É a minha cadela misturada entre maltês e qualquer coisa tipo "pichiness", tem 3 meses de vida. Uma sobrevivente duma ninhada de 5, peluda e felpuda por vezes parece um lobo, ou loba. Malandra, divertida dá baile aos putos na esplanada e hoje, logo hoje mais lá para a banda do tornozelo, ela está a achar que é parecido com o seu principe encantado, pelado e macho. Tento dizer-lhe que pertenço a uma outra espécie, menos canina e que comigo não tem futuro! Zangada roi o pé com uns dentes que são religiosamente afiados ali no azulejo da cozinha e num osso de tutano, resmunga solta um latir rouco e vai à sua vida. Ambas impacientes e à espera de algum resultado sobre as eleições, além do elevadíssimo nível de abstenção!
quinta-feira, dezembro 02, 2004
Grrrrrrrrr. Momento de espera.
Dá-se o hiato. TV nada diz, materiais devem estar a entrar na sala de contagem, a chuva que não cai, o momento em que a vida deve continuar e aguarda-nos o nosso futuro nas listas que irão chegar hora a hora. CNN falou de moçambique como sendo o pequeno milagre da democracia através duma repórter em joanesburgo, pois. Faço o zapping entre canais mas teima esta calmaria com que irão ficar caracterizadas estas eleições. Que coisa. Acalma-me um pouco o programa que faço para a TVM, onde nos dá conta de acontecimentos culturais de norte a sul. Mas mais nada. O resto são telenovelas!!!
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quinta-feira, dezembro 02, 2004
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Ansiedade luso-moçambicana.
Talvez das muitas poucas coisas que se possa dizer que existe em comum (que me perdoe o saudosismo), além da língua entre moçambique e portugal é a ansiedade do momento que tanto um país quanto o outro sofre de ansiedade e desgraçadamente por motivos em tudo idênticos. Política! No mínimo caricato e apelo aos estudiosos desta área que percam um pouquinho de tempo a analisarem este ponto. Bem deste lado falta apenas uma hora para o fecho das urnas e depois é começar a contar, mas para já reina a fraca afluência ao direito adquirido, o calor pesado e húmido, o cansaço do ano, a semana curta de trabalho, uma cidade quasi vazia. Mas algo de novo marcam estas eleições que é a possibilidade de os moçambicanos no estrangeiro poderem votar. Por lei, serão 15 dias para obtermos resultados para já, dos 9 milhões recenseados veremos quantos foram molhar o dedo. Para os que não sabem, todos os votantes têm de molhar o dedo numa tinta que parece hena e deixar lá a impressão. Portuguesa que sou e o carinho, não, paixão que tenho por esta terra leva-me a viver estes dias com muita ansiedade, não só pela possível continuidade e manutenção da vida que aqui tenho mas acima de tudo porque desejo com toda a força possível deste mundo que este país desenvolva, cresça sem precalços, sem tretas.
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quinta-feira, dezembro 02, 2004
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quarta-feira, dezembro 01, 2004
Estás sem governo.
Tenho um hábito, chegar a casa retirar o calor que me assolou todo o dia com uma chuveirada, ligar o ar-condicionado e refastelar-me no sofá. Isto para recuperar as energias substalecidas. O meu rapaz encontra-se em Cape Town (cidade vivamente a ser visitada tipo na lista das 100 coisas a fazer antes de morrer) manda-me um sms: "Estás sem governo". Como devem calcular fiquei com a respiração meio contida, porque vivo em Maputo, com eleições no dia seguinte (hoje) e passou-me um calafrio pela espinha, lembrando-me o que os meus pais passaram em Angola, no momento em que se decidiram sair da guerra. Liguei para a TVM antes de lhe responder para ver alguma notícia, nada. Tudo calmo, a preparar as eleições, garantir a paz, confirmar a Carter que tudo "in peace if elections are transparent...", enfim a normalidade a que já me habituei. Fiquei confusa. Ao que respondi "Sorry, tudo vivo, tudo normal fica calmo, Dhlakama acaba de confirmar a Carter no Polana que as armas não se levantam mais". Logo a seguir veio outra "Minha linda o TEU governo". De novo fiquei a olhar para o celular, estes objectos que tomaram conta das nossas emoções. Comecei a rir-me, apenas porque já estava à espera de algo assim. Mas principalmente pelo timming que Sampaio resolve fazê-lo. Um dia antes das nossas eleições aqui. Teve consequências engraçadas por estas bandas. Acreditem.
Agora o primeiro dia de eleições corre com normalidade debaixo dum sol abrasador, sem problemas e devo partilhar que tenho uma sogra que tem uma mãe a fazer 100 anos daqui a uns meses e que me soube particularmente bem vê-la ir votar, devagar mas segura. Hora de almoço fui lá almoçar com ela e lá vi o dedinho pintado todo orgulhoso.
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terça-feira, novembro 30, 2004
A arte da maldade.
Fransisco Noa, acaba o seu artigo na revista Mais (Dez. 04) desta maneira: "...no essencial, continua (a Noémia de Sousa) a ensinar-nos que se pode tirar tudo às pessoas, menos a capacidade de pensar e sonhar".
Concentro-me na penúltima palavra - ao de pensar. Não tem preço estipulado, tangível unicamente pelas obras que vamos deixando pelo mundo fora e a origem de muitas invejas, dissabores, angústias e alegrias. É o nosso pensar que nos define no todo, o corpo depois acompanha-nos (um desportista vai rebater com dentes tal afirmação). Algumas destas obras são apenas existentes pela sua maldade pura. Digo pura porque, tendemos a culpabilizar a para-psicologia, a religião (é obra de satanás...) ou meras crenças tradicionais das avós, dos ante-passados (mas valha-nos esse passado meu deus), até porque clinicamente nem sempre se consegue explicar o inexplicável. Só assim.
Como todas as artes, a da maldade tem de ser aprendida, com o que caracteriza o crescer dum ser, o que o rodeia, a educação que os pais e familiares atribuem e depois temos o tal inexplicável, da alma. "Aquele apenas tem um fundo mau" "Ele ou ela é assim, nada a fazer" , como me irritam este tipo de expressões porque e se me permitem não se agarra o touro pelo corno e assim evitamos pelo conforto de tocarmos ou aprofundarmos assuntos que virão milindrar sensibilidades, políticas, religiões ou tradiºões, ou tão simplesmente as regras que nos regem enquanto seres duma sociedade.
Há maldades que dificilmente serão caracterizáveis pela sua génese, esse tipo de maldade só pretende o mal, mais nada, mas há uma maldade que me agoniza específicamente, a que resulta da inveja. Porquê? Carece de pensamento, carece de um fundo ou base que justifique a maldade que não seja por não ter ou o mais importante, não ser. Esta última talvez a mais sensível senão vejamos: posso ser invejada porque tenho um kilo a menos (que culpa tenha eu disso?), posso ser invejada porque trabalho (meus caros falamos do simples acto de trabalhar para ganhar a vida e ter oportunidades materiais e de concretizar os tais sonhos) e porque há quem não goste nada de trabalhar (entre dinheiro e poder, creio ser esta a base das diferenças políticas), posso ser invejada porque tenho esta cor e o vizinho do lado não tem, posso ser invejada porque penso. Se repararmos, dificilmente podemos controlar a inveja, porque e muitas das vezes são elementos que nos caracterizam como seres humanos. Prefiro não falar na questão material do assunto.
Hoje disseram-me que eu devo é escrever sobre os pássaros e o tempo, vejo-me algo agredida naquilo que eu sou apenas por natureza. Raramente vejo a maldade (ainda bem senão era capaz de dar um tiro na cabeça dado que ela existe sim e com abundância) e esteja protegida por isso mesmo. Mas o que eu não suporto mesmo é retrair o que sou, apenas por o ser e viver duma culpabilização que me é exterior, alheia.
Estou nos "intas" e começa a ser um pouco, muito difícil continuar a retrair o que não é retraível.
Existem alguns blogs aqui e aí, digamos de língua oficial portuguesa, que na sua génese não adiantam nada para este processo tão difícil de portugueses que vivem em áfrica ou pelo menos em Moçambique. Todos e alguns com receio de chamra as "coisas" pelso nomes e dar nomes às coisas. O Português é racista. O Moçambicano é racista. O Alemão é racista. Podemos mudar as nacionalidades o que importa é que os seres humanos, mas não todos, são racistas. Outros há que são apenas invejosos, seja do que for. Mas para mim, o que caracteriza, vejamos, a maldade, o racismo, a inveja (sem os querer meter todos na mesma panela, não é possível), é apenas a falta de informação na sua generalidade, o conhecimento. A ignorância.
O perigo é quando temos a maldade, a inveja o racismo de pessoas que pensam, que são inteligentes e manobram tudo o resto. As consequências são tardias, formativas de gerações inteiras e o trabalho de alguns vai ficando na gaveta para despacho!
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terça-feira, novembro 30, 2004
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