Bom dia a todos e todas. Não irei relatar o meu fim de ano, apesar de ter sido algo inédito dado que terá sido a primeira vez onde não presenciei o "countdown" nem dos minutos nem dos segundos. Passei a meia a noite a comer o bacalhau à brás que mui simpaticamente sugeriram que fizesse. Como devem perceber e para o bacalhau estar "fresquinho" precisamente à meia noite, teve o seu início às 22h00. Consegui tomar banho eram 23h45. Mas a bem da verdade e com toda a modéstia estava bem saboroso depois de um dedo cortado e uma bolha. Vê-se mesmo que tenho empregadas! Vamos no entanto às características de interesse do sítio além da sua beleza natural e que sejam também novoidade para quem lê. A primeira e que salta logo à vista, Ponta do Ouro é uma cidade relativamente protegida para quem tem 4x4, e quando por lá circulamos só vemos 4x4, motoquads de todos os feitios e tamanhos, ao ponto de vermos putos e pitas com menos de 10 anos em cima de motorizadas, sem capacete. A curtirem os melhores momentos da vida deles, decerto. Segunda questão, prende-se com o tamanho da cidade e contornos de vila. Disseram que a Ponta do Ouro estava cheia e eu vou-me rindo, pois ainda assim e na praia protegida sem vento, lá consegui ter a Zaca a correr por todos os lados e a chatear tudo quanto era quadrúdepe um pouco maior. A minha Zaca fartou-se de namorar e ninguém achou isso desmoralizante, até se riam. Deve ser por ser cadela. São os dias em que os estabelecimentos comerciais fazem receita. Mas choveu maningue no 31 para 01 e isso provocou o esvaziar da praia. Vamos à terceira questão e que a mim me toca particularmente. Civismo espontâneo. Quer acreditem, quer não vemos uma série de pessoas de todos os tipos, e todos sabemos que os boers são broncos e de goela larga, onde numa "cidade" não existe um polícia que seja (não vim nem um cinzentinho) todo o mundo cumpre com regras cívicas. Tenho de o dizer não vejo ninguém a cuspir para o chão, e a malta convive numa harmonia de respeito pelo vizinho que agrada. É preciso dizer que a Ponta do Ouro é património mundial, por isso protegido e a penúltima vez que lá estive, no tempo das cheias aqui, tive envolvida numa cena de protecção de praia e suas psicinas naturais, porque os boers levavam para lá os seus 4x4 sem piedade da vida marinha existente e minúscula. Eu, uma amiga minha, o embaixador francês da altura e mais uma pessoa. Hoje não é permitida a circulação de viaturas na praia. Hoje existe uma zona onde todos os barcos e motas de água embarcam e desembarcam e vivem em igual parceria com os banhistas. Impressionante. A quarta questão prende-se com as mansões que por lá já há. Não exagero na comparação com Miami, mas só porque o que existe à volta carece de estrutura comparativa. É que não existe estrada, os relvados ainda por serem organizados, os espaços urbanos arrumados. Mas não vi lixo como vi há uns anos aqui em Maputo. Mas que existem casas boas por lá, santa maria dos azuleijos, existem. Umas perto da praia, tipo beach front de madeira e a um preço de meio milhão de dólares americanos! Por último a questão de que e a fazer parecer a Mozal, todos andam de calções, e assim desde o presidente Mário Maxungo ao office boy duma qualquer empresa se mistura, conversa, partilha os mesmos espaços e gostos. Não há muito espaço para formalidades. Assim passamos o fim de ano de t-shirt, calções e pé descalço porque fez uma caloraça terrível. Os níveis de humidade exagerados e o resultado foram 5 dias a não conseguir dormir. Tentem imaginar adormecer com o cabelo molhado, banho frio tomado e uma toalha molhada no peito, só para conseguir fechar a pestana. Estava uma brasa. Ponta do Ouro é a terra para o mergulho e ver aquele que é considerado um dos mais bonitos mares do mundo sub-aquático pela sua riqueza do índico. Depois da meia noite resolvemos sair até à confusão e acabámos na Florestinha, onde todo o mundo entra sem pagar e tem esplanadas enormes ao ar livre e discoteca. Não há stock de gelo que aguente tanta gente. A Ponta do Ouro encontra-se a 120 kilómetros de Maputo, por picada. Existe um troço de alcatrão com cercae de 3 ou 4 kms and that is it. Resto é areia, possas, mato puro onde se passa pela reserva dos elefantes e que é preciso ter cuidado porque estes não são domesticados como os do Kruger Park e o nosso regresso ficou marcado pelo reboque do segundo 4x4 do grupo e que a 3 kms da Ponta do Ouro parou, assim mesmo e uma viagem que devia ter levado 3 horas levou 6, até chegarmos à Catembe. Aventura completa quando se viaja com 4 putos onde a mais velha tinha 10 anos. Foi delicioso mas já acabou, agora de volta à labuta. A todos um bom 2005.
quinta-feira, janeiro 06, 2005
quarta-feira, dezembro 29, 2004
2004, ano do balão esvoaçante ou esvoassante? :)
2004 é um ano que para mim vai acabar tipo balãozinho que voa sozinho pelo ar depois de cheio. Vade retro santanás. Mas de coisas boas também esteve recheado: meu pai, minha mãe, meus manos e a família está toda viva. Ao contrário dos já 80 e tal mil. O Bush aqui anda a falar na CNN com as suas baboseiras habitués, portugal meio calmo, considering os ordenados não pagos da função pública e o outro que diz "são probremas informáticos, aliás como tem todos os meses..." credo, haja paciência. Mas que se saiba toca a todos, a nossa deste lado também falou algo parecido com esse argumento. É assim, é a política e temos de a ter para não sermos anárquicos e desordeiros. 2004 é um ano que ficará na minha história particular e lá ficará que nem o balãozinho que esvoassará ou será esvoaçará (eh,eh,eh provoco meu pai descansem) pelo ar, no dia 31 deste mês, onde estarei tipo no mato com mosquito, gibóias com o mínimo de 4 metros (a casa para onde vou, tem lá uma pele com 4,5m de tamanho), dois pastores alemães ou alemões, 6 casais, 4 crianças a minha Tiki Zaca (que vai ter de aguentar os dois grandes), escaravelhos tamanho família e já sei por um telefonema que recebi que irei discutir negócio... haja pachorra. Temos de imaginar praias lindíssimas, muito calor, picanhas na brasa um bom binho tinto, saladas das minhas (um resultado dos meus 2 anos de vegetariana), anedotas e aquela conversa de fazer crescer rabos na rede. Mas uma coisa é certa, não terei internet!! O que quer dizer que...voltaremos a encontrar no dia 4 de Janeiro. A todos, a todas piriquitos incluídos um bom fim de ano, nada de beber e conduzir e não hesitem nunca, muito menos na estrada. Beijos
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quarta-feira, dezembro 29, 2004
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Trágico.
Quando a cada dia que passa aparecem mais, mais e mais mortos. Sendo o grave mais de metade crianças, bebés que não chegarão a ver mais a vela a queimar. Estou revoltada, horrorizada com a polítiquice que mais uma vez vai envolver os milhões de dólares à volta da morte de crianças, a exploração do sempre, sempre mais fraco. Não se enganem não falo de comunismo, ou capitalismo, quero lá saber se isso sequer existe numa altura em que discutimos que o nosso, ou melhor o meu Índico não tinha boias de aviso. Nada posso fazer, o dólar na conta X e as milhares de gerações qu ficarão marcadas por centenas de anos. Famílias inteiras puramente desfeitas e o que vejo é a profunda análise dos meios de comunicação, no vagar, na tragédia, na morte. Eu sou do mar, vim de lá e lá voltarei. Mas estes milhares de seres humanos não puderam nem tiveram poder de escolha. Arrepiada que ando, não passa uma hora sem que eu vagueie pelos canais TODOS informativos apenas para que esse receio aumente. Moro num 16º andar, tenho 4 seres humanos à minha volta e uma canina, vamos hoje para a lá acender velas, solidarizar o minuto de silêncio, mas nada está a fazer passar a angústia que sinto por todos os que foram com a tsunami do índico.
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quarta-feira, dezembro 29, 2004
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terça-feira, dezembro 28, 2004
Frelimo.
Ganhou com uma maioria absoluta. E pouco mais há a dizer. Abstenção elevada, tempos foram calmos agora resta saber se o investimento estrangeiro e nacional, por exemplo os que foram parar em Angola, voltem e a economia nacional seja uma prioridade para os próximos 5 anos. Levei um tempinho a falar neste assunto, já nem notícia é mas a desgraça natural que se abateu sobre a Ásia teve sobremaneira prioridade da minha atenção. Cenas do próximo capítulo, a Ponta do Ouro para onde eu e mais de metade da cidade irá passar o fim de ano. Aquele corredor migratório magnífico do tubarão baleia.
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terça-feira, dezembro 28, 2004
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domingo, dezembro 26, 2004
O sério da CNN.
Tem esse dom, como um canal informativo e pelo zapping lá parei e desatinei tanto com a novidade do terramoto e das tsunamis e das pessoas que morreram. Se todos aqueles que praticam terrorismo deixassem o trabalho para a natureza não gastavam tanto dinheiro. O respeito e admiração que tenho pela natureza é neste momento tão grande quanto a revolta de ter levado mais alguns milhares de pessoas, ao que temos vindo já numa frase demodé "a seleçcão natural" atribuído a responsabilidade. Não me interessam. Morreram um monte de pessoas, digamos, sem necessidade?
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domingo, dezembro 26, 2004
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