Já faz uns dois dias que Maputo anda com "aquelas" tempestades próprias e transportou-me para um tempo de Maputo já longe das nossas próprias memórias. Prédio da TVM, 13 andar e a vista que tínhamos era desta baía lindíssima. Era norma ou "habitué" em dias de tempestade irmos para a varanda saborear o espéctaculo impressionante das tempestades em Maputo. Além de serem calientes, o espectáculo visual, gráfico é algo indescritível. Como explicar a aguarela que ainda não foi pintada pou o pastel cores púrpuras, veladas a difundirem nos cinzentos, os quentes a desaparecer com o sol e a noite a querer entrar num manto de céu que mais parece tirado do Mad Max II? Como explicar a força e imponência da trovoada relampejada cheia de luz intensamente electrificante que começa numa ponta da Catembe e acaba no porto da Mozal, sem pestanejo? Como explicar tanta beleza? Por pintar? Por escrever ou fotografar? Como explicar o peso húmido nas nossas roupas, agarradas que só o algodão puro sedoso sabe bem e ao sairmos do cinema às 23h não termos vontade de ir para casa porque o dia não acabou? Como explicar a transformação das pessoas com a chuva? Como explicar a paixão que tenho por toda a força que a natureza me mostra com uma simples tempestade. O pronúncio da malária é tão certo como as centenas de pessoas que irão morrer com ela. Aí, são as ovelhas que vão morrendo por seca à espera que "um" novo governo lhes dite um melhor Alentejo. Como explicar o governo que nos governa?
domingo, janeiro 23, 2005
quarta-feira, janeiro 19, 2005
Sabedoria vem do Mar
Do tanto por que vivi, poucas coisas me marcaram ou impressionaram tão profundamente como o mar. Foi no mar que estranhamente, dado que era um pouco jovem, aprendi a estar comigo mesma, não só pelos mergulhos aceitando o silêncio aquático misturado com bolhas de ar, incrivél é ver uma enormidade de vida diversa, dispersa, numerosa, como também pelas intermináveis viagens feitas da baía de Maputo à Ilha da Inhaca. Espaço geográfico que nos restava na altura para algum gozo e não mentiremos, de onde extraíamos o ferro, pelo peixe do mar. Pescar ao corrico tanto servia de desporto como para termos peixe no congelador, fresco e muitas vezes abundante. Até os cães gozavam do menu, se a memória não me falha adoravam as entranhas cruas, qual sushi canino. Foi no mar que aprendi a ser paciente e tolerante, o acto de pescar podia levar horas até ouvirmos aquele zumbido do carreto, maravilhoso, mágico, misterioso sem nunca sabermos o que lá vinha. Eu fantasiava sempre por um tubarão, pela paixão que tenho por este animal específico. Eram horas por vezes, mais vento menos vento e antes de se ter um aparelho que nos indicava os cardumes, as gaivotas serviam perfeitamente, a andar atrás do pitéu, mais comumente chamado peixe. Todo aquele ritual também me mostrou que estar no mar, pescar e não ser pescado tinha regras de muitga disciplina, conhecimento e experiência. Existe uma que sempre funcionou nas praias, "nunca virar as costas ao mar", mas quando se está lá metido, sem terra à vista ou com terra, que costas podíamos nós proteger? Assim o mar também me mostrou respeito (neste caso muito respeito, tentarei não vos cansar com experiências vividas propriamente) porque tíinhamos de nos valer sem ter costas e sabermos estar constantemente de "costas" para o mar, o que me leva ao próximo ensinamento. Controlar o medo ou o receio, o mar para o bom e para o mau (na terra é tão diferente) ensinou-me a ser destemida, solta e confiante. Sim tudo isto pelo mar. Por outro lado, foi também o mar que me presenteou com beleza. Já passei por montanhas, lagos, zonas desérticas, rochosas (falta-me o grand canyon) e florestais, mas em nenhum deles tenha gasto tanto tempo para apreciar a paisagem como o tempo que estive no mar. O mar fornece talvez das paisagens mais dislumbrantes e equilibradas que até hoje conheci. O mar zanga-se e a sério, nessas alturas a resignação à condição de ser humano, mamíferos que somos temos de saber que a sobrevivência é a única forma de nos mantermos a respirar e assim dar-mos espaço à esperança, preserverança e fé. É preciso rezar muito quando nos encontramos em situação frágil no mar, ele engole-nos impiedosamente. Por ser fêmea estive sempre numa posição um pouco desvantajada, mas também aqui penso tenha tido a sorte de ter tido um pai que é aventureiro qb., e por esta razão foi-me possibilitada a experiência do mar: pesca, sair com a rapaziada e quase sempre sentada na prôa enquanto os homens lá atrás falavam, riam e bebiam o café quentinho (não imaginam como sabe bem, no mar ficamos sempre com sede de água e açucar),partilhei nesses momentos a amizade. De novo, quando estamos no mar e ele nos rodeia por todos os lados, existe um sensação de proximidade humana natural. Valemos por aquilo que somos e pela capacidade que temos para a situação em que nos encontraremos, caso o vento mude e nos estale uma tempestade. Foi também no mar que vi dor e tristeza, seja humana seja animal. Sítio perfeito para a melancolia, curar mágoas e quiça ter o tempo do mundo para as resolver. Custava-me muito ver dar a "vitamina" ao peixe, o anzól enfiado na boca do peixe o amordaçar sôfrego da morte anuniada do peixe. É um ser vivo e aqui aprendi que tenho uma força estranha aos meus valores de base. O radicalismo, o risco e o desporto no mar andam de mão dada. Um barco, máquina que é pode falhar e o mais certo, é falhar. A nossa criatividade terá de sair do baú. No mar a hierarquia humana é suplantada pela hierarquia universal, quando se está lá metido de nada nos serve: fofoca, inveja, ódios e rancores, "desimportâncias" que numa pequena onda, um momento de vento ou escuridão no mar rápidamente se esqueçe. Não há espaço para a mesquinhice nem para heróis. Batemos na humildade. O mar deu-me o lugar que tenho neste contexto e ensinou-me o valor que se dá a uma pequena pulga, microscópica agarrada entre dedos dos pés, é o valor que se dá a atos humanos. Está a parecer que não acabarei. Assim vou terminar por dizer o que o mar não me deu: o livro.
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quarta-feira, janeiro 19, 2005
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terça-feira, janeiro 18, 2005
Maputo, calma
Estranha ordem das palavras, Maputo masculino, cidade feminina. E está calma, muito calma, demasiado calma. Faltam carros a circular, nada se sabe dos próximos. Estrá tudo muito calmo. E dizem que levará o próximo cerca de uma ano para a sua mudança de governo. Credo, um ano de calma, assim tanta? O problema é que as contas têm de ser pagas, os ordenados pagos e os impostos já nem falo. Quem paga isso? Se está calmo, muito calmo...! Seminários, as chuvads de Nampla (infelizmente já ceifaram se não me engano 4 vidas), as mensagens da publicidade do(a) Sida que não são compreendidas, é preciso voltar ao básico, menos criatividade mais palavras de ordem, directas, a "onda de solidariedade" no dia 26 de janeiro promovido pela FDC aqui memso ao lado na Escola Naútica e nada se ouve,lê ou vê. Que se passa? Ah, esquecia as velhas consequências de actos resultantes em assaltos à mão armada continuam, a rent-a-car Imperial já foi assaltada duas vezes este mês e levaram dinheiro. Os dias pesadíssimos de uns ceús loucamente cinzentos, carregados de peso molhado mas na chove, que raio. Sai a dor de cabeça que nem boné a tapar-nos a soleira. O Ministro das Finanças da UK anda lá pelo outro lado não é? Plano Marshall para África? Não é um pouco velho esse plano? Hum.....
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terça-feira, janeiro 18, 2005
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segunda-feira, janeiro 17, 2005
Coconuts, Búzio AKA Minigolf.
Para os que daqui são, sabem bem a que me refiro. Para uns lá para os anos 70, era dos poucos sítios onde se podia alçar a perna, eu ainda um pouco catraia e a coisa tinha de ser muito bem negociada com os meus pais, caso não fossem. Durante estes útlimos 10 anos, o Búzio, como é carinhosamente conhecido, transformou-se várias vezes e mais recentemente acompanhado por um bar "Sixties" onde já me ía encaixando melhor, dado que nunca fui de raves. Em paralelo, foi abrindo um outro espaço o Mambo's Caffee essencialmente música cubana. Perto da mesquita na baixa e tem talvez dos pátios sul americanos mais inn da cidade. MAAAAAAAS, a recente remodelação a que o búzio foi sujeito encabeçado pelo Luis Moreira, um português conhecido daqui e daí, dos maiores responsáveis pela divulgação e promoção de música africana, colocou o nosso búzio na dianteira no que concerne a espaços de diversão nocturna e diunra, visto que e com a perceria da mCel (telefonia móvel) têm vindo a promover espectáculos todas as semanas mesmo à tarde. Passou a chmar-se Coconuts, com uma palmeirinha que nada diz do espaço que lá se encontra neste momento. Vamos dizer assim: sofisticado, muito inn, muito hot, bem cheiroso (não se riam, que esta factor é importante), uma decoração incrivelmente elegante, com toques afro-nova yorkinos, 5 bares internos, WC limpos, uma iluminação qb, e um palco delicioso. é hoje um espaço multi-usos de primeira mão com tudo o que tem de africano e que gosto. Continua a ser uma discoteca aberta, o ar circula. A noite Maputense continua a ser cosmopolita mas hoje já encontra sítio para abarcar um bom momento sem encontrões e empurrões para se estar. Estive ontem num concerto de affro-jazz, very nice sentada num sofá (ok, está certo que eu encontrava-me na zona VIP, sotão criado para o efeito), mesmo assim e olhando para baixo vi uma multidão de gente bem vestida, cheios de óculos de sol para os raios lunares decerto, mulheres aperaltadas e descascadas mas sem exageros, bicas de primeira e espaço para me mexer e muita "vib" que e aqui desculpem-me só aqui encontro, em áfrica. É que ontem foi Domingo. Sugiro vivamente que quem cá venha e se não arranjar convites e borlas, compre o bilhete de entrada para a melhor noite Maputense. Quando sentada ontem a ver tudo, passou um pequeno arrepio porque me lembrei de palavras que disse a meu pai a respeito de Maputo. O tempo das grades e da total falta de tudo, acabou e temo que muito dificilmente este ritmo seja parado. Concerto, música ao vivo, bar ou discoteca o Coconuts é hoje o melhor sítio da cidade para se curtir um pouco de música com qualidade e rodeada de qualidade. Os meus parabéns ao Luís e a todos os que o apoiaram, sim não posso esquecer do Izidine Faquirá, seu companheiro de guerra desde sempre.
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segunda-feira, janeiro 17, 2005
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sábado, janeiro 15, 2005
Política I
Ainda não toquei neste tema como deve ser. Tem a haver com o facto de que os partidos de hoje andam a fazer os que os partidos de ontem faziam, com menos sangue, maior abertura, mais apurada a verdade e menos limitativa a promessa. Mas por irritação minha, detenho uma relação de amor-ódio com este mal/bem que nos rege e faz reger, por ser um bem/mal necessário, porque me insulta no constante, acha que não percebo nada disto e que no final irei como "todos" votar. Mas engana-se. E sou religiosa, também. Pela fé não pela beatitude, pelo respeito de sentir que nos falta ainda muito por "atingir", mas assento acima de tudo a admiração pelo Humano. Posto isto, tudo quanto seja partido ou facção religiosa que "em nome" de forças superiores (ou será inferiores) ou declararmos os votos dos mortos como legais, desacredita e enfraquece quem o pratica. Logo "desconsigo" assentar a crença na política praticada e na missa rezada. Um dia destes começo a falar Tibetano, rapar o cabelo e achar que tudo o que me rodeia é um resultado do equilíbrio perfeito da Deusa.
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sábado, janeiro 15, 2005
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