terça-feira, outubro 19, 2004

descobriram-me a careca.

Que fazer. Andei eu aqui tão calminha, no meu ritmo próprio e záááás, quando lá vou espionar os outros, neste planeta - dos blogs, entretanto cresceram-me os olhos, as pernas ficaram tipo barris, o cabelo encaracolou e o cérebro mirrou - vejo-me escarrapachada num outro bloggista. Só não sei se com as mesmas características de blogs que as minhas! Além de me ter descoberto, eu diria re-descoberto, ainda por cima toca numa aspecto deveras interessante aqui - o anonimato. Que apesar de se encontrarem apenas as minhas iniciais lá postas quem não sabe quem é a senhora da Passada? Pelo menos neste meio tão resoluto, é difícil, fazendo-me lembrar algumas férias que eu tirava em Evoramonte (imagine-se, só tem uma rua a atravessar e vê-se uma tabuleta antes de passar pela taberna e outra à saída, cerca duns 2kms). Agora que ele me colocou no dele, só me acrescentou a responsabilidade. Mas e porque a Lei aqui existe e defende que um estrangeiro não pode servir-se da pena na terra, lá vamos encontrando uns escaparetes onde até nos seja permitido penar e depenar.
Aqui somos todos anónimos e todos conhecidos, é o que vale! Khanimambo pelas boas vindas, cá estarei porque já não me é permitido escapar!

PS - tive mesmo muita vontade de me esticar com o saboroso escândalo visto por todas as têvês lusas do futebol. Só achei que as mesmas já exploram qb., o que me envergonha.

segunda-feira, outubro 18, 2004

Hoje acordei latina.

Esta é a minha forma de dizer que enquanto eu não tomar o matabicho e um banho revigorante, não me dirijam nem palavra nem susurro, nem se aprocheguem. A coisa é bera senão vejamos: o corpo leva tempo a restabelecer os níveis de acordado, o sangue corre muito lentamente (onde escolhi viver não ajuda muito por causa das altas temperaturas) e nada se deveria passar até que estivesse completamente acordada. São estas alturas em que riscamos o carro assim devagarinho só para chatear o orçamento, ou abrimos a porta sem olhar para o retrovisor e pumba! crash! atropelamos um ciclista que ía para o serviço com galinhas mortas no saco de plástico, completamente parada, ou ainda perguntamos ao nosso funcionário "que dia é hoje? como não sabes?" porque estaria eu a perguntar e exigir se também eu não o sabia. É uma hora de perfeita e turva estupidez. É preciso primeiro acordar e mais importante deixar acordar. Desde o chapa que nos atropela com sinais que os nossos pais não iriam gostar à empregada de mesa no café, qual delicioso café expresso (aqui não se utiliza a bica, nem curta nem longa só Pintos da Costa!) que nos diz na cara "minha senhora não lhe posso trocar a águas das pedras porque a minha colega já registou!". E mais não digo podem achar estranho.
Tudo isto apenas porque o meu mano faz anos e não estou por perto para lhe dar um lolipop pelos seus intas e muitos.

quinta-feira, outubro 14, 2004

Acorda-se cedo.

Muito, mesmo muito cedo. O raiar é de uma beleza e somos espancados com uma temperatura nada moderada logo de manhã, tipo uns 28 às 8:00. Mas de há uns anos para cá que o movimento que eu via nas rua às 06:00 está diminuído, não sei se pelo trabalho dos sindicatos a reduzirem a carga horária se porque e muito provavelmente uma grande maioria trabalharia em casas de investidores, e que hoje são inexistentes. Pelo menos em números. Como não há indústria e a Cimentos entretanto (pelo meu lado algo que me agrada imenso pelo facto de que agora não tenho de respirar cimento no ar...o chato são os postos de trabalho que cessaram de existir) fechou as suas portas e estamos à porta de mais umas eleições, quiça os que já se encontram em Angola estão em melhores condições de vida. As pessoas que conheço na banca não param de mencionar as contínuas contas a serem transferidas para Angola e outros países. Que será de Moçambique nos próximos 10 anos?

quarta-feira, outubro 13, 2004

Pensava eu

Que isto era só crescer, aprender, respeitar regras da sociedade, evoluir, amar e trabalhar. Mas enganei-me redondamente. Tão redondo quanto este mundo em que vivemos. Começa aqui, acaba ali. Ciclico, fenomenal. Variadíssimo tanto quanto o nosso genoma. Mas não a contradição é representada aqui e ali, por simbolos religiosos, por imagens, letras e telas que ninguém percebe mas as discute sofisticadamente sem fim. Adoro esta nossa capacidade deliciosa que temos de "bluffar ". Uns aos outros, politicamente e socialmente. Mas a ciência, não. Esta detentora de factos e tudo aquilo que não se comprova factualmente, não existe. Uma mera miragem. Assim temos a ciência em vantagem sobre todas as outras áreas. Que chato. Mas também se assim não fosse reinava uma qualquer anarquia descontrolada e sem rumo. Criamos objectivos e estratégias intermináveis, é preciso controlar o ser humano, ditar-lhe o caminho e preservar as múmias fêmeas para todo o sempre. Porque gatos não interessam.

Para eu ter a âmpola que faz crescer milagrosamente o cabelo, morrem imensos chimpanzés, animais estes que a ciência diz ser 97,6% dum ser humano, encontra-se em extinção e duma comunidade de cerca de 3 milhões, estima-se hoje cerca de 200 mil no mundo.

Agora tenho que aturar a outra que virou ministra aos 64 anos de idade por mérito absoluto, dizer que o HIV foi criado pelo homem cuja prova está nas mortes dos afro-americanos que estão a morrer mais do que ninguém. Nem me apetece contrapôr com estatísticas porque tenho de mostrar o meu respeito à primeira mulher de áfrica a ganhar o prémio nobel da paz! Adorava que o teste mitocôndrico dela lhe desse uma origem caucasian!!!

Adoro ver os scientistas à batatada por causa da nossa origem.

sábado, outubro 09, 2004

Nem sempre

Nem sempre dá vontade. Deve ser por causa das eleições que se avizinham para breve. Maputo enche-se de novo de cartazes e discursos de campanha juntamente com o adeus de um presidente que se despede duma governação de 18 anos, inteiros. Não, não é ditadura, era necessário. Falta de quadros, uma descolonização apesar de já antiga ainda muito recente nas mentes e uma tarefa duríssima do desenvolver dum país ainda não formado. Recentemente fizemos um informercial que se apresentava com nível mas o amargo sabor de saber que será compreendido ou entendido apenas por um punhado de seres num universo de 17 milhões.