meio lá tive de cancelar uma reunião deveras importante) e voltei esta manhã.
Porque interessa isto. Simples.
A N4, estrada que nos liga desde que me conheço a viajar entre Maputo e Joanesburgo, é hoje e talvez dos símbolos mais culturais e cosmopolitas que temos. Vamos aos avanços de Maputo nos últimos 11 anos (eu disse Maputo não Moçambique):
1. Cresceram como cogumelos os cafés, os bolos e pastelarias e que nos emprestam aquele cheiro a cidade, a pão fresco e ao puro ócio de tomar a cafeína (já dizia o outro que por trás de uma grande mulher estão toneladas de caféina);
2. As lojas foram devagarzinho deixando de ter grades, substituídas por luzes e decorações nunca antes vistas. Ainda hoje existem lojas com grades, claro! Zonas quentes, mas elas há até porque já temos shopping centres tá a ver?
3. A falta de gosto pelo décor passou a ser quem melhor decora e hoje praticam-se acções de marketing puras, básicas e muitas vezes não sabemos que as fazemos, mas estão lá todas. Para os que não sabem as ruas de Maputo estão apetrechadas de supermercados ambulantes, impressionante a forma como se "mostram" os vários produtos em cartolinas, sacos do Pick&Pay (cadeia sula africana), paus de vassoura e o mais incrível é o que se pode comprar assim com o estalar do dedo. Tem de tudo!!! Este assunto é meio complicado por causa do nosso mercado informal mas que é ainda hoje grande e o grande sustento de muitas famílias. Já vi tennis com o preço em euros nas mãos de putos com 15 anos.
4. Como os cafés, nasceram os centros: shoprite, centro polana shopping, game, mica e o já conhecido Delta trading. Vai nascer e para os que conhecem a baixa de LM, ali mesmo perto do porto um monstro dum centro comercial com 9 salas de cinemas, muitas lojas, hotel....não dá para acreditar. Mercado parado e construimos para o consumo. O que é que eu não sei??
5. A nossa querida N4 e dela nasceram pelos menos duas portagens, uma em Maputo (que por sinal é a maior de África!!!) a 14.500,00Mts ($0,60) e a de Moamba mais cara e muito mais pequena a 77.000,00Mts ($3,20 uma pipa de massa) e a última já na África do Sul a 32,00Zar($5,3). Isto só para chegarmos a Nelspruit. Fazemos 200kms de Maputo a Nelspruit e gastamos $10 só com uma ida. Fora comidas, gasolina, estadias, compras etc.
6. O mais importante: acabaram os vistos entre Moçambique e África do Sul, aquela passagem por Ressano deixou de ser elitizada. Tem sido interessante ver as pessoas a aprenderem as voltas, papeladas e regras duma fronteira. Passo a informação que a Swazilândia também já aboliu.
O cerne desta estória: a N4 abriu sem dúvida para o desenvolvimento. Estima-se uma circulação de viaturas na portagem de Maputo (Matola-Maputo-África do Sul) cerca de 30.000 viaturas por dia!!! Quem conhece esta cidade sabe que isso é monstro.
O bonito desta estória: o cenário do lado da África do Sul é lindíssimo e muitíssimo variado, da fronteiro do Lebombo a Neslpruit passamos por: cultivo de banana, cana de açucar, citrinos, Kruger Park, quintas ou farmeiros e agora o muito recente aeroporto do Kruger um edifício lindíssimo e internacional. Do lado de cá, Ressano Garcia para Maputo, passamos por micaias, uma planície interminável de horizonte a vislumbrar o melhor e pior negócio que aqui foi feito a Mozal, tudo já com cerca a anunciar a construção de sei lá tudo. Na última curva antes de chegar a Ressano parece estar a nascer um hotel tipo Town Lodge. Isto para dizer que os vizinhos boers aqui do lado conseguiram manter o desenvolvimento e o selvagem harmonioso, vamos ver se nós deste lado conseguimos. De Ressano a Maputo já tem um tubo para gás canalizado......isto para quem conhece sabe o que quer dizer.
O estranho desta estória: os neslpruiteiros dão-se bem com os maputenses. incrivel. Parece que fazemos parte da mesma panela. Já é tão comum ver matrículas de cá e de lá, cá ou lá que os polícias já nem ligam, a não ser aos que pisam o acelerador.
O hábito adquirido: é comum na estrada o carro da frente se tiver uma marcha inferior à nossa, enconstar e deixar passar (esta nem em Portugal vi em 12 anos) isto na África do Sul, e nós os de cá parece que aderimos a esta simpatia. Passamos, agradecemos a ligar os 4 piscas e o carro passado retribui com o acender das luzes. Very nice. Mas claro que há os nabos ali do lado de Durban que nem por isso, ou os de JHB ou Gautengalengers como chamamos com imenso carinho. São mais agressivos.
O referencial histórico: nós aqui de Maputo arrancamos assim sem mais nem menos, para fazer 200kms para Nelspruit ou 600kms para JHB num fim de semana.
O negativo desta estória: importamos a insegurança. Eu explico: quando se rouba um carro aqui à mão armada, o ladrão informa-nos que nos vai levar o carro, do lado da SA (South Africa) é um pouco diferente, primeiro dão o tiro e nem sequer nos dizem o que pretendem. Não há direito. Mas atenção aqui também pode acontecer levar o tiro como foi o caso semana passada duma Russa, mas o problema é a resistência. Isso é que não aquenta o ladrão deste lado.
O cultural desta estória: este caminho Maputo-Nelspruit é recheado de cenários agrícolas, selvagens, de cidade, de horizonte e de estórias. Boas e más. Mas importa referir que a estrada foi alargada e isso melhorou a segurança. O último troço de 30kms antes de Nelspruit é lindíssimo, espectacular em termos paisagísticos, montanhoso cheio de menires naturais (acho que Óbelix passou por àfrica e ninguém sabe) e por sinal o menos seguro.
Isto para dizer que uma simples estrada, para mim tem um significado histórico e de estória muito importante. E nem toquei no caminho Nelspruit-JHB. É outro filme. Foi onde vi pela primeira vez na minha vida autoestradas de betão esbranquiçadas, intermináveis, com montes de faixas. Quando a Portugal cheguei em 1983 tive aquela sensação de andar para trás.
Porque interessa isto. Simples.
A N4, estrada que nos liga desde que me conheço a viajar entre Maputo e Joanesburgo, é hoje e talvez dos símbolos mais culturais e cosmopolitas que temos. Vamos aos avanços de Maputo nos últimos 11 anos (eu disse Maputo não Moçambique):
1. Cresceram como cogumelos os cafés, os bolos e pastelarias e que nos emprestam aquele cheiro a cidade, a pão fresco e ao puro ócio de tomar a cafeína (já dizia o outro que por trás de uma grande mulher estão toneladas de caféina);
2. As lojas foram devagarzinho deixando de ter grades, substituídas por luzes e decorações nunca antes vistas. Ainda hoje existem lojas com grades, claro! Zonas quentes, mas elas há até porque já temos shopping centres tá a ver?
3. A falta de gosto pelo décor passou a ser quem melhor decora e hoje praticam-se acções de marketing puras, básicas e muitas vezes não sabemos que as fazemos, mas estão lá todas. Para os que não sabem as ruas de Maputo estão apetrechadas de supermercados ambulantes, impressionante a forma como se "mostram" os vários produtos em cartolinas, sacos do Pick&Pay (cadeia sula africana), paus de vassoura e o mais incrível é o que se pode comprar assim com o estalar do dedo. Tem de tudo!!! Este assunto é meio complicado por causa do nosso mercado informal mas que é ainda hoje grande e o grande sustento de muitas famílias. Já vi tennis com o preço em euros nas mãos de putos com 15 anos.
4. Como os cafés, nasceram os centros: shoprite, centro polana shopping, game, mica e o já conhecido Delta trading. Vai nascer e para os que conhecem a baixa de LM, ali mesmo perto do porto um monstro dum centro comercial com 9 salas de cinemas, muitas lojas, hotel....não dá para acreditar. Mercado parado e construimos para o consumo. O que é que eu não sei??
5. A nossa querida N4 e dela nasceram pelos menos duas portagens, uma em Maputo (que por sinal é a maior de África!!!) a 14.500,00Mts ($0,60) e a de Moamba mais cara e muito mais pequena a 77.000,00Mts ($3,20 uma pipa de massa) e a última já na África do Sul a 32,00Zar($5,3). Isto só para chegarmos a Nelspruit. Fazemos 200kms de Maputo a Nelspruit e gastamos $10 só com uma ida. Fora comidas, gasolina, estadias, compras etc.
6. O mais importante: acabaram os vistos entre Moçambique e África do Sul, aquela passagem por Ressano deixou de ser elitizada. Tem sido interessante ver as pessoas a aprenderem as voltas, papeladas e regras duma fronteira. Passo a informação que a Swazilândia também já aboliu.
O cerne desta estória: a N4 abriu sem dúvida para o desenvolvimento. Estima-se uma circulação de viaturas na portagem de Maputo (Matola-Maputo-África do Sul) cerca de 30.000 viaturas por dia!!! Quem conhece esta cidade sabe que isso é monstro.
O bonito desta estória: o cenário do lado da África do Sul é lindíssimo e muitíssimo variado, da fronteiro do Lebombo a Neslpruit passamos por: cultivo de banana, cana de açucar, citrinos, Kruger Park, quintas ou farmeiros e agora o muito recente aeroporto do Kruger um edifício lindíssimo e internacional. Do lado de cá, Ressano Garcia para Maputo, passamos por micaias, uma planície interminável de horizonte a vislumbrar o melhor e pior negócio que aqui foi feito a Mozal, tudo já com cerca a anunciar a construção de sei lá tudo. Na última curva antes de chegar a Ressano parece estar a nascer um hotel tipo Town Lodge. Isto para dizer que os vizinhos boers aqui do lado conseguiram manter o desenvolvimento e o selvagem harmonioso, vamos ver se nós deste lado conseguimos. De Ressano a Maputo já tem um tubo para gás canalizado......isto para quem conhece sabe o que quer dizer.
O estranho desta estória: os neslpruiteiros dão-se bem com os maputenses. incrivel. Parece que fazemos parte da mesma panela. Já é tão comum ver matrículas de cá e de lá, cá ou lá que os polícias já nem ligam, a não ser aos que pisam o acelerador.
O hábito adquirido: é comum na estrada o carro da frente se tiver uma marcha inferior à nossa, enconstar e deixar passar (esta nem em Portugal vi em 12 anos) isto na África do Sul, e nós os de cá parece que aderimos a esta simpatia. Passamos, agradecemos a ligar os 4 piscas e o carro passado retribui com o acender das luzes. Very nice. Mas claro que há os nabos ali do lado de Durban que nem por isso, ou os de JHB ou Gautengalengers como chamamos com imenso carinho. São mais agressivos.
O referencial histórico: nós aqui de Maputo arrancamos assim sem mais nem menos, para fazer 200kms para Nelspruit ou 600kms para JHB num fim de semana.
O negativo desta estória: importamos a insegurança. Eu explico: quando se rouba um carro aqui à mão armada, o ladrão informa-nos que nos vai levar o carro, do lado da SA (South Africa) é um pouco diferente, primeiro dão o tiro e nem sequer nos dizem o que pretendem. Não há direito. Mas atenção aqui também pode acontecer levar o tiro como foi o caso semana passada duma Russa, mas o problema é a resistência. Isso é que não aquenta o ladrão deste lado.
O cultural desta estória: este caminho Maputo-Nelspruit é recheado de cenários agrícolas, selvagens, de cidade, de horizonte e de estórias. Boas e más. Mas importa referir que a estrada foi alargada e isso melhorou a segurança. O último troço de 30kms antes de Nelspruit é lindíssimo, espectacular em termos paisagísticos, montanhoso cheio de menires naturais (acho que Óbelix passou por àfrica e ninguém sabe) e por sinal o menos seguro.
Isto para dizer que uma simples estrada, para mim tem um significado histórico e de estória muito importante. E nem toquei no caminho Nelspruit-JHB. É outro filme. Foi onde vi pela primeira vez na minha vida autoestradas de betão esbranquiçadas, intermináveis, com montes de faixas. Quando a Portugal cheguei em 1983 tive aquela sensação de andar para trás.
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terça-feira, junho 07, 2005
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domingo, junho 05, 2005
Desculpem-me
Falta-me a completa inspiração.
Esgota-me o que o mundo me arranca, cada dia em que ando nele.
Não sou suicida, depressiva, negativa ou coisa parecida.
Ando viva.
Esgota-me o que o mundo me arranca, cada dia em que ando nele.
Não sou suicida, depressiva, negativa ou coisa parecida.
Ando viva.
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