quarta-feira, dezembro 08, 2004

As imagens das palavras.

Fui passear até à Swazilândia, aqui ao lado, fizemos 200Kms e o objectivo era o Royal Swazi. Um hotel de luxo, com uma paisagem lindíssima, enter vales fascinantes, uma piscina ótima um jacuzi 24h sobre 24h mesmo ao lado da piscina, o casino para quem gosta e um serviço ou atendimento que só conheço mesmo na Swazi. Confesso que não consigo entender o que os move: se o racismo, se apenas o facto de estarem a trabalhar e prefeririem claro estar nas bahamas, se pela pura inveja de ali estarem moçambicanos a curtirem um boa, de todas as cores. Mas o malvado do serviço é que me tira do sério. É que não dá para explicar, tento: "sorry sir, excuse me sir" e pura e simplemesnte viram a cara para o outro lado, mesmo depois de nos ter olhado de frente! Não é normal. Agora o bom. Andei de cavalo, fiz talvez a maior massagem da minha vida que levei 3 horas a recuperar (poupo-vos dos detalhes), jacuzi há uma e meia da noite ou da manhã como preferirem, banhos na piscina, sol muito sol, uma tempestade seca e um completo almoço no domingo. O regresso por uma estrada e fronteira nova, por Goba a EN5 e que me mostrou um moçambique dislumbrante.
Voltei, mirei resultados e pasmei com a forma que estas eleições correram. Confesso que a calma com que tudo correu por estas bandas promoveu estabilidade e calma, tão necessárias. Estivemos bem mais atentos ao Pinto da Costa, ao Santana Lopes e aos duodécimos. Mas ainda não temos resultados definitivos para dar. Aguardamos.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Tiki Zaka.

É a minha cadela misturada entre maltês e qualquer coisa tipo "pichiness", tem 3 meses de vida. Uma sobrevivente duma ninhada de 5, peluda e felpuda por vezes parece um lobo, ou loba. Malandra, divertida dá baile aos putos na esplanada e hoje, logo hoje mais lá para a banda do tornozelo, ela está a achar que é parecido com o seu principe encantado, pelado e macho. Tento dizer-lhe que pertenço a uma outra espécie, menos canina e que comigo não tem futuro! Zangada roi o pé com uns dentes que são religiosamente afiados ali no azulejo da cozinha e num osso de tutano, resmunga solta um latir rouco e vai à sua vida. Ambas impacientes e à espera de algum resultado sobre as eleições, além do elevadíssimo nível de abstenção!

Grrrrrrrrr. Momento de espera.

Dá-se o hiato. TV nada diz, materiais devem estar a entrar na sala de contagem, a chuva que não cai, o momento em que a vida deve continuar e aguarda-nos o nosso futuro nas listas que irão chegar hora a hora. CNN falou de moçambique como sendo o pequeno milagre da democracia através duma repórter em joanesburgo, pois. Faço o zapping entre canais mas teima esta calmaria com que irão ficar caracterizadas estas eleições. Que coisa. Acalma-me um pouco o programa que faço para a TVM, onde nos dá conta de acontecimentos culturais de norte a sul. Mas mais nada. O resto são telenovelas!!!

Ansiedade luso-moçambicana.

Talvez das muitas poucas coisas que se possa dizer que existe em comum (que me perdoe o saudosismo), além da língua entre moçambique e portugal é a ansiedade do momento que tanto um país quanto o outro sofre de ansiedade e desgraçadamente por motivos em tudo idênticos. Política! No mínimo caricato e apelo aos estudiosos desta área que percam um pouquinho de tempo a analisarem este ponto. Bem deste lado falta apenas uma hora para o fecho das urnas e depois é começar a contar, mas para já reina a fraca afluência ao direito adquirido, o calor pesado e húmido, o cansaço do ano, a semana curta de trabalho, uma cidade quasi vazia. Mas algo de novo marcam estas eleições que é a possibilidade de os moçambicanos no estrangeiro poderem votar. Por lei, serão 15 dias para obtermos resultados para já, dos 9 milhões recenseados veremos quantos foram molhar o dedo. Para os que não sabem, todos os votantes têm de molhar o dedo numa tinta que parece hena e deixar lá a impressão. Portuguesa que sou e o carinho, não, paixão que tenho por esta terra leva-me a viver estes dias com muita ansiedade, não só pela possível continuidade e manutenção da vida que aqui tenho mas acima de tudo porque desejo com toda a força possível deste mundo que este país desenvolva, cresça sem precalços, sem tretas.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Estás sem governo.

Tenho um hábito, chegar a casa retirar o calor que me assolou todo o dia com uma chuveirada, ligar o ar-condicionado e refastelar-me no sofá. Isto para recuperar as energias substalecidas. O meu rapaz encontra-se em Cape Town (cidade vivamente a ser visitada tipo na lista das 100 coisas a fazer antes de morrer) manda-me um sms: "Estás sem governo". Como devem calcular fiquei com a respiração meio contida, porque vivo em Maputo, com eleições no dia seguinte (hoje) e passou-me um calafrio pela espinha, lembrando-me o que os meus pais passaram em Angola, no momento em que se decidiram sair da guerra. Liguei para a TVM antes de lhe responder para ver alguma notícia, nada. Tudo calmo, a preparar as eleições, garantir a paz, confirmar a Carter que tudo "in peace if elections are transparent...", enfim a normalidade a que já me habituei. Fiquei confusa. Ao que respondi "Sorry, tudo vivo, tudo normal fica calmo, Dhlakama acaba de confirmar a Carter no Polana que as armas não se levantam mais". Logo a seguir veio outra "Minha linda o TEU governo". De novo fiquei a olhar para o celular, estes objectos que tomaram conta das nossas emoções. Comecei a rir-me, apenas porque já estava à espera de algo assim. Mas principalmente pelo timming que Sampaio resolve fazê-lo. Um dia antes das nossas eleições aqui. Teve consequências engraçadas por estas bandas. Acreditem.
Agora o primeiro dia de eleições corre com normalidade debaixo dum sol abrasador, sem problemas e devo partilhar que tenho uma sogra que tem uma mãe a fazer 100 anos daqui a uns meses e que me soube particularmente bem vê-la ir votar, devagar mas segura. Hora de almoço fui lá almoçar com ela e lá vi o dedinho pintado todo orgulhoso.