quarta-feira, novembro 10, 2004

A sede.

Terei sempre, sempre a sede insaciável de aprender até que o último bafo de oxigénio circule do meu coração ao meu cérebro. E nesse momento decerto morrerei com um apertozinho por saber que mais não aprenderei, pelo menos nesta frequência.

terça-feira, novembro 09, 2004

Mitos do paralelo 27.

Creiam-me, nunca é demais fazer lembrar:
Leões no meio da cidade: Pois, como devem calcular, não há. Mas há cerca de uns 4 a 5 meses atrás, lá no norte de Moçambique, numa cidade que se chama de Pemba (lindíssima, paradisíaca), lá foi apanhado um no meio da cidade e devidamente morto, para que não hajam baixas humanas, presumo. Cidade pequena e decerto muito perto da "mata".
Palhotas por todo o lado: cruzes, não é bem assim. Até temos (umzinho) prédio de 33 andares, onde de tudo acontece por lá-Dos sítios preferidos para a última morada dos suicídas. Palhotas, na sua concepção, são casas que na sua grande maioria até são do mais interessante ver pela sua simplicidade arquitectónica, de palha, pedra, argila e se possível muita sombra. Onde vislumbrei com as "palhotas" aqui foi no Norte de Moçambique, Cabo Delgado. Preparadas com o maior rigor para manter o calor fora. Claro está que existem cidades remotas. Como em toda a parte do mundo.

Equilibrio térmico.

Eram 09am e o termómetro já batia os 30 graus celcius. Agora imaginem, vai fazer mais calor e teremos durante o dia de sobreviver a altas temperaturas. Não há sangue que aguente esta agressiva forma de estar. Os espanhois descansam até às 4pm, os americanos inventaram uma cama "robot" que permite o descanso de 20 minutos totalmente isolado, apesar de lá terem cerca de 15 a 20 camas na mesma sala, mas estes pelo stress da Big Apple e nós aqui, usamos gravatas!!!! Tivemos este ano o tempo do "frio" prolongado, tendo o calor iniciado há cerca de 2 a 3 semanas o máximo, o que não é nada comum, talvez pronunciando um calor desgraçado por muitos meses. Aumenta a poeirada no ar, as doenças como a malária, a produtividade baixa sem dúvidas algumas e o tempo parece mais lento. Não temos dias longos, se calhar pelo melhor, não imagino este calor aterrador até às 10pm com sol. Não aguentavamos. Toda uma cultura que gira à volta da sobrevivência da espécie. Almoços fora, só quem tem ar-condicionado e a tempo de dormir a soneca para restabelecer os níveis (inexistentes), carros apenas os que têm ar-condicionado, casas? Só com ar-condicionado. A partir das 4pm há que utilizar roupas que cubram bem o corpo para não se ser atacado pela "mosquita". O alcatrão das estradas vai derretendo provocando um piso meio escorregadio, a comida tem um prazo de validade reduzidíssimo, e as bactérias vivem no paraíso. Não consigo imaginar como vivem os hospitais e centros de saúde, preferindo deixar isso para outras núpcias. É comum ver-se pessoas a dormirem na estrada sempre debaixo duma sombra, os cães passivos, as formigas a proliferarem e um mundo todo à espera que passe uma brisa, generosa não do Norte mas do Sul.

Sporting de longe.

A noite está calma, Maputo dorme e o meu coração lagarto peca na sua cor. O leão vagueia a savana, lento, coçando as moscas na micaia e procura hienas com que se vingar. Não as vislumbra nem de perto, contenta-se com um javalizito magrote de palitar dentes. Desiste, retira-se da penumbra e aninha-se junto das leoas, essas em maior número nada contentes com o seu rei da selva.

segunda-feira, novembro 08, 2004

Descanso do guerreiro na Namaacha.

Não importa o género, apenas porque é mais conhecida a expressão "...do guerreiro" mais do que a "...da guerreira". Mas elas há. Eu não tenho dúvidas.
Namaacha foi o local escolhido, para ouvir o silêncio da natureza, para poisar a alma, na calma. Preparei, não, mandei preparar uma feijoada com todos, organizei os legumes frescos e enlatados para irem comigo, sem esquecer or orégãos, a cama (que é um cesto típico do bazar) da minha cadela, a Tiki Zaca (nome de guerreira, não? Apesar de ser da espécie "Zacarias", com respeito pelo nome), eu e o meu rapaz lá fomos, fazer os tais kilómetros que gostamos de fazer, apenas para almoçar no meio de árvores, formigas, morangos da terra e cebolas com cabelo. O almoço foi em casa de um amigo nosso e apesar de sermos só quatro, dos quais uma filha em pleno jejum (estamos no mês de Ramadan), a ver-nos comer, lá colocámos o som do 4x4 a tocar música da europa e refastelá-mo-nos por completo na tal de feijoada com todos.
Foram escassas 5 horas que passaram a voar por entre espargos gelados, t-bones grelhados no ponto e a feijoada que obrigou ao sono vencido, numa cadeira de praia, à sombra do pinheiro, o respirar do ar puro, fresco a pinho e no carregar da bateria, que mesmo que seja da Duracell também esgota.
A caminho da Namaacha, temos agora uma estrada que foi aberta para Goba e que encurta muito a viagem para Durban, Cerca de meia hora de caminho e para os que viajam vale ouro.
Esta Madalena, é para ti e pela Namaacha.