sexta-feira, junho 10, 2005

Quem me lê?

Agora neste momento? Hein? Quem é, quem é? Acusa-te! E falas português.

quinta-feira, junho 09, 2005

Prós e Contras

É o programa que costumo ver aqui deste lado, creio que um dia depois de passar aí. Pela sua abrangência, painel e intervenções feitas.

O último com Pacheco Pereira, Miguel Beleza etc e não me passou despercebido o fato elegante do Beleza e a acompanhar este seu estilo um relógio tipo swatch do mickey mouse, pode?

Azul e tudo.

Fartei-me de rir e assustei-me com o pensamento do meu anterior post.

Fala-se de economia.

quarta-feira, junho 08, 2005

O choque cultural

África do Sul (AS) é para mim, dos países mais bonitos, multiracial (mesmo, a mistura a variadíssima e grande), de grandes avanços tecnológicos, com boas infraestruturas. O país que me mostrou as grandes superfícies, ainda andava a Europa a pensar nelas, as tais autoestradas, um parque natural com vida selvagem protegida (Kruger Park) maior que Portugal, o fast food e uma estrutura social impressionante. Fora o apartheid.

O que eu não ando a aguentar são as notícias de bébés com cinco (5) meses apenas a serem violados por homens feitos.

É a terra dos grandes assasinatos, qual EUA a produzir os seus próprios serial killers, não fosse o filme "monster" ter ganho essa vertente de uma actriz ela própria com uma estória da mãe ter morto o pai.

Terra dos mais macabros efeitos violentos, terra cheia, cheíssima de gente a produzir cidades com um nível de insegurança impressionante. Visível na publicidade feita há tempos do cartão visa onde se vê uma sul africana branca na europa a telefonar em desespero para a visa porque foi assaltada lá!!!!! E no final aparece em texto "so many thousand south african citizens are robbed in europe".

Este jeito apurado, inteligente, maldoso da contra-informação que a AS é de facto campeã leva a extremos destes, e vão sempre passando.

O ódio que têm dos americanos é também ele fenomenal, chegando a ser ouvido em conversas amenas, sociais que estão prontos para os americanos e que também têm uma arma nuclear...

Eu cheguei a viver neste país, onde eu própria era demasiado "escura" para lá estar, hoje AS é um país integrado onde uma grande maioria quer o seu trabalho, tem eventualmente as questões rácicas resolvidas e pretende assegurar o futuro.

O que não está certo é a violação de bébés com 5 meses. Isso não aguento lá muito bem!

Aqui em maputo, não sabemos de nenhum caso destes, que supostamente tem a sua origem na doença HIV-Sida, pelo menos nos meios de comunicação, mas hoje num dos jornais aparece a manchete de crianças que cmeças a ser abandonadas por causa da doença.

Um misto de não saber o que fazer, como fazer e não correr o risco de perder a casa, o marido, a família do marido e ou o emprego por causa da doença.

Devagarinho entrei nesta já cansada e clássica complicação social. Tenho o hábito de dizer que a diabetes mata mais depressa, mas não parece ser o suficiente. O país onde escolhi viver por todas as razões mais do que óbvias é severamente afectado por esta doença (e outras) e estamos a ver centenas se não milhares de moçambicanos a definhar sem qualquer tipo de possibilidade de lutar contra. Apesar dos milhões que entram e tal como na europa onde um estudo provou que os milhões gastos em comunicação, as pessoas não mudaram seus hábitos sexuais i.e. continuam a ir a prostitutas sem a prevenção do preservativo etc., aqui não vai ser diferente.

Mas o tema deste post vai para todos aqueles bébés que não têm como se defender, não têm como gritar socorro apenas despejar a lágrima da dor que lhe é infligido e a todos estes homens (e mulheres?) que concebem este ato horrendo, monstruoso, deshumano tenham um final muito infeliz.

Eu sei que não se deseja o mal a ninguém, mas há "ninguéns" que mereciam o pior que este mundo tem para lhes oferecer. Não, não é pena de morte, não, isso é demasiado fácil, é ser-lhes arrancado o sexo que nem a tortura renascentista do nosso amigo Da Vinci, devagar muito devagarinho, para doer cada gota de sangue por cada penetração feita a um bébé, cada rasgão do escroto, cada veia, cada músculo, cada suspiro de ar, assim ficar não semanas mas meses, anos até apodrecer de maldade.

Meu coração torcia, quando vi a peça jornalística de um bébé com 5 meses que sobreviveu a uma violação com 3 homens, minhas lágrimas pareciam do tamanho de todos os rios do mundo (mesmo os contrários - o Nilo), as entranhas apertaram como se tivesse a ter contracções duma gravidez e desesperei ante tamanha barbaridade.

Não contarei os pormenores dos danos físicos do bébé, mas dificilmente me sairá da mente o olhar, a dor que me fez sentir por ele e da profunda tristeza que me assolou saber que pessoas maduras, crescidas tivessem tamanha coragem de fazer.

O nosso lado humano muito, muito desesperadamente ruim.

Vários escritores, pessoas, interessadas escreveram sobre a beleza que existe no olhar do bébé africano aquele olhar meigo, quiça pelos longos meses de mama, onde a capacidade de sorrir e dançar mesmo quando nada têm, é algo indiscritível pela sua magia e a ternura com que nos invade o nosso ser. Violar isto aos 5 meses de idade é crime.

terça-feira, junho 07, 2005

N4 Maputo-Nelspruit-Johanesburgo (JHB)

Entretanto já fui a Nelspruit e voltei, entre ontem e hoje. Arranquei às 13h00, cheguei às 17h00 fui ao dentista (dente novo, vida nova e pelo meio lá tive de cancelar uma reunião deveras importante) e voltei esta manhã.

Porque interessa isto. Simples.

A N4, estrada que nos liga desde que me conheço a viajar entre Maputo e Joanesburgo, é hoje e talvez dos símbolos mais culturais e cosmopolitas que temos. Vamos aos avanços de Maputo nos últimos 11 anos (eu disse Maputo não Moçambique):

1. Cresceram como cogumelos os cafés, os bolos e pastelarias e que nos emprestam aquele cheiro a cidade, a pão fresco e ao puro ócio de tomar a cafeína (já dizia o outro que por trás de uma grande mulher estão toneladas de caféina);

2. As lojas foram devagarzinho deixando de ter grades, substituídas por luzes e decorações nunca antes vistas. Ainda hoje existem lojas com grades, claro! Zonas quentes, mas elas há até porque já temos shopping centres tá a ver?

3. A falta de gosto pelo décor passou a ser quem melhor decora e hoje praticam-se acções de marketing puras, básicas e muitas vezes não sabemos que as fazemos, mas estão lá todas. Para os que não sabem as ruas de Maputo estão apetrechadas de supermercados ambulantes, impressionante a forma como se "mostram" os vários produtos em cartolinas, sacos do Pick&Pay (cadeia sula africana), paus de vassoura e o mais incrível é o que se pode comprar assim com o estalar do dedo. Tem de tudo!!! Este assunto é meio complicado por causa do nosso mercado informal mas que é ainda hoje grande e o grande sustento de muitas famílias. Já vi tennis com o preço em euros nas mãos de putos com 15 anos.

4. Como os cafés, nasceram os centros: shoprite, centro polana shopping, game, mica e o já conhecido Delta trading. Vai nascer e para os que conhecem a baixa de LM, ali mesmo perto do porto um monstro dum centro comercial com 9 salas de cinemas, muitas lojas, hotel....não dá para acreditar. Mercado parado e construimos para o consumo. O que é que eu não sei??

5. A nossa querida N4 e dela nasceram pelos menos duas portagens, uma em Maputo (que por sinal é a maior de África!!!) a 14.500,00Mts ($0,60) e a de Moamba mais cara e muito mais pequena a 77.000,00Mts ($3,20 uma pipa de massa) e a última já na África do Sul a 32,00Zar($5,3). Isto só para chegarmos a Nelspruit. Fazemos 200kms de Maputo a Nelspruit e gastamos $10 só com uma ida. Fora comidas, gasolina, estadias, compras etc.

6. O mais importante: acabaram os vistos entre Moçambique e África do Sul, aquela passagem por Ressano deixou de ser elitizada. Tem sido interessante ver as pessoas a aprenderem as voltas, papeladas e regras duma fronteira. Passo a informação que a Swazilândia também já aboliu.

O cerne desta estória: a N4 abriu sem dúvida para o desenvolvimento. Estima-se uma circulação de viaturas na portagem de Maputo (Matola-Maputo-África do Sul) cerca de 30.000 viaturas por dia!!! Quem conhece esta cidade sabe que isso é monstro.

O bonito desta estória: o cenário do lado da África do Sul é lindíssimo e muitíssimo variado, da fronteiro do Lebombo a Neslpruit passamos por: cultivo de banana, cana de açucar, citrinos, Kruger Park, quintas ou farmeiros e agora o muito recente aeroporto do Kruger um edifício lindíssimo e internacional. Do lado de cá, Ressano Garcia para Maputo, passamos por micaias, uma planície interminável de horizonte a vislumbrar o melhor e pior negócio que aqui foi feito a Mozal, tudo já com cerca a anunciar a construção de sei lá tudo. Na última curva antes de chegar a Ressano parece estar a nascer um hotel tipo Town Lodge. Isto para dizer que os vizinhos boers aqui do lado conseguiram manter o desenvolvimento e o selvagem harmonioso, vamos ver se nós deste lado conseguimos. De Ressano a Maputo já tem um tubo para gás canalizado......isto para quem conhece sabe o que quer dizer.

O estranho desta estória: os neslpruiteiros dão-se bem com os maputenses. incrivel. Parece que fazemos parte da mesma panela. Já é tão comum ver matrículas de cá e de lá, cá ou lá que os polícias já nem ligam, a não ser aos que pisam o acelerador.

O hábito adquirido: é comum na estrada o carro da frente se tiver uma marcha inferior à nossa, enconstar e deixar passar (esta nem em Portugal vi em 12 anos) isto na África do Sul, e nós os de cá parece que aderimos a esta simpatia. Passamos, agradecemos a ligar os 4 piscas e o carro passado retribui com o acender das luzes. Very nice. Mas claro que há os nabos ali do lado de Durban que nem por isso, ou os de JHB ou Gautengalengers como chamamos com imenso carinho. São mais agressivos.

O referencial histórico: nós aqui de Maputo arrancamos assim sem mais nem menos, para fazer 200kms para Nelspruit ou 600kms para JHB num fim de semana.

O negativo desta estória: importamos a insegurança. Eu explico: quando se rouba um carro aqui à mão armada, o ladrão informa-nos que nos vai levar o carro, do lado da SA (South Africa) é um pouco diferente, primeiro dão o tiro e nem sequer nos dizem o que pretendem. Não há direito. Mas atenção aqui também pode acontecer levar o tiro como foi o caso semana passada duma Russa, mas o problema é a resistência. Isso é que não aquenta o ladrão deste lado.

O cultural desta estória: este caminho Maputo-Nelspruit é recheado de cenários agrícolas, selvagens, de cidade, de horizonte e de estórias. Boas e más. Mas importa referir que a estrada foi alargada e isso melhorou a segurança. O último troço de 30kms antes de Nelspruit é lindíssimo, espectacular em termos paisagísticos, montanhoso cheio de menires naturais (acho que Óbelix passou por àfrica e ninguém sabe) e por sinal o menos seguro.

Isto para dizer que uma simples estrada, para mim tem um significado histórico e de estória muito importante. E nem toquei no caminho Nelspruit-JHB. É outro filme. Foi onde vi pela primeira vez na minha vida autoestradas de betão esbranquiçadas, intermináveis, com montes de faixas. Quando a Portugal cheguei em 1983 tive aquela sensação de andar para trás.

domingo, junho 05, 2005

Desculpem-me

Falta-me a completa inspiração.

Esgota-me o que o mundo me arranca, cada dia em que ando nele.

Não sou suicida, depressiva, negativa ou coisa parecida.

Ando viva.

quinta-feira, maio 26, 2005

Bébé de 1 ano preso

Saiu na nossa imprensa ontem e incrédula leio que no México um bébé de 1 ano foi preso por cumplicidade num roubo.

A loucura teve sempre um lugarzinho especial, muito especial na não-democracia.

Polícia: "Então, o menino ajudou a roubar"
Bébé: "gugu,gágá, mãmã, pápá"
Polícia: "Foi a sua mãe e o seu pai?"
Bébé: tira uma pistola do bolso e squish com água na cara do policia.

quarta-feira, maio 25, 2005

Passada pelo futebol

Espumadamente, falou e disse neste artigo aquilo que já vivi pela terceira vez consecutiva e que é digno de registar.

Além de eu ter filmado este evento, a vitória do Benfica, aqui na praça Robert Mugabe, constituiu talvez das mais marcantes não só pela crescente quantidade de adeptos, de campeonato para campeonato mas também e porque em Maputo se festejava um campeonato português.

Já está mais ou menos abordado no artigo do Espumadamente, mas e repito, é preciso viver o momento para assimilar tamanho jubilo por uma equipa que não é nacional.

Há tempos, o nosso Machado da Graça fez um artigo, na altura do Euro 2004, onde os Moçambicanos "torciam" pelos Portugueses e onde pela TV seríamos todos colonizados pelo futebol (que dirá ele das telenovelas brasileiras e agora a crescente parceria com uma das nossas televisões) e onde ao que parece teve respostas de um autor anónimo, onde questionava o porquê de tanta estranheza nestes festejos.

Moçambique e Portugal, pelo bom e pelo mau têm um histórico referencial comum na sua vivência, mas acima de tudo e o mais importante é que no desporto não se discute política (apesar de tanta existir: apitos dourados, prateados, platinados...), joga-se e promove-se o intercâmbio cultural, o fair play, a exuberação dos sentimento e da emoção antes clássicamente pelos homens, hoje as mulheres estão lá todas a gritar com os mesmos decibéis.

O desporto aqui em Moçambique, mais pelo futebol, a grande alavanca dessa área, tem vindo a ter impulso, crescimento e consequente aderência e não tarda muito estaremos a ver em Lisboa, no Porto e no Algarve multidões de Moçambicanos a gritar pelo Maxaquene, Desportivo ou o Costa do Sol em plena esplanada juntamente com Portugueses e quiça Brasileiros e Eslovenos.

Improvavel mas não impossível. Cero, certo e tenho o registo filmado, foram centenas devem ter chegado a ser milhares de pessoas e viaturas na praça a cantar o SLB, com luzes, piscas, boa disposição e a festejar aquela que é a área de maior engajamento cultural, concorrendo assim com a música.

Bem haja o desporto.

quinta-feira, maio 19, 2005

Derrota pesada, mas verde

Buuuuuuuuuuuááááááá, chuif chuif chuif.

"Olhe, desculpe pode passar um tissue please?"

Quando é o próximo jogo?

terça-feira, maio 17, 2005

Harley Davidson, in Maputo

O cinema americano provocou em mim uma admiração idolatrada por alguns símbolos, inspirados por Kerouac, por James Dean e a beleza estonteante de Ava Gardner.

Não é costume, ver Harley Davidsons em Maputo. Um resultado penso eu da abolição dos vistos de entrada entre África do Sul e Moçambique (começo a ver sinais positivos de diplomacia) e no início da noite (que por sinal aqui começa às 17h30) ao atravessar um dos muitos cruzamentos (Maputo é recheada de paralelismo urbano, ainda dizem que nada temos para escrever e ser característicos, irra), deparo-me com um grupo imenso de umas 10 motas, da minha marca preferida para o passeio. Quiça toda a liberdade mais do que associada a este brand, certo, certo é que atravessou perante os meus olhos bem míopes (código genético por explicar com paciência, sou efectivamente um resultado de pais, avós, bisavós, trisavós pergunto se tenho algo meu?? Just joking) um cenário giríssimo, caracterizado por homens e mulheres com aquele look de tatoo e quem sabe desmepregados (touché).

Este é um pormenor nada comum e que a cidade de Maputo, em tempos altamente cosmopolita, nunca vê.

Foi ótimo. Por muitas razões mas talvez a principal por eu ter dito ao meu pai: "Dad, é aqui que quero ficar porque as coisas vão acontecer e acontecendo estarei no meu lugar".

Com tudo do bom e do mau que acontece com as "aberturas" (para nós ainda terá de ser entre-aspas), pelo menos alguns catraios, daqueles que já passaram o que eu ainda estou por passar e que continuam a ter uma postura dançante e de música naqueles olhos expressivos. Era ver as expressões de quem vê pela primeira vez um estilo completamente diferente de viajar, de vestir de estar.

Sempre é melhor do que falar no meu sporting que me fez deprimir a minha esperança, até amanhã. Porque vamos ganhar.

Última hora, fresca: moeda única em África para 2018. Já tenho alguma barba branca mas, cá estarei para ver!

quinta-feira, maio 12, 2005

Inocent, until proven otherwise

Hoje, entre outras notícias como a de Gondomar a o "pequeno ditador", vejo em plena via pública nos EUA o assasinato de um ladrão de carros. Caucasiano, que ao sair da viatura em que seguia em perseguição, puxa a arma para se "defender", mas tão próprio dos americanos, no questions asked e é um cão que anuncia a sua morte no local através de repetidas mordidelas. Ele já tinha sido alvejado - ao que parece pela filmagem - numa perna e aí teria sido o suficiente para irem então fazer as perguntas, mas não. Tinha de ser morto. Com alguns, vários tiros.

As cadeias devem estar cheias, o dinheiro público não deve chegar. Ladrão de carros deve ser morto, por isso mesmo.

Sou um ser humano que sabe na pele o que é ser arrancado um carro à mão armada, como sei também o tipo de trauma que é preciso resolver depois de uma cena destas, mas caramba matar assim o rapaz?

Talvez o mais macabro desta peça jornalística foi o comentário do jornalista que se encontrava no ar, de helicopetro, a fazer cobertura e que proferiu o seguinte:

"This I gotta see".

quarta-feira, maio 11, 2005

Português nas escolas Sul Africanas

Foi estranho, muito. Ligo sempre pela manhã 07h00am noticiário de portugal e eis senão quando:

"Ministro dos Negócios Estrangeiros da África do Sul acaba de assinar um protocolo com Portugal para que a língua portuguesa seja utilizada como first language, nas escolas sul africanas, já a partir de 2006..."

O que o Excelso explica na notícia, é que o critério irá ficar nas mãos dos directores de cada escola. A decisão se coloca portguês como primeira língua, segunda, terceira ou....12ª (porque existem 12 dialectos oficiais na àfrica do Sul) será no final deles.

Mas o que é bom, interessante é este passo, África do Sul aquele país que se encontra entre uma Angola e um Moçambique.

Um passo dado para a lusofonia.

terça-feira, maio 10, 2005

O meu Sporting

Não dou a ninguém, tou numa de fazer birra. É que passaram tantos anos que me fizeram esperar por momentos que ando a viver, que parece nem ser verdade. Mais parece ainda que o Sporting ganha, ganha muito e há imenso tempo. Não é bem assim. Tenho estado à espera destas alturas em que não me deito à espera de garantir que passamos.

Lembro-me do senhor que ainda vendia a bica em Lisboa a 12$50...


Ganhamos ontem, com um livre de primeira. Aliás é preciso denunciar que tenho visto o futebol português sinceramente mais competitivo e de maior espectáculo. Menos o Benfica e o Porto que fizeram dois jogos (Penanfiel e Moureirense-que nem sequer sabia da sua existência) que mais parecia não serem os "grandes".

A intervenção do treinador do Guimarães foi interessante "aceito o resultado porque a equipa do sporting mostrou-se mais ofensiva".


Vamos agora esperar pelo clássico.

segunda-feira, maio 09, 2005

Escola Portuguesa, Portugal e Portugueses

Juro, vou segurar a minha língua, mas há alturas em que se torna tão difícil perante o óbvio. A Escola Portuguesa em Maputo, um dos edifício mais bonitos sociais que por aqui andam (faça-se justiça), decidiu por manter a escola aberta, em funcionamento, a dar aulas a e a empregar trabalhadores, no feriado de 1 de maio!!! Que foi Domingo e a Lei diz que passa para a Segunda-Feira.

Denúncias, pais, encarregados de educação e estudantes ficaram mesmo chateados. Resultado, o Ministério do Trabalho aplicou e sancionou a escola em 30 salários de Moçambique por este gesto algo mal pensado pela sua Excia a Directora.

É que parece que foi avisada umas quantas vezes! Mas não bastava o senso comum?

Exponho:
1. Feriados portugueses, a escola fecha
2. Feriados internacionais a escola abre?
3. Feriados nacionais a escola abre?

Ya!!!!!!

A marginal de Maputo

Tem cerca de 8km (se não me engano) e é caracterizada pelo evoluir natural duma cidade. Para quem quiser começar na baixa, a 25 de Setembro passa primeiro por uma zona que nem pista de fórmula 1, com curvas de mónaco e muitos, muitos acidentes resultantes de excesso de velocidade, copofonia e falta de maturidade apenas (esta estrada encontra-se mesmo ao lado do mar o que significa que estará sempre para mais ou para menos húmida) e consequentes mortes, uma pequena muralha que vai ficando dia para dia mais destruída e uma beleza estonteante.

É de salientar que se encontra agora nesta zona um take away de sumo de cana de açucar, giríssimo - paramos o carro e o copo de sumo sai duma máquina tipo de carne moída. Um pequeno bar que parec ter dificuldade em "pegar", o naval e mais nada.

Mais lá para a frente, onde agora fica o Holiday Inn nasceram mais bares, restaurantes, cervejarias e é tabém onde clássicamente existe uma senhora que vende toalhas e peças em crochê penduradas numa corda entre árvores. Até esta zona a marginal não paresenta grande problemas, excepto na zona das curvas de mónaco onde a estrada está a ser comida por dentro pelo mar, e há cerca de uns meses abriu lá um buraco numa curva de 2m e o passeio fragilizado cedeu.

Do Holiday Inn para o Costa do Sol é onde se começa a ver as tais de árvores em pé suspensas apenas pelas suas majestosas e sustentadas raízes oferecendo assim excelentes imagens fotográficas.

O volume de trânsito aumentou drasticamente estes últimos 10 anos, creio arriscar dizer que Maputo não está preparada para tanto carro (hoje já temos hora de ponta e para quem conhece Maputo sabe que isso é fenomenal, em vez de eu levar 5 minutos a chegar ao serviço, levo agora 15m), este factor veio contribuir para o normal wear and tear da estrada, mas o que está a acontecer mesmo é o mar engolir a terra. Normal. E zonas há, a seguir ao cruzamento do Marítimo onde foi feita uma pequena ponte a seguir às cheias onde tem mais de areia do que de estrada.

Do Marítimo para o Costa do Sol e para além de um boom de construção (tenho que o dizer, de casas onde só vi em Miami) a estrada que separa o mar e estas casas vai reduzindo, reduzindo, reduzindo.

Cenário: ou ficamos sem uma grande parte desta marginal e que oferece um verdadeiro romario de hábitos e cultura (desde os casamentos, o desporto radical que é hoje praticado, as missas Ziónicas no mar, os fitipaldis, a pescadinha que ainda é vendida à berma, o Costa do Sol restaurante clássico e de belle epoque) ou este governo percebe que é necessário fazer alguma coisa.

Das imagens mais bonitas, paisagisticas que temos é o regresso pela marginal vindos do Costa do Sol, final de tarde onde parece estarmos a deixar um Maputo dos anos 60 e se começa a ver o skyline da cidade de cimento, e como não podia deixar de ser o sinal cores de espanha para os navios não baterem nesta curva de entrada para o porto de Maputo.

Esta não é porém uma prioridade.

quarta-feira, maio 04, 2005

Ok prontes, já está.

Algumas novidades:

1. Saiu finalmente o livro do nosso colaborador Amâncio Miguel, uma compilação excelente de entrevistas feitas aos músicos moçambicanos, editada pela Marimbique. Um sonho partilhado há 4 anos e está nas bancas a 150 mil meticais. Marrabentar é o título e uma grande maioria destas entrevistas já sairam na nossa revista QP. Estou que nem mãe galinha babada por ver um filho ir para o primeiro dia de escola. Aceitam-se encomendas.

2. Os nossos chapas já andam identificados. Já voltei a esta terra faz este ano 11 anos (tantos) e pela primeira vez vejo identificação nos chapas (taxis). Agora já me sinto mais referenciada, sei para onde estamos a ir. Puxa demorou.

3. A mudança do meu escritório já se deu sim. Uffffffffff. Estamos agora voltados para o rio, vemos a Catembe e a baixa maputense todinha, linda como sempre e uns finais de dias deliciosos. Estamos no Pestana Rovuma Hotel. É que aqueles andares estão a virar escritõrios!!!

4. O frio começa a ser sentido, finalmente. O que quer dizer que JHB (Joanesburgo) está um briol de rachar. Já é preciso levar ceroulas.

5. A minha Zaka foi literalmente assaltada por milhentas carraças minúsculas, que a minha vóvó Alice diz serem "carraças de bois" e hoje foi dia de as tirar todas....com tesouradas. Estas vieram duma tarde passada na Namaacha.

6. As notícias que Portugal está a passar não me estão a interessar fora o referendo que o presidente achou por bem adiar mais um pouquinho. Aqui fica a minha solidariedade por todas as mulheres que não tenham escolha.

7. Maputo continua a ser a minha cidade de eleição, doi-me, doi-me muito o peito por ver uma marginal lindíssima a desaparecer. Salvem as baleias, salvem a marginal de Maputo.

Bejos a todos e em especial a aqueles que por mim vão puxando, daqui e dali. :)

sexta-feira, abril 22, 2005

Anúncio

Coisa pouca e como a minha vida nunca me deixou criar o hábito da mudança, aqui vai mais uma: para a semana que vem estarei a mudar de escritório, de um lado para outro e Maputo não é assim tão grande, é enorme. :) Portanto para os que sabem do que falo será um semana tresloucada e estarei algo distante mas de olho em cima.

Não me esqueçam, até ao regresso. Beijos a todos.

quinta-feira, abril 21, 2005

Conversa de cão.

Interessante, o diálogo que mantenho com a minha Zaka:

Zaka - "auuuf, aauuuf"
Passada - "bau auu, auu"
Zaka - "grrrrrr...."

13 anos de cadeia, 30 milhões de meticais

Não tenho tido a oportunidade de aqui parar. Razões muitas, mas o principal será o tempo. Aquele factor que não volta a trás e que não conseguimos negociar mais por dia.

Antes de entrar no tema, quero agradecer a saudosa exigência da Pituxa e da Mada, por andarem com saudades minhas. Mas acima de tudo eu delas.

Ao tema e porque merece o testemunho.

Há cerca de 8 anos atrás, um cidadão foi literalmente “passado a ferro” na estrada por dois outros cidadãos mais jovens, provavelmente fumados. Os dois miudos atropelaram o ser já a caminho dos seus cinquenta, e depois disso andaram para a frente e para trás, a espezinhar num claro momento de ódio puro. De propósito não falarei nas raças das pessoas envolvidas, mas tão só no ato bárbaro vivido. Ao que consta, o mais velho teria saido do carro para pedir aos miudos para sairem do meio da estrada, esse foi o resultado.

Na nossa vizinha África do Sul é sabido que “chapas” (taxis) andam armados e que de vez em quando acontece uma morte apenas por se ter dado com os máximos, em advertência. Mas aqui em Maputo, não é comum sabermos de acontecimentos destes. Desde que não se fale, nas mortes que todos os dias acontecem nos bairros mais pobres. Aliás é o que acontece. Infelizmente existem sim e muitas.

Este atropelo, que deixou o cidadão mesmo empenado mas não morto, na altura foi para os tribunais e na altura os miudos foram buscar um dos maiores advogados desta praça para os defender. Não entendo bem, o que iria o tal de advogado defender.

“Coitadinhos dos rapazes, não sabiam o que faziam”
“Vamos provar demência, coitados”
“São jovens, inconscientes”

O atropelado teve sorte, força muita provavelmente e sobreviveu e não sem mazelas fisicas para o resto da vida dele. Disso estou certa, por conhecer na pele esses embates automobilísticos.

Oito anos passaram e há dias vejo nas primeiras páginas dos jornais a manchete “13 anos de cadeia e 30 milhões de meticais”. Retive a respiração. Foi a primeira vez que vi o resultado “justo” (entre aspas porque talvez eu pessoalmente não tenha achado que tenha sido suficientemente duro, penalizante), de um acontecimento macabro, barbaro e feito por putos que na sua maioria, abastados e sempre, sempre sairam impunes a estas legalidades.

Os 13 anos de cadeia, ainda que suspeitos porque temos um clássico invasor da cadeia de maior segurança, os 30 milhões de meticais. Puff, nada representam e não deve pagar um dia operativo do atropelado.

Mas, e é aqui que satisfaz. Foram acusados de homicídio voluntário, e foram condenados. Esse passo meus caros leitores é igual aquele do Armstrong quando pisou na lua pela primeira vez. Triste será saber que os miudos, hoje jovens adultos já devem andar por aí em Portugal numa qualquer loja de cabedal ou mobílias dos pais ou dos tios e não irão decerto para à cadeia, mas caso pisem este território com jeitinho, muito jeitonho ainda vejo um dia destes:

“Foram presos, depois de 20 anos fora de Moçambique. Irão cumprir com a pena”






terça-feira, abril 05, 2005

Papa João Paulo II – fez-me retirar

Nasci católica, era ainda muito nova. Por baptizado, por tradição, por peso familiar, porque é assim. Mas se bem me lembro, ou por outras se bem não me lembro, nunca foi porque eu tenha escolhido. Este é o pressuposto.

O percurso de vida fez-me até estudar em entidades altamente religiosas, não católica. Era um colégio protestante, um pouco mais liberto do peso moral. Do pecado. Foi talvez esta a palavra religiosa que me tenha feito confusão, na filantropia, na humanidade e porque não na cultura, a antropologia. Peca-se. Por isto e por aquilo, mas peca-se.

Contudo, apesar de ter sido praticante, hoje claramente não o sou. Entretanto dei voltas à minha religiosidade, mas estranhamente nunca à minha espiritualidade.

Deixei de crer na simbologia. Faz ela tanto, parte do meu dia-a-dia. E nem sei se conseguiria ser capaz sem viver com ela – a simbologia.

Comecei a ler e tive, característico da minha geração muita cena televisiva, a cobertura, o acompanhamento, o saber deste e daquele. A abertura sem dúvida que desviou passivamente mas consistentemente o meu foco religioso.

Cresceram comigo imensos momentos históricos, onde sentada em muitos deles, no conforto do meu sofá, os via. Outros foram vividos. Custou-me não ter estado na plateia de Armstrong, acabava de nascer e a minha visão não comportava tanto desenvolvimento.

Mas vivo estes momentos, cada um à sua emoção, de uma forma muito intensa.

O Papa João Paulo II, fez-me retirar, na certa. De todos os meios que aqui recebo, a CNN (de novo) é a que para mim cobre com uma forma noticiosa menos pesada e me tem dado a sua passagem à outra margem (com os devidos direitos ao Rui Reininho) de uma forma simples e abrangente.

Mas o que me fez parar, não foi a CNN (outras foram ouvidas e vistas com atenção, quanto mais conhecimento...) foi o papa.

Pela tolerância que vejo nas pessoas, o respeito civico possível no meio de milhares de almas, o carinho, a vontade, o retiro, a entrega, a paz.

Confesso que os sapatos não assentavam naquele todo. Qual cabedal Italiano.

O Papa fez-me retirar. Pensar. Mas acima de tudo ele promoveu uma pertença que este mundo não me anda a dar. Não, não falo de religiosidade. Falo da entrega.

Os números impressionam, os trajes também, a cronologia e o seu caminho.

Faço a mesma pergunta que o Papa fez a Deus, num dos seus versos: “Quem és tu?”

segunda-feira, março 28, 2005

Minha alma chora hoje.

Não, descansem não há mortes de pessoas ou cadelas, não há leites derramados, nem montanhas derrubadas para fazer uma auto-estrada, nem um cliente mal disposto que me prova que a injustiça e a maldade acima de tudo invejosa existe, não, descansem. Não é nada disso, não derramou ainda mais nenhum petroleiro, mas continuam a morrer milhares sob pretexto de.....! Não, não é nada disso, não engordei, nem me cresceram os pelos mais grossos, não, não é nada disso. Não perdi amigos, nem parentes, não descobri nada de mais, não, não é nada disso. Não houve nem decepções nem escorregadelas na banana, nem isso não, não me feri. Não houve bébés de cinco meses a serem violados (hoje...!), nem assaltos à mão armada, atropelamentos ou corrupções. Houve sim, mas não de ninguém que eu conheça, não, não é nada disso. A minha Zaca está com 5kgs e recomenda-se, coitada sofre de tédio puro, não, hoje não senti que tivesse de chorar por nada nem por ninguém.

Hoje, choro porque descubro a horrorosa sensação de perder tudo num fogo, num incêndio. Calma, casa está inteira, mas o armazém que guardava cerca de 7000 revistas dos últimos anos, prova da sua existência, queimaram e com elas um peso que não é coberto por seguro nenhum acorda como se de mil toneladas esmagassem a minha alma. Testemunhos de pessoas, testemunhos de Maputo dos últimos 4 anos, do seu quotidiano, da vida duma revista viraram cinza.

a mensagem: tive um incêndio este sábado....as QP queimaram todas...

Não há dinheiro nenhum no mundo que me devolva aquilo que foi queimado e mais grave ainda, não há nada que me devolva o que tive e por tantos dias desprezei, tendo como "existente" ali no armazém, até ao momento em que vira cinza.

É a construção que se queima, é a hegemonia duma equipa que se queima, é a sua vida que se queima, é a alma que se queima. É o seu passado que se queima.

Não se trata de vinganças nem de nada apenas a sua altura de acontecer.

Com elas morreu uma muito grande parte da alma que é a QP.

Agora renasce...das cinzas. E a minha alma chora hoje de saudade.