terça-feira, novembro 02, 2004

Almas.

Elas há, caridosas, ajudam, encaminham. Obrigada Eduardo. Agora só falta lá ir aprender a blogar com estilo.

segunda-feira, novembro 01, 2004

aaaahhhh. blog...

temos de imaginar que tirei um curso de fotografia, tenho uma actividade de criatividade e de edição, mas não sei colocar fotos no meu blog, criar os blogs linkados, fazer os links nas frases e tornar o meu blog com um melhor design. Irra!!!!! Lá chegarei.

HÁ GAJOS BONS

desconheço o autor
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Por entre os escombros de uma campa de mármore

cinzenta, que levava as inscrições dispersas o nome de

Pedro Paulo Perreira Pinto, no cemitério velho da

Maxixe, Castiano Lucas Rungo, escapou, numa manhã

quente em Dezembro de 1992, a um linchamento certo, por

parte de cinco homens munidos de catanas que

procuravam repôr a honra da família por terem

encontrado na cama do irmão, que se aviara para as

minas da África do Sul, Rungo, completamente despido,

rasfatelado e gemendo entre as coxas de Terezane,

cunhada destes.

Adultério era a palavra certa para descrever aquele

ambiente, que se comentou em manhãs infindáveis, por

toda a extensão do distrito. O assunto de que

Castiano atropelava, em sábados quentes e chuvosos, a

honra dos Warethuana, foi difundido de boca em boca

duas semanas até a fatídiga noite em que foi flagrado,

em delito.

Nessa noite, o céu estava limpo, e a lua apresentava

um ligeiro corte. Castiano tinha trajado um fato

branco, vindo da Ilha de Mucucune onde vivia e

dedicava-se a actividade pesqueira, seu meio de

subsistência.

Conhecera Terezane, no cais da Maxixe onde esta ia aos

sábados a busca de peixe.

Ofereceu-lhe peixe vermelho, da primeira - de borla.

"Passe a vir buscar todos os sábados dez quilos".

"Está bem, o senhor é muito simpático"

"Amei os teus olhos e o teu sorriso"

Ela abriu a boca e com os dentes alvos que tinha,

espalhou um sorriso largo. Honesto. Monumental.

Três sábados depois, Novembro findava e marcaram o

primeiro encontro. Castiano Lucas Rungo, como nos

sábados que seguiriam, até desembocar no cemitério da

Maxixe velha, em fuga, onde escapou do linchamento,

passou a cortar a baía, com o seu barco a vela, e nas

noites em que o vento não soprava, ele remava para

rever os dentes alvos e honestos de Terezane.

"Gosto muito de ti Terezane"

"Também gosto muito de ti Castiano"

"Porque não vens comigo para a ilha que te farei a

mulher mais feliz da terra".

"Não posso"

"Porquê?. Porquê Terezane?!"

"Estou no lar e o meu marido volta em breve da África

do Sul, mas se quiseres podes vir ficar comigo até de

madrugada e depois voltas".

Assim foi nos sabádos seguintes, facto testemunhado

pelos cegos da zona que fizeram a informação circular

de forma vertiginosa, nas duas semanas seguintes por

toda a extensão do distrito.

Os cunhados tomaram conhecimento e montaram uma

emboscasda. Estavam armados de catanas.

Bateram à porta. Terezane perguntou: "Quem é?"

Eles não responderam. Castiano, virou-se para ela e

disse, não ligues que a esta hora da madrugada só

podem ser ladrões.

Ele estava por cima e ela por baixo, quando a porta do

quarto desabou e ela gritou: " Foge Castiano são os

meus cunhados".

Duas catanas passaram-lhe rente as orelhas, enquanto,

com o fato branco nas mãos pulava a janela, correndo

na direcção oposta do mar onde estava o seu barco: ia

em direção ao cemitério. Eram duas da manhã. Castiano

Rungo, entre campas dispersas, escondeu-se numa árvore

enquanto vestia.

Até o primeiro galo cacarejar as buscas continuavam,

quando de repente, Rungo exausto e assustado encontrou

uma campa entreaberta com as inscrições dispersas, gravado estava o

nome de Pedro Paulo Perreira Pinto. Meteu ali a roupa

e totalmente nú, completamente transpirado, sentou

sobre ela quando foi abordado pelos cinco dos cunhados

que ainda empreendiam a busca:

"O senhor não viu um senhor aqui de fato branco?".

Ele manteve num silêncio sepulclar.

Eles insistiram, com algum receio na questão:

"O senhor não viu um senhor aqui de fato branco?".

Finalmente, depois de sentir os primeiros raios que se

abateram sobre o seu dorso nú disse:

"Estou a sair desta campa dezoito anos depois da minha

morte ainda por esclarecer. Estou cansado do calor que

me atormentava".

Ao ouvirem aquelas palavras, as catanas dos cinco

Warethuana cairam em solo firme. Tremeram. Desmaiaram.

Castiano Lucas Rungo meteu a mão no sepulcro pegou no

fato branco, vestiu, passou pelos homens desmaiados,

localizou o barco e nunca mais voltou a Maxixe.

Há gajos bons.

POR UM MOÇAMBIQUE MAIS UNIDO!

Lisboa VS Maputo

Reparem que a comparação não é feita entre Porto e Quelimane, ou Evoramonte e Lichinga. Porque não é possível. Mas o debate está em aberto ainda hoje. E está porque como já o disse, não é possível comparar papas de sarrabulho com matapa, ou o cheiro a bolota às 17h00 de maputo com o da humidade lavada de Cintra. Simplesmente não é. Duas cidades em tudo diferentes com ligações "umbilicais", nem sempre pelas melhores
razões e por muitas pelas melhores deste mundo. A eterna e deliciosa indecisão - o que é melhor ter, viver, cheirar.
Sendo eu uma pessoa altamente suspeita porque optei por Maputo claramente, existem "podres" de Maputo que
não lembra o diabo.
Talvez a mais flagrante a questão do lixo, que hoje já está mais resolvida (falamos de cidades),
mas paira ainda um certo ar bacteriano que não faz nada bem à saúde, dado que resultam em doenças já erradicadas numa europa, ou lisboa.
O trânsito de Lisboa é um inferno, admitamos de uma vez por todas, quando aí vivi eu gastava eternidades para me resolver no trânsito, e eu conheço as secundárias, só faltava dar a volta pelo Alentejo, vinda do Lumiar para chegar ao Cais do Sodré. Em Maputo, e apesar dos imensos carros hoje existentes se comparados ao tempo do Samora, são já muitos e só complica porque a única avenida que suporta este tipo de trânsito é a Av. Eduardo Mondlane pelas suas totais 6 faixas (lindíssimo porque se vê claramente do aviâo), o resto são ruas com duas vias de cada lado, um separador no eio a complicar e salvar maiores desgraças. O lema aqui é "se conduzir, beba, beba muito". Nas últimas 3 semanas morreram 3 jovens resultantes de rodas e copos. Temos aqui uma subida que vem de 25 de Setembro para a parte de cima da cidade, entrando na conhecida Julius Nyerere, e eu vi com estes olhos um derrapagem com cerca de 200 metros a subir!!! Pode? Por outro lado, temos um fenómeno interessante e que penso seja o resultado da má sinalização, ou inexistente. Conduz-se devagar, mas conduz-se mal. Existe a falta de conhecimento do código de estrada per si, uma grande falta de orientação espaço-geográfica e noção de física da estrada e por fim a postura na estrada. Um peão aqui, olha vê carro e avança! Existem nas famílias Moçambicanas 3 tipos de tragédias: sida, malária e atropelamentos.
Em Maputo, levamos máximo 10 minutos a chegar a casa, temos tempo. Qualitativo. Efectivamente. Quando vivi em Lisboa, eu nem almoçava quase. Resulte daí todas as consequências positivas para a família, os amigos, tratar de algo. Em Lisboa nem pensar...não há tempo. E o tempo voa. Em Lisboa eu comia um sopa em pé qual quioske sofisticado da falta de tempo. Em Lisboa eu tinha dificuldade em combinar um cinema ou teatro com uma amiga. Chegava a levar 6 meses sem ver um amigo.
Em Maputo, reconstroi-se. Tenho para mim que a minha geração e que é a "X" , foi o resultado daquilo porque os nossos pais e avós lutaram, a liberdade a democracia. Houve uma certa falta de algo com que lutar por. Mas eu tinha uma luta, um objectivo que pela voraz forma da cidade de Lisboa nos envolver se tornou difícil de contornar. Eu tinha que voltar para África, para Maputo. Todos os dias circulava a segunda circular olhando de esguelha para a saída que dizia aeroporto, pensando com um vazio profundo "quando voltaria eu?".
Esse vazio com que vivi muitos anos em Lisboa, são a razão pela qual eu não poderia nunca comparar estas duas cidades. Porque tal como um processo de crescimento, aprendi a gostar de ambas as cidades. Cada uma com as suas características próprias. Esse pulsar que nos identifica e nos torna cidadãos.
Há "detalhes" lisboetas que Maputo nunca terá e há maneirismos maputenses que Lisboa nunca conseguirá atingir. É uma forma cultural de "estar". Mais aberta, desprovida dos kilos de roupa que nos aquecem o esqueleto, algo livre de demandas sociais e posturas obrigatórias do tipo "a senhora por acaso é familiar do Luís" ao que eu respondia "sim, sim ela canta e eu encanto", como se o sangue azul, vermelho ou rosa fosse um determinante de estatuto.
Adoro tanto os eléctricos amarelinhos que me passeavam pela Sé, como adoro ver o macua (moçambicano do norte, guerreiro, excelente escultor do pau preto) a conduzir o batelão (sem saber se ele aguenta a pequena travessia), a meter o cigarro dentro da boca, para que o mesmo não acabasse rápido com o vento marítimo. Ou ver uma tonelada de palhinha a descer o rio durante 6 semanas e essa constituir o abastecimento de palhinhas à cidade de Maputo. A própria palhinha que serve de barco. Técnicas de certo anciãs. A história aqui tem contornos diferentes daqueles que habitualmente fomos habituados, existe a história escrita e a oral. Fascinante e perigosa.
E nem sequer tocarei na estrutura de apoio ao cidadão, à mulher. Essa é uma outra conversa. Nem nas praias......entendam estas reticências. Eu tinha de competir por um espaçinho no portinho de arrábida ao sol, o pedaço .
É melhor concluir, mas tenho a sorte de ter o melhor dos dois mundos.

PSD/CDS a TVM e Guebuza

O ministro Morais Sarmento, deve ter vindo ver in loco se os 360 mil euros (Correio da Manhã 01.11.04) entregues à TVM estão a ser devidamente aplicados à campanha eleitoral a correr neste momento, não vá a maior necessidade da nossa televisão sobrepor à política. Meios técnicos, recursos humanos ou até câmaras de reportagem. Este valor foi entregue a 29.10.04 à TVM.